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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

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O Céu Num Parquinho de Areia

Que faixa etária você escolheria para compor a maior parte da sua igreja? Crianças, jovens, adultos ou idosos? Imagine uma igreja abarrotada de jovens, cheia de vigor e beleza. Mas jovens ganham pouco, dizimam menos ainda e bagunçam demais. Talvez uma igreja com anciãos se tornasse uma referência em sabedoria e tranqüilidade. Menos barulho, menos agitação... Entretanto, menos dinamismo e velórios mais freqüentes. Só mulheres? Só homens? Cristo responderia: Só crianças!

De fato foi o que ele respondeu quando perguntado pelos discípulos sobre quem era o maior no Reino dos Céus. O quê os discípulos, de fato, queriam saber era quem era o melhor entre eles. Ou seja, quem era o preferido, o queridinho de Jesus. Certamente também estava em seus pensamentos a preocupação com as posições que cada um deles ocuparia num futuro próximo quando Jesus estabeleceria seu reino glorioso.

Jesus estava numa casa em Cafarnaum, provavelmente na residência de Pedro, e chamou os doze à parte, tomou uma criança que perambulava por ali e colocou-a no centro: Aquele que se humilha tornando-se semelhante a esta criança, este é o maior.

Aquilo foi absolutamente chocante. A sociedade em que Cristo viveu era altamente discriminatória. Judeus discriminavam não judeus, homens discriminavam mulheres e todos juntos discriminavam crianças. E ainda hoje é assim. Crianças não contam. Para nós, adultos, a melhor igreja teria as virtudes que as crianças, em geral, não possuem. Crianças não ofertam, não oram, não evangelizam, não se comportam. Crianças não pregam, não ocupam cargos, não tocam no louvor. Crianças tocam o horror. São irriquietas, desorganizadas, desligadas, atentadas. E, quer saber? Elas pouco se importam com o que acontece no culto. Elas não o entendem.

Para Jesus, no entanto, há uma palavra que define bem o que ele pensa sobre crianças: modelo. Jesus disse que nós devemos nos converter e nos tornarmos como crianças. Esse modelo mirim do que um cristão deveria ser possui as principais virtudes que uma igreja deveria ter.

O maior é... a criança.
O maior é o mais insignificante.
O maior é o mais dependente, como a criança.
O maior é o menor, como a criança.
O maior é o sem patrimônio, o sem recursos.
O maior é o mais fraco.
O maior é o menos vingativo, o menos rancoroso, o menos orgulhoso.
O maior é o mais prestativo, mais solicito.
O maior é aquele, que à semelhança das crianças, não faz questão de ‘por favores’ e ‘obrigados’. Que, à semelhança da criança, identifica-se rapidamente com seus iguais, sem fazer acepção de cor, raça ou gênero. Que, como criança, fala o que pensa.
O maior é o que se contenta com pouco. O que usa a criatividade para transformar a realidade.
O maior é o que chora fácil, ri fácil. É o que se irrita fácil, mas também se ‘des irrita’ de igual maneira.

 A exaltação da criança feita por Jesus fornece à igreja a melhor referência de comportamento e conduta cristã. Não é um modelo perfeito. Mas é um modelo acessível a todos, disponível em qualquer tempo, cultura e lugar.

Ser o maior está ao alcance de qualquer um. O primeiro passo é encolher, dispor-se a olhar para baixo e imitar os pequeninos em tudo aquilo em que eles são exemplo. Afinal, como o Reino de Deus à elas pertence, talvez (apenas talvez) o Céu onde vamos morar se assemelhe mais a um grande parque de diversões repleto de seus pequenos habitantes.

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