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Você está em Terceira Idade
 
Jorge Azevedo

[ Jorge Azevedo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Paisagista, Decorador, Professor e Poeta

 

A idade certa para amar

A idade do tricô. Existe mesmo esta idade? Ou é invenção de filhos desprovidos do sentimento filial? Idade do crochê.

Santinha mora em Penedo, cidade histórica do estado de Alagoas. Professora formada em Maceió. Aposentada, viúva. 62 anos. Toda manhã caminha dois quilometros vendo o velho Chico ir e vir. Entra no mercado, toma um copo de mingau de puba. Proseia com um, com outro. Chega em casa antes das sete, toma banho, se perfuma com água de colonia, penteia os cabelos, com muitos fios prateados e cobre o corpo, manequim 42, com uma calça jeans, camiseta regata, justinha, desenhando as formas dos seios sem sutiã.

Santinha está viva. Tem saúde e a beleza de seu rosto, a forma delicada e sensual de seu corpo atrai olhares e desperta a cobiça de nativos e passeantes. Santinha gosta de se sentir mimada, admirada, objeto de suspiros e atenção, mas ela não pode. Não pode se sentir mulher, pois, já não tem idade para ser cortejada, pelo menos na cabeça de seus filhos. Ele, dentista em São Miguel dos Campos. Casado, pai de duas meninas lindas, olhos amendoados, quase verdes; cabelos anelados, castanhos, quase louros. A filha, a mais velha, mora em Penedo. Casada com funcionário do Banco do Brasil, possui uma lojinha de artesanato. Vende ceramicas produzidas pelos artesãos local. Tem tres filhos. O mais velho completou 8 anos recentemente. O caçula fará na próxima semana 4 anos. Santinha curte e muito os netos. O outro filho está em São Paulo. Foi no ano passado terminar o curso de Engenharia Mecanica. Provavelmente ficará por lá. Por lá casará, terá filhos e só virá a Penedo, passear numa ou noutra férias.

Assim é a vida de Santinha. Mulher bonita e desejada, mas ela não pode. Para os filhos não tem mais idade de namorar, sentir desejos. Está velha. Mas, quando os filhos qurem sair pelo mundo... Santinha não está velha e nem cansada para ficar com os netos. Chegam os filhos, e deixam com a avó, os filhos. Santinha até gosta, mas na semana passada ela não aguentou. Conheceu um rapaz 20 anos mais jovem que ela. Foi no bar de Chico Soares. Ela estava em casa. A noite quente convidava para um suco. Colocou um short decente, quase cobrindo os joelhos, enrolou os cabelos, com um lenço de seda estampada com motivos grisailes, perfumou-se com água de colonia, cobriu-se com uma blusa tomara que caia e saíu. Sentou na murada, tendo o veho Chico correndo lá embaixo. Pediu um suco... o rapaz não tirava os olhos dela. Começaram a conversar. Ele falando de Jabaquara, cidade do interior paulista, técnico em informática, estava na cidade para instalar o sistema de informatização do grande hotel. Divorciado, pai de dois filhos ainda adolescentes.

Ficaram ali. Ela com o suco de tamarindo e ele com suas cervejas. Ficaram ali até pouco mais da meia noite. Ele acompanhou-a até sua porta e se prometeram sucos e cervejas para a noite seguinte. E outras noites, outros dias. Um dia sua filha chegou de manhã cedo, sem avisar e encontrou o rapaz sem camisa, de bermuda e descalço tomando café na sala.

Horror! Como podia sua mãe se dar ao desfrute de ter um amante? Logo ela, uma mulher de 62 anos? Avó? Horrorizada a filha se trancou no quarto, pegou o telefone e ligou para os irmãos. O filho dentista deixou o consultório em São Miguel dos Campos e chegou em Penedo logo depois do meio dia.

Como pode? Sua mãe com amante. Logo ela, uma senhora respeitável, avó de tantos netos. Que exemplo estava dando para a sociedade? E seus alunos? Como pode fazer isso? Como pode.

O outro filho ligou de São Paulo horrorizado. Sua mãe não podia estar tendo um caso. Não ela. Uma senhora com 62 anos. A cidade estava em reboliço. O pobre amante quase expulso da cidade, amendrontado pelas ameaças e avisos correu para o outro lado do rio abandonando os computadores do hotel.

A cidade estava dividida. Para uns Santinha havia cometido um pecado mortal, logo ela, professora afamada, uma senhora avó de 62 anos. Para outros, ela estava certa. Era viúva, tinha criado os filhos sozinha, era forte, alegre, bonita, cortejada por todos os homens que visitavam Penedo. Para os filhos ela não podia. Era mãe, além de ser mãe era avó e além de ser avó já tinha 62 anos.

Santinha bateu pé. Era dona de sua vida. Aposentada, dona de seu nariz. Bateu pé. Mandou chamar Julio Cesar no outro lado do rio. Mandou trazer suas malas e ferramentas. Os filhos estupefatos, horrorizados falavam em internação. Entrariam na justiça, colocariam o tarado na cadeia. Santinha firme. Nunca mais seria babá para os netos e nem seria dominada pelos filhos. Queria viver, estava viva. Queria amar e se quebrasse a cara, a cara era dela.

Os filhos discutiam. Gritavam. Não deixaria o amante descarado passar por aquela porta, mesmo depois que Julio Cesar entrou, acanhado ainda pela recepção. Viu as malas na sala, as ferramentas, os filhos com ódio explodindo em cada olho. Santinha recebeu-o, beijou-o nos lábios. Pegou cada um dos filhos pelo braço e expulsou-os de sua casa. Pegou cada um dos netos pelos braços e expulsou-os de sua casa. Expulsou parentes e vizinhos, amigos e desconhecidos. Fechou a porta, se atirou nos braços de Julio Cesar e nem parecia a professora de 62 anos, mas a mulher apaixonada e para uma mulher apaixonada como Santinha, idade é apenas um detalhe sem importancia.





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