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Você está em Crônicas e Poesias

Valéria Torres

[ Valéria Torres ]
Apaixonada plenamente por Artes, principalmente por Fotografia e Literatura.

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Você Aprende!

Um belo dia você acorda e percebe as pequenas coisas que não se percebia antes. É então que você aprende.

Aprende que a vida não segue um plano, que as pessoas mudam e que nada é tão ruim que não possa ser vivido de modo diferente.

Um dia você aprende que tudo o que você conquistou verdadeiramente estará sempre ali, de um modo ou outro, mas ainda sim estará ali. Aprende que pessoas são nada além que tão somente pessoas, com erros, acertos e instintos, e não devemos julgá-las pelos atos, pois atos são só atos e que se não controlá-los eles o controlarão. Aprende que assumir uma fraqueza é mais nobre do que escondê-la atrás de mentiras sem fim.

Descobre que não importa o quão profundo seu coração foi apunhalado, ninguém entenderá sua dor a menos que você a explicite, e ela não passará até que a aceite. Descobre e se fascina que a mais forte das dores vem de quem você mais ama e mais precisa que lhe as cure.

Depara-se com um milhão de pessoas no dia-a-dia e ainda sim há aquela única e improvável que lhe faz uma reviravolta tão grande na vida, que decide cortar o cabelo, ou quem sabe deixá-lo crescer, se pega falando a toda hora nela, pensando nela, e fazendo até as mesmas coisas que ela, e aprende que é somente o amor chegando, ou uma nova amizade que vêm pela frente.

Descobre que não importa quanto você se importe, ou ame alguém, ela às vezes irá te machucar, de modo quase tão profundo que você será capaz de odiá-la por instantes, e se sentirá mal por isso.

Aprende que pedir desculpa não é ser fraco, que perdoar não é ser idiota, que dizer a quem se ama o quanto se é capaz de amar não é vergonhoso. Aprende o real valor de amizades, e como percebê-lo. E aprende com isso que nem sempre as atitudes condizem com nossas vontades, ainda junto aprendemos o poder sagrado da temperança, que nada mais é a razão evitando que nos culpemos de atos impensados no futuro.

Descobre que não importa o quão algo seja importante na vida, uma hora ele há de se findar e ficar apenas guardado na memória, ou na gaveta junto com alguns postais, com lembranças queridas ou dolorosas, mas ainda sim ficaram sob responsabilidade do esquecimento.

Dá-se conta que amar é algo tão sublime que seja ser ridículo pensar que morrer de amor é de fato possível devido ao aperto que se dá no coração, e às vezes a confusão na mente.

Aprende que beijos são apenas beijos, abraços são apenas abraços, lagrimas apenas lagrimas, ou são muito mais que isso, são pequenos fragmentos de emoções que extravasam o corpo quando as palavras já não são mais necessárias, ou não saem por si só.
Percebe que se alguém não o ama do jeito que você gostaria que amasse, não quer dizer que não o ame do jeito que pode, e ainda sim que não há outros que amem, seria pessimista demais acreditar que em meio tantas e tantas pessoas ninguém repararia no seu sorriso. Aprende a se permitir, e a ser flexível.

Abre os olhos pra ver além do visível, e apura os ouvidos para ouvir além do óbvio, fazendo de imagens e sons um mundo repleto de possibilidades, memórias e vivencias.

Aprende a perdoar aos outros e a si mesmo, e aprende que seu umbigo é algo tão pequeno em vista da grandeza de vontades e desdém que nos envolve nessa grande massa que chamam de vida. Aprende que fechar os olhos e respirar fundo acalma mais que muito remédio, e ainda faz sonhar. Aprende que na pior das hipóteses o melhor a fazer é concordar. Que erros são perdoáveis, desde que assumidos e reparados, com sinceridade e devoção. E que embora lhe firam, qualquer dor passa, exceto a mágoa que perdura por eras.

Descobre maneiras de extravasar as emoções, ou de conviver com elas.

Você aprende, de um jeito ou outro, que a vida segue seu ritmo lento e efêmero, correndo por tantos e tantos vãos que nem se pode enumerar.

Aprende por fim que cada ser humano é um ser único, cheio de defeitos, erros e egoísmos. E que ainda sim torna essa grande roda da fortuna ativa, pois sem tantas e tantas emoções distintas que faz o coração pulsar não haveria porque de se continuar na eterna busca da felicidade.

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