|
Confissões Urbanas
Pelas ruas chuvosas dessa cidade que não têm piedade daqueles que aguardam com sonhos e esperanças de mudança na bolsa a tira-colo, pego-me andando sem direção com o pensamento entre um vago espaço entre as lembranças e o desejo, que juntos formam uma poderosa (e perigosa) massa que vai aos poucos corroendo o que resta de sanidade em um ser. Confesso que me deixei levar pelo improvável, e sem mais gostei disso, mais do que esperado, mais que o devido, mais que o permitido. E não vou dizer que é banalidade, vaidade e menos ainda exageros, não vou olhar pra traz, nem mentir que o faria diferente se possível fosse, pois seria trancar uma porta da qual venho tentando abrir, há tempos. Pouco!? Muito?! O suficiente. Nem mais nem menos, mas a dose na medida certa de tempo. Não pensava, não procurava. E ainda surgiu como um clarão, e não sei como nem quando carregou pra si, e consigo toda a escuridão. De maneira injusta, mas trouxe uma paz como a tempos não me tomava pela mão, e de tal maneira reavivou coisas que até então eram mornas e apáticas ao mundo que girava a minha volta, que veio como um raio me partindo em duas: razão e emoção. Sem clichê, simplesmente uma luta interna entre o emocional que queria se entregar a isso que ia me consumindo, e ia me fazendo sentir tão bem como ninguém, que fui fechando os olhos para a razão que berrava ao meu ouvido que esse não era o caminho a seguir, mas ainda sim fechei os olhos e ouvidos deixando somente o coração aberto de tal forma que foste entrando cada vez mais fundo a tal ponto que já não se torna passivel a compreensão do tamanho que deu-se um pequeno gesto sem muito sentido. Um gesto que poderia ter sido nada, comparado a tantos outros que vieram e/ou viriam, mas ainda sim deixou uma marca que só vem se talhando mais e mais a cada instante que passa nesses dias tão chuvosos, cinzas e confusos. |