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A arte da escrita
Li muitas teses sobre o futuro da literatura impressa nos tempos virtuais. O prognóstico apontava para uma revolução mundial, onde os textos rápidos utilizados na rede acabariam por liquidar os antigos volumes convencionais. Felizmente, o que descobri navegando pela rede, me motivou a continuar com meu sonho de ver meus livros impressos em livrarias! Sinto que o interesse pela literatura está em processo de expansão.
Estou cada vez mais impressionada com a quantidade de novos títulos que vejo expostos nas vitrines toda vez que vou a uma livraria. E estou entusiasmada com a quantidade de sites e blogs dedicados ao ofício da escrita.
É claro que haverá sempre exceções às regras, mas de modo geral, tenho encontrado textos interessantíssimos de novos autores que estão expondo seu trabalho na rede. Está se formando uma nova comunidade intelectual de jovens talentos que tem algo em comum: a conexão virtual.
Este próprio "Gosto de Ler" é prova de que a literatura está viva na internet. Acredito que o ofício de escritor é um trabalho árduo e apaixonante. Engana-se quem pensa que a dedicação à escrita possa limitar-se aos finais de semana, como ocorre em alguns esportes. O verdadeiro escritor, aquele que escreve por paixão, sabe que grande parte do seu tempo é manipulado pelas ideias contínuas que lhe invadem o pensamento. Para colocar isso tudo em ordem, precisamos de tempo e um pouco de solidão.
Antes de ser um verdadeiro escritor, é necessário que sejamos excelentes leitores. E em uma época de extrema liberdade de expressão, nada mais normal do que a vontade de contar sua própria história. O escritor fala, põe para fora tudo o que lhe alcança o sentido. E, da mesma forma, o escritor lê e se interessa por todas as ideias que estão fervilhando ao seu redor. Antes de mais nada, o escritor procura um mundo novo. É por isso que ele escreve. E é também por esta razão que ele está sempre aberto a conhecer pessoas que compartilhem deste mesmo ideal. O escritor inspira o leitor e vice-versa.
Portanto, se você acredita num mundo com novas regras, com imensas possibilidades, onde não haja erros e acertos, mas buscas e encontros; você traz em si o potencial para desenvolver teorias e compartilhá-las com a nova nação de jovens intelectos.
O escritor não pode carregar preconceitos, não pode ter medo de expor idéias extravagantes (e até mesmo mórbidas) e, principalmente, não pode ser vulnerável à crítica de sua obra. A crítica é inevitável, mas o prazer de trazer à tona toda a impressão que em você se acumula é maior do que o ranço insensível dos julgadores de plantão.
O escritor verdadeiro crê no que conta; pois suas histórias revelam sua percepção secreta da vida. |