Grupos de trabalho podem se tornar verdadeiros monstros a nos devorar, digerindo parte a parte de nossas afeições íntimas. Certas pessoas queixam-se de preconceitos e de perseguição por parte dos grupos dos quais, por contingência da vida, venham a participar. Entendo que cada caso possua nuances várias, cuja análise em particular possa diferenciá-los evitando o pecado da generalização vã. No entanto, em nossa vida profissional, constatei que geralmente os grupos, quando construídos sobre uma base de intenções sólidas, pautando pela aplicação ao trabalho, somente rejeitam aqueles que não se afinam às suas disposições.
Grupos tornam-se quase que entes vivos, adquirindo um mecanismo natural de repulsa ¨contra¨ aqueles que não se ¨enquadram¨. Destaque-se que nos referimos aos grupos ¨sadios¨ cujas pessoas se aplicam na realização de uma atividade profissional de justo valor e de efetiva contribuição social.
Consegui, no curso de minha existência, inserir-me em grupos com essa finalidade, de forma que me considero venturoso. Durante esse trajeto, tive que entender e procurar a aceitação do grupo, ou da maioria de seus elementos, como um processo natural de ajuste. O corpo físico costuma rejeitar implantes de órgãos, exigindo-se para isso uma afinidade que possa ser reforçada por complicada miscelânea química. Nos organismo grupal, a rejeição também acontece, entretanto, a aceitação passa a se quase imediata quando o novo integrante mostra disposição ímpar em servir e colabora com os pontos que sejam objeto de consenso. Torna-se feliz aquele que aprende a ¨ler¨ os ¨Códigos Invisíveis¨ do grupo e sábio aquele que os segue.
À medida que o grupo nos aceita, cresce a influência pessoal e, a partir dessa, surge a possibilidade de liderar e até de modificar disposições há muito estabelecidas, desde que as transformações tragam benefícios aos membros e à tarefa em execução.
Elementos que não se adaptam aos grupos positivos, no que pudemos observar, geralmente são aqueles que não se prestam a colaborar com o progresso geral ou que possuem hábitos e defeitos corrosivos que se tornam incômodos ou perniciosos.
Caso esteja tendo problemas com seu grupo de trabalho, avalie o foco do mesmo. Caso seja um grupo positivo, trabalhador e digno, infelizmente, o provável equívoco encontra-se em sua conduta íntima. Mudar é preciso para a construção das chamadas pontes de entendimento, que se tornam um dos conteúdos da complexa gama de elementos que compõem o que se pode chamar de felicidade. Antes de criticar um grupo, avaliemos se nossas condutas íntimas prestam-se ao benefício geral e se não estamos sendo por demais individualistas procurando obter vantagens nas mínimas coisas, roubando o tempo daqueles que nos ladeiam, sendo que em verdade estamos nos iludindo e roubando a dignidade de nós mesmos. O grupo percebe com acurada precisão tais manobras e não é brando ou pacífico na punição. Chocar seus interesses com os de um grupo sério é o mesmo que correr de peito aberto contra uma carreta descendo uma ladeira a 130 por hora: o resultado é previsível...