Romperam-se os elos da corrente da irmandade que fortaleciam a solidariedade humana, que uniam todos pela piedade cristã e que tão fortemente ligavam os povos em um mundo bem diferente do que se vive hoje em dia.
Os laços de ternura que em tempos memoráveis eram tão presentes na vida de tanta gente se desataram e servem atualmente senão de forca para sufocar o ideário da comunhão do bem e dos bons princípios morais. Por isso o egoísmo, a usura, o materialismo exacerbado e a falta de compaixão prevalecem em detrimento do amor; enfim se criou o Reino do Vil Metal que só faz debilitar o lado espiritual.
A humanidade se robotizou e o amor se vulgarizou nas ondas cibernéticas da tecnologia da ilusão. Diante de tudo que ora martiriza o ser humano, deixando cicatrizes profundas no cerne da alma e deletando o amor lá nas entranhas do coração, isso só faz sucumbir o sentimento fraternal mais íntimo que integra a força da confraria dos certos nas horas incertas.
No meio de tantas coisas mundanas que norteiam o caminho tortuoso para a destruição da humanidade; resta, senão, a busca de alguém que tenha a sensação do grande mistério da vida tão bem dito nas pregações do Nosso Senhor. Há mister que haja na terra a restauração do verdadeiro amor que hoje anda tão esquecido.
Não precisa nessa busca que esse alguém seja perfeito, pois só Deus é perfeito! Basta que seja humano e que tenha sentimentos e regozijo na alma; basta que tenha mãos limpas e traga no peito um coração generoso. Apenas precisa saber falar e calar na hora certa e, sobretudo, saber ouvir. É bom que goste de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, de luz, do canto dos ventos e das canções da brisa. Convém que tenha amor, um grande amor por alguém, ou então sentir a falta que isso lhe faz. Deve amar o próximo como a si mesmo e respeitar a dor que outros sentem. Não é preciso que seja o único, nem é imprescindível que seja o último. Pode até já ter sido enganado, pois isso só acontece a quem confia. Nem é preciso que seja puro e nem que seja de todo impuro; mas não deve ser vulgar! Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim ser, deve sentir o vácuo que isso traz. Tem que ter ressonância humana e o seu propósito deve ser o da amizade. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam viver a infância.
Nessa busca por gente que goste dos mesmos gostos, que se comova quando chamado pelo nome, que saiba conversar de coisas simples, de orvalho, de chuva; enfim, da natureza e das recordações de infância, que saiba cultuar, sobretudo, a fidelidade e queira respeitar as diferenças que a gente traz, pode-se sim reconstruir um mundo de Paz e de Glória sem os males que maculam a honra e inoculam o veneno da desgraça que aflige a humanidade. Isso pode até vir a ser utópico para o materialista, mas para o espiritualista isso é decerto a benção de Deus entre os homens!
Ab imo pectore!