Diante da dramatização pela qual o mundo vem passando (não dá para pensar em regionalismos ou nacionalismos exacerbados nesse momento) devido a degradação ambiental acumulada, uma proposta sensata é o desenvolvimento de uma consciência verde.
Inicialmente essa consciência deveria ser desenvolvida nos senhores das mega indústrias, nos caçadores de baleias do Japão, nos fabricantes de embalagens de penosa decomposição, nos devastadores de florestas que matam civis desarmados a queima roupa, nos inconsequentes e delinquentes que deterioram patrimônios naturais que levaram séculos para se constituírem e em qualquer humano revestido de boas intenções. Quando indivíduos ou grupos organizados defendem apaixonadamente o meio ambiente eles são chamados de eco chatos ou eco xiitas, mesmo sem conhecermos cabalmente o significado dessa última palavra. Resta saber se esses indivíduos ou grupos estão a defender interesses legítimos e respeitando constituições e convenções internacionais relacionadas a cada país.
Observados todos os “protocolos” anteriores, surge uma opção elementar a todos: vontade e atitude preservacionista, algo similar ao que nos propõe os budistas. Quem aí deseja respeitar todos os seres vivos que não estão a nos ameaçar levante a mão.
Naturalmente há uma forte tendência global a relativizar tudo. Essa “atitude” colabora de maneira plena com as tragédias naturais que a maioria das pessoas considera apenas isso: tragédia natural. É preciso isentar o homem industrial de qualquer culpa em defesa da propaganda “fashion” na televisão. Gente sempre sorridente e cheia de energia a incentivar o consumo degradante. O teatro da arrogância, enquanto lixo químico e derivado se acumula nos oceanos. Qualquer PowerPoint no e-mail mostra aquilo que as televisões e a equipe de Jacques Costeau não mostram. O compromisso dos meios de comunicação de massa é e sempre será com a falsa perfeição. O golfinho Flipper sempre se safa no seriado.
O fim do mundo seria uma forma de redenção e vingança ecológica autolimpante, mas enquanto ele não chega naturalmente, o homem civilizado vai cuidando de torná-lo insuportável e inabitável para qualquer descendência. Um detalhe: não há “espaço” na lua para todos, mas a propaganda na televisão é eufórica e otimista. Não há de faltar imobiliárias vendendo o metro quadrado por lá.
Só uma consciência verde pode modificar um meio ambiente cinza. Pena que a realidade não vive de frases coloridas.