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Pedro Cardoso

[ Pedro Cardoso ]
É crítico contumaz da inércia da sociedade brasileira nas várias questões de cidadania, especialmente com relação à morosidade vergonhosa das Justiças brasileiras.

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Novas velhas promessas

Quase à unanimidade das pessoas faz promessas nos últimos dias do ano de que no próximo tudo será diferente. A perda de peso, a mudança do hábito de se alimentar, a diminuição das brigas no lar são as principais. Na mesma proporção, todos têm consciência de que não cumprirão nada. Por ser ano de eleição, assim como os cidadãos, os pretensos candidatos aos cargos eletivos prometerão tudo em 2010. Difere das pessoas, porque estas só prejudicam a si, enquanto os políticos prejudicam a todos, por formar um modo de agir de promessas sem cumprimento das propostas concretas, como eles costumam dizer.

Além desse agravamento, os candidatos serão os mesmos que já fizeram as mesmas promessas na década passada inteira, na anterior, e muitos, há mais de 50 anos. Sarney seria um exemplo. Com a maior insensatez, ainda dirão que fizeram como nunca antes neste país, cujo Maranhão etíope de Sarney também ilustra o resultado de boas gestões administrativas. Com o cinismo peculiar e dominante, afirmarão que o brasileiro é precipitado. Talvez tenham razão.

Confirmam essa precipitação as cobranças injustas por maior segurança. Afinal, num ano só terão sido assassinadas umas quarenta mil pessoas. De inusitado, meros casos isolados, como sempre são citados, apenas um helicóptero da tropa de elite da polícia estadual abatido no Rio de Janeiro; algumas centenas de ônibus incendiados no país afora; duas crianças devolvidas pelo Estado para serem assassinadas, esquartejadas e jogadas no lixo pelos pai e madrasta; policiais, que ao invés de prestarem socorro a uma pessoa agonizando, roubam os latrocidas. Parcos exemplos de uma vastidão de fatos. Além de ser recente essa onda de violência. Está neste patamar e subindo ininterruptamente somente há umas quatro décadas. Com o fechamento, pelos responsáveis, de frases novas como “a segurança foi reforçada”, “tem um projeto para aumentar o contingente”, “os responsáveis serão punidos”, mesmo com as estatísticas nos 2% de casos apurados, e a polícia “está fazendo um mapeamento dos pontos críticos”. A cereja seria “trata-se de reação dos bandidos às ações duras deste governo”. Parcas frases de uma vastidão de cantilenas destiladas.

Outros apressados brasileiros serão alertados das injustas cobranças por medidas de combate a enchentes. Pois é a área em que os governos mais investiram, dirá cada um. Embora a contagem dos mortos arrastados pelas enchentes seja a única medida certa nos noticiários. Poderia ser escrito um livro com situações similares.

Só para não deixar de lado, o analfabetismo, a colcha de retalho que são as estradas, a qualidade do ensino, o acervo atualizado das bibliotecas, são todos problemas novos, cuja cobrança é uma das maiores injustiças.

Todos os candidatos com expressões fortes, contundentes e instintos primitivos como o de Collor querendo comer vivo o senador Pedro Simon, a dizer tudo que fizeram e a repetir a frase, mesmo com sinônimos, de que realizaram como nunca antes neste país. Nas mesmas formas e modelos, os clichês encherão a paciência de todos. Sem fazerem nada para prepará-lo, culparão o brasileiro por não saber votar, argumento principal para eternizar a obrigatoriedade do voto. Sem mudar uma vírgula, com punho cerrado, virão as novas velhas promessas. É só aguardar.

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