O Brasil assistiu estarrecido as cenas de corrupção e apropriação de dinheiro público na capital federal, Brasília. Revistas, jornais, blogs, sites, todos os meios de informação permitiram que os brasileiros e brasilienses pudessem ver, ou melhor, assistir, o que se faz com o dinheiro que pagamos com o nome de impostos e outras cifras advindas de gente trabalhadora e honesta. Dinheiro nas meias e cuecas, cenas que já não nos eram estranhas, voltaram à cena bem como o ato de rechear bolsas e bolsos. Escutou-se até que se houvesse mala o dinheiro não seria colocado nesses estranhos envoltórios do corpo humano.
Não poderia haver mais nada que nos fizesse ficar de queixo caído diante das telas e das folhas impressas. Então, houve a invasão no plenário e a violência contra estudantes e cidadãos que queriam o "impeachment" dos culpados. Entretanto, nossa experiência no assunto já nos conduzia ao velho clichê de que tudo ia acabar em pizza.
Hoje já temos certeza que o processo de cassação contra o governador Arruda e os outros beneficiados no escandaloso golpe dado nos brasileiros tem mesmo tendência a dar em nada já que quem vai julgar as ações é partidário do governador processado e tem, de certa forma, alguma pendência (hic) com ele. Isso estarreceu um pouco mais nossa doída alma de brasileiros. E assim cremos que esse capítulo se encerrava.
Sintam inveja desse governador, gramáticos e escritores que bem sabem usar as figuras de retória e de pensamento. A ironia usada por Arruda em entrevista dada aos jornais e à TV deixou todo mundo com cara de bobo. Com a frieza necessária de um assassino ou de um louco, ele se mostra arrependido pelas ações cometidas por aqueles em quem ele tinha confiança. Disse que o vimos nós não vimos, que tudo era ilusão. E pasmem os mais céticos: também afirmou que perdoava a todos que o ofenderam, que denegriram o seu nome, que o agrediram e que acreditaram que ele era capaz de tão engenhosa atitude de corrupção. Deixamos de julgar e passamos a ser julgados. Em vez de apontar os erros, fomos apontados como pessoas que não sabem avaliar o que é mostrado claramente nos meios midiáticos. E num gesto de complacência e beatitude, fomos perdoados pelos nossos erros, principalmente por aquele de ver o errado, o alienígena. Só faltou ouvir as palavras angélicas de Jesus saindo da boca mais angelical ainda do Arruda: "Pai, perdoai-lhes que eles não sabem o que fazem".
Bem, será mesmo que sabemos o que fazemos quando votamos nos mesmos nomes já tão maculados em sua trilha política? Perdoai-nos, Pai...