O brasileiro precisa ser otimista com o país. Não um otimismo bobo, sem sentido; mas uma esperança ao olhar o seu próprio passado. O Brasil não tem 510 anos e sim, 201. A república brasileira tem exatos 100 anos de atraso. E a democracia, apenas 20 de nova vida. Os políticos sempre foram o câncer da nação, mas, mesmo assim, o Brasil se desenvolve.
Do ‘achamento do Brasil’, em 1500, à chegada da família Real Portuguesa, em 1808, o país viveu 308 anos de pura exploração colonial e nenhum avanço. A vinda da corte de D. João VI é a nossa verdadeira fundação, a primeira tentativa de estruturar uma nação. Após este episódio, o Brasil conquistou sua independência e passou por dois impérios apenas para manter as regalias da coroa, com um incipiente desenvolvimento econômico.
Do ‘acordo de cavalheiros’ na Proclamação da República (15/11/1889) à posse de Fernando Collor de Melo (15/03/1990), primeiro presidente eleito em que toda a população teve direito ao voto, foi um século perdido. Neste período, o país viveu duas ditaduras cruéis, uma República Velha conservadora de alguns privilégios, governos de transição política para consertar erros do passado e um período ‘democrático’ marcado por grandes fraudes e mentiras (Vargas, JK, Jânio e Jango).
O governo José Sarney foi um retumbante desastre social e econômico para o Brasil, um dos piores da história, mas deixou uma grande herança: a reconstrução da democracia, o primeiro passo de um novo rumo para o país. A simbologia da posse de um presidente eleito por todo o povo merecia um personagem com o mínimo de dignidade, mas, infelizmente, este foi Collor.
Nos anos 90 e na primeira década deste século, o Brasil construiu uma nova economia. Não é mais o país somente do café, da inflação, da mortalidade infantil e do atraso. Agora, é economicamente viável, com grandes possibilidades de crescimento e reconhecimento internacional. Na América Latina, ao lado do Chile, é a única democracia plena com estabilidade econômica e crescente desenvolvimento social.
O grande mal do Brasil ainda é a corrupção. O sistema político está totalmente corrompido, após séculos instabilidade no poder e falta de democracia. Porém, o estouro de tantos escândalos não é tão negativo para o país, tem um lado bastante positivo. Corrupção sempre existiu, mas antes ficava entre quatro paredes de escritórios.
É difícil manter esperança na política ao vermos canalhas como o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Além de picareta, é um grande cara de pau que não quer largar o cargo. Ele não foi o primeiro e nem será o último político corrupto; e também não é exceção, é quase regra. Mas ele foi eleito pelo povo e este é quem pode tirá-lo do poder. Agora o Brasil é uma democracia plena e os ‘Arrudas’ da vida pode ter sobrevivência curta na política; desde que os eleitores tomem consciência.
Em apenas 20 anos, o Brasil construiu uma nova democracia e reorganizou um gigantesco caos econômico. Nas próximas décadas, o país precisa investir é na Educação. Infelizmente, a maioria do povo brasileiro é atrasada. São cerca de 50 milhões de analfabetos ou analfabetos funcionais. Reflexo, mais uma vez, da sua própria história, que ainda pode ser reescrita.
Apesar de todo o atraso que o Brasil viveu em sua jovem trajetória, apesar dos políticos, apesar do sistema corrupto; o brasileiro precisa deixar a ‘síndrome de vira-lata’ de lado. Precisa acreditar que estamos numa grande nação que se desenvolve dentro de suas próprias contradições e dificuldades. É só olhar para o nosso passado para ver que o Brasil avança, apesar da sua conturbada história política.