De uma família religiosa, Hermann Hesse ingressou no seminário, mas abandonou os estudos, seguindo para outros países. O romance Sidarta pode ser baseado em sua própria história e o significado da obra é o que aconteceu em seu interior; seriam as suas próprias descobertas.
Sidarta é uma leitura envolvente e prazerosa.
Resumo do livro Sidarta, de Hermann Hesse
Sidarta, filho de brâmane, cresceu junto com Govinda, seu fiel amigo, que às vezes pensava-se ser sua sombra.
Sidarta não se satisfazia com a doutrina de seu pai, a doutrina brâmane. Ele possuía uma inquietação, uma vontade compulsória na busca de algo que intuía, mas que não sabia ainda o que era.
Contra a vontade do pai, porém com a sua permissão, partiu em busca de outras doutrinas com o amigo Govinda.
Durante longos anos, Sidarta, sempre acompanhado por Govinda, se submeteu a várias doutrinas, seguindo as práticas exigidas por cada uma. Mas em nenhuma delas encontrou o que intuía e procurava.
Até que encontrou Gotama, aquele por quem se dizia iluminado. Ora, Gotama, na história do livro, representa Gautama, aquele que diziam ser o Buda.
Gotama era um grande iniciado, detentor de todos os conhecimentos dessa iniciação e do significado real do Átman.
Sidarta não se satisfez com essa aloiniciação, que na verdade seria apenas a absorção de experiências e conhecimentos de outra pessoa, e não o desenvolvimento de seus próprios conhecimentos e experiências.
Não deteria realmente o Átman, apenas ficaria na mesma crença do passado, quando acampava nos conhecimentos ou crenças dos outros.
Govinda, seu fiel amigo, se satisfez em ser apenas alguém acampado nos conhecimentos e experiências do outro. Sidarta não aceitou essa iniciação de mentirinha. Ou ele experimentaria o Átman por si só, e desse modo o teria realmente, ou o perderia de vez, mas não se submeteria mais a ir "na conversa dos outros".
Govinda ficou com Gotama, e Sidarta partiu em busca do Átman por sua própria capacidade.
Nessa peregrinação, Sidarta encontra o barqueiro Vasudeva, atravessador do Grande Rio. Este ministra conhecimentos a ele e o leva a outra margem do rio. Lá, Sidarta encontra Kamala e se apaixona por ela. Sidarta passa a ter pensamentos diferentes por influência de Kamala, e abandona a velha peregrinação, fazendo coisas completamente opostas a sua índole.
Assim se passam muitos anos, até Sidarta se dar conta do caminho oposto que tomara e voltar ao Grande Rio, passando a ajudar Vasudeva a levar as pessoas ao outro lado do rio.
Kamala, grávida de um filho de Sidarta, vem a sua procura, ficando com ele e Vasudeva. Após dar à luz o filho, Kamala, muito doente, morre.
Morre também Vasudeva, e Sidarta se torna o único atravessador do Grande Rio.
Govinda, recostado à margem do Grande Rio, vê Sidarta sendo levado pelas águas.
SIMBOLIZADO DE SIDARTA
Análise e interpretação do livro Sidarta, de Hermann Hesse
No simbolismo do livro, Govinda é o brâmane, e Sidarta é o seu Cristo interior ( na Filosofia oriental, o Átman corresponde ao Cristo da Filosofia ocidental).
Govinda, filho de brâmane, cresceu seguindo a doutrina de seu pai. Quando homem não se satisfazia com essa doutrina. Ser apenas um brâmane não era mais suficiente. Tinha uma inquietação, uma vontade compulsória na busca de algo que intuía, mas que não sabia ainda o que era. Contra a vontade do pai, porém com a sua permissão, partiu em busca de outras doutrinas.
Durante longos anos, submeteu-se a várias doutrinas, seguindo as práticas exigidas por cada uma, mas em nenhuma achou o que intuía.
Até que encontrou Gotama, aquele que todos diziam ser o iluminado. Ora, Gotama, o Buda, também como Jesus, o Cristo, simboliza o Átman evoluído, o elemento divíno dentro do homem. Gotama, simbolizando o Átman, era um grande iniciado, detentor de todos os conhecimentos dessa iniciação e do significado real do Átman.
Govinda se satisfez em ser alguém acampado nos conhecimentos e experiências desse mestre, porém o seu Cristo interno, o seu Sidarta, não se satisfez com essa aloiniciação, que na verdade seria apenas a absorção de experiências e conhecimentos de outra pessoa e não dos seus próprios conhecimentos e experiências. Não deteria realmente o Átman nas alturas do Cristo, apenas ficaria na mesma crença do passado ao acampar nos conhecimentos e crenças dos outros.
Govinda não sabia desse elemento divino adormecido dentro dele, esse Cristo, por isso se contentou em seguir apenas os conhecimentos de Gotama, em peregrinar junto com ele.
Sidarta, o elemento divino dentro de Govinda, não aceitou essa situação, por isso, mesmo dentro de Govinda, seguiu a sua própria peregrinação.
Nessa peregrinação, Sidarta encontrou a sua consciência superior, representada na narrativa por Vasudeva, e, através dela, pôde vislumbrar a Grande Realidade Cósmica, na qual tudo e todos percorrem, ao longo da vida, dentro do Universo, por todas as eternidades. A Grande Realidade Cósmica é representada pelo Grande Rio.
A Consciência Superior, representada por Vasudeva, levou Sidarta a transpôr o Grande Rio e encontrar a sua consciência oposta (representada por Kamala), e esta o iniciou em todas as coisas do conhecimento do bem e do mal.
Sidarta, em poder desses conhecimentos e experiências, volta para a sua Consciência Superior, agora já plenamente divinizado, tornando-se aquele que conduz os seres à travessia do Grande Rio, o salvador destes no Universo.
Govinda, finalmente, toma consciência do seu Sidarta divino, e na margem do Grande Rio, vê-se levado pelas águas da Grande Realidade Cósmica.
O filho de Sidarta representa a conversão de Kamala à realidade de Sidarta, e sendo a descedência dele, significa a salvação de todos os seres através de Sidarta.
A história de Sidarta representa o que realmente acontece quando um ser humano descobre o Deus dentro de si. É a plena consciência do Cristo interior, são os conhecimentos destas realidades pelo Cristo interior, que levam o ser humano a tomar consciência deste Cristo e destas realidades.
Kamala tem uma simbologia muito importante, porém, não é o momento de falar sobre isso.