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Você está em Política

Thiago Maia

[ Thiago Maia ]
Economista, apaixonado por literatura e esportes de aventura.

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A taxa de câmbio em 2009, o que esperar para 2010?

Em 2009 a taxa de câmbio foi novamente uma das variáveis econômicas que mais chamou a atenção no cenário macroeconômico e do mercado financeiro brasileiro. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o preço médio da moeda brasileira ao longo de 2009 girou em torno de R$1,94 – com máximas de R$2,40 e mínimas em R$1,70 – demonstrando a importância dessa variável como um indicador macroeconômico, estimado em termos de volatilidade cambial.Em resposta a sobrevalorização do real desse ano, o governo brasileiro decidiu estabelecer a cobrança do IOF a uma alíquota de 2%, para conter o ingresso de investimentos estrangeiros em carteira, renda fixa e renda variável.

Apesar da baixa efetividade das medidas adotadas, a observação desse contexto faz relembrar que ao longo dessa década, a alta do real foi comprimida somente em períodos de graves instabilidades e baixas expectativas: como no caso dos ataques especulativos, em 98/99, na ocasião da eleição presidencial, em 2002, e pela fuga de capitais, em virtude da crise financeira mundial, em outubro de 2008. Ocorrendo em 2009 o retorno do câmbio a um patamar de alta, principalmente devido ao Brasil ter se tornado o destino preferido do capital de curto prazo, após o restabelecimento de parte da confiança dos mercados frente à crise financeira internacional. No circuito mundial, ainda sob os efeitos da desconfiança que afetam as economias dos países desenvolvidos, identificou-se também a valorização de outras moedas consideradas “fracas” – um fenômeno que indica a desvalorização que sofre o dólar norte-americano, que segue embalado negativamente por conta do ciclo de desaquecimento que passa sua grande economia.

Nota-se, portanto, que o contexto econômico global acaba por reforçar o dilema da sobrevalorização cambial no Brasil, que ocorre seja pela desvalorização da moeda norte-americana, quer seja pela existência de um baixo risco-país, que preserva a atratividade de capitais externos e a alta da moeda brasileira dada às perspectivas de solidez das instituições políticas e econômicas no longo prazo. Em um ambiente como esse, cabe então questionar, o que esperar para a moeda brasileira em 2010? Quais são as influências da taxa câmbio que relegam a essa taxa uma importância significativa para a saúde macroeconômica da economia do Brasil?

As respostas as questões sugeridas iniciam-se pelo entendimento da função da taxa de câmbio na economia. O câmbio no Brasil representa o preço da moeda estrangeira em valores de moeda nacional, sua função está ligada ao comercio de serviços e produtos entre os países. A ocorrência do comércio, no entanto está atrelada a dinâmica da escassez de moedas para transações, fazendo com que a moeda que é aceita globalmente, no caso o dólar, tenha a formação de seu preço definida no mercado por meio do balizamento entre a demanda e oferta de moeda dos agentes. Assim, sob uma condição de alta demanda por moeda local e baixa escassez de moeda internacional, ocorre uma valorização da moeda doméstica (taxa de câmbio) que altera o poder de compra da economia. Ao passo que com a aceleração das importações ocorrerá um desequilíbrio nas contas externas do país (débito x crédito), daí surgindo à influência e a importância da taxa de câmbio sobre a saúde macroeconômica atual da economia brasileira.

Devido aos gastos de incentivo realizados pelo governo em 2009, somando-se aos déficits de importações do período, avalia-se que o desequilíbrio macroeconômico será um dos principais desafios para a economia brasileira em 2010. Apesar disso, tendo em vista as expectativas do mercado para o Brasil no próximo ano – levando em conta as estimativas de investimento para os eventos previstos para 2014 (copa do mundo) e 2016 (olimpíadas) – poderá haver no ano seguinte um aumento significativo da captação de recursos externos. A perspectiva, portanto, é que o déficit seja neutralizado e com isso a taxa de câmbio brasileira sofra grande pressão para se manter elevada, tanto devido ao ingresso de capitais novos para dinamizar o financiamento de obras de infra-estrutura quanto pela confiança dos mercados em navegar no mar azul da economia brasileira, que atualmente sopra bons ares para 2010.

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