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Você está em Política

Claudio Ferreira

[ Claudio Ferreira ]
Repórter. Jornalista esportivo. Assessor de Imprensa.

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Hora de pensar em projetos para o Brasil e não apenas em nomes

Você vota somente no candidato ou também no partido? Provavelmente, deve ter respondido que escolhe só a pessoa. E é um pensamento equivocado. Muitos eleitores ainda não entenderam a importância de uma legenda. Algo que acontece não apenas pela personificação que os concorrentes gostam de impor, mas muito pela ainda falta de identidade dos partidos políticos brasileiros.

Na construção de uma verdadeira democracia, os partidos políticos são fundamentais e estão acima dos candidatos individualmente. Votar num partido é acreditar num pensamento, num projeto para a sociedade. Enquanto eleger apenas um nome é criar uma expectativa demasiada em alguém que tem poderes limitados, principalmente em cargos do executivo.

No Brasil, para o bem da democracia, cada político tem um campo de atuação restrito. O que faz um governo ser eficiente é a capacidade dos líderes afinarem a sempre desorganizada orquestra da política brasileira. E serão as legendas que definirão o tom a ser tocado por essa banda (ou bando).

O eleitor deveria escolher primeiro o partido e depois o candidato. Porém, a escolha precisa ser feita com uma grande frieza consciente. Ter uma legenda de preferência não é como torcer por um time de futebol, pois a política não é tão simples assim. É extremamente nocivo para a democracia cair no fácil discurso de que tudo que um faz é bom; e o outro ‘rival’, ruim. O quesito ‘paixão’ por um determinado partido é nocivo para a política.

É bom lembrar também que nas eleições para os cargos do legislativo (deputados, vereadores e senadores), a divisão das cadeiras é feita de acordo com a votação que as coligações partidárias tiveram e somente depois os cargos são distribuídos para os eleitos. Então, quando você vota no candidato à parlamentar, na verdade está votando no partido.

O grande problema é a falta identidade da maioria das agremiações políticas brasileiras e, assim, algumas práticas arcaicas ainda prevalecem. Para que um governo caminhe, o chefe do executivo (presidente, governador ou prefeito) é praticamente ‘obrigado’ a fazer alianças fisiológicas para que os projetos sejam aprovados pelo legislativo.

Barganhas de cargos e um festival de emendas parlamentares foram práticas comuns nos dois mandatos de Fernando Henrique e Lula, por exemplo. Estes presidentes tomaram essa atitude exatamente porque os partidos brasileiros, em sua maioria, ainda não têm um pensamento comum para o país; funcionam na prática apenas como balcões de empregos e verbas. Pouco adianta tentar argumentar com os líderes partidários sobre a importância de determinados projetos, o que importa mesmo é a permuta que vai ser feita.

O Brasil precisa urgentemente é de uma grande reforma política. Não é ruim ter tantos partidos políticos; o que é negativo são as agremiações de aluguel, sem projeto ou ideologia, as que existem apenas para trocas de favores e cargos. Os critérios para a existência de algumas legendas e a relação legislativo/executivo precisam ser logo discutidos.

Apesar de prevalecer interesses próprios, os partidos políticos, bem aos poucos, estão construindo uma identidade. O Brasil é uma democracia muito jovem (apenas 20 anos) e as legendas ainda precisam de um tempo para amadurecer. Os principais partidos brasileiros não têm mais que 30 anos; enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, o Republicano e o Democrático têm mais de 150 - tempo suficiente para construir uma identidade ideológica.

Para as eleições deste ano está na hora de discutir projetos para o Brasil e não tanto os nomes. O importante não é saber se Dilma Rousseff, José Serra, Marina Silva, Heloísa Helena ou Zé Maria são os melhores nomes para o país, mas o plano que eles, e seus respectivos grupos políticos, têm para o Brasil. E também ter a consciência que o (a) próximo (a) presidente da República irá governar o país junto com deputados, senadores, governadores, prefeitos, vereadores e seus respectivos partidos.

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