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Você está em Política

Claudio Ferreira

[ Claudio Ferreira ]
Repórter. Jornalista esportivo. Assessor de Imprensa.

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Aos poucos, partidos políticos constroem uma identidade ideológica

Em todos os países onde a democracia foi implantada, a construção de partidos políticos com ideologias claras precisou de muito tempo para amadurecer. E na jovem democracia brasileira, com apenas 20 anos, aos poucos, bem aos poucos, as legendas vão construindo uma identidade.

Ao contrário do que pode parecer numa análise superficial, os partidos brasileiros não são todos iguais. É o caso do PT e do PSDB, que governam de forma diferentes. São as duas agremiações políticas brasileiras que mais avançam, não apenas nos cargos eleitos, mas na construção de uma identidade política.

No país, nos estados e nos município; os governos do PT se caracterizaram por uma presença forte do Estado na economia com programas sociais e aumento dos investimentos públicos em diversos setores. Sempre que assumiu um governo, o partido da estrela vermelha expandiu os benefícios sociais e fechou mais a economia para empresas estrangeiras. De forma sutil, mas foi uma mudança clara. E não há nada de esquerdismo, pelo contrário, é capitalismo.

Por outro lado, também aumentaram os gastos públicos com cargos e a criação de algumas empresas estatais, ou pelo menos a intenção de fundar. Por exemplo, se o PT continuar no Governo Federal, é certo o surgimento da ‘PetroSal’ e aumento nos investimentos na Petrobrás, Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil.

Já o governo do PSDB tem uma característica mais claramente de economia neoliberal. Não apenas durante o período que administrou o país, mas também nos estados e municípios, o partido abriu as portas para investimentos estrangeiros e privados. Não interveio tanto na economia quanto o PT e promoveu a privatizações de quase todas as empresas públicas.

Sem qualquer patriotismo desembestado, a privatização da economia é uma bandeira do PSDB. Se os tucanos voltarem ao comando do Governo Federal, muitos caciques da legenda vão pressionar para a venda das três grandes estatais brasileiras. O partido, de forma geral, acredita que uma empresa privada é muito mais eficiente em relação à pública.

Os gastos públicos com cargos também foram acima do aceitável, mas não tanto quanto o PT.  Os investimentos em programas sociais são grandes, porém não são bandeiras dos tucanos. A geração de empregos é quase um mantra do partido, embora nem sempre tenha alcançado o objetivo desejado.

Na contramão da tendência dos partidos de construir uma ideologia estão os ‘filhos da Arena’: Democratas (DEM) e Partido Progressista (PP). As duas legendas já mudaram de nome, bandeira, cores e continuam vivendo uma crise de identidade. São partidos onde a corrupção e jogo sujo da política são intrínsecos desde a sua fundação. O escândalo do mensalão do DEM-DF é um caso sintomático, pois mostra que não adianta colocar uma máscara de renovação se o partido continua dominado por famílias nefastas para a política brasileira (Maia, Bornhausen, Magalhães entre outras).

Mais triste ainda é o que acontece com o PMDB. Outrora foi o protagonista da reconstrução da democracia brasileira e quase todos os grandes políticos da história recente deste país estiveram nos quadros do partido. Hoje, a legenda é um gigantesco balaio de gatos de todas as cores e raças, onde o que prevalece são os acordos fisiológicos e a troca de cargos. Os poucos políticos respeitados que ainda se mantêm no partido são deixados de lado por não concordar com o jogo sujo que o PMDB se acostumou a participar.

Além destes quatro grandes, a política brasileira está formando um bloco de partidos de centro-esquerda. O PSB se alinha mais ao pensamento petista; o PPS, aos tucanos; o PDT levanta a bandeira da defesa dos direitos trabalhistas e da educação; e o PV, do desenvolvimento sustentável. São legendas menores, mas que também estão construindo uma identidade e se tornaram alternativas para alguns partidos que já mostram sinais de desgaste.

Na linha do ultra-radicalismo, o PSOL, PCO, PSTU e PCB seguem uma visão já bastante ultrapassada no mundo contemporâneo, mas tem ideologias claras. São nanicos que podem acabar extintos numa futura reforma política, mas mantêm uma fidelidade a um determinado pensamento que todas as legendas deveriam ter.

Qual das formas seria melhor para o país é outra discussão. Isso cabe a todos nós, eleitores, decidirmos. O importante mesmo é que há partidos que estão construindo, bem aos poucos, uma identidade e uma ideologia política. Claro que são legendas que ainda precisam amadurecer muito e têm grandes contradições internas, porém estão avançando e podem consolidar a jovem democracia brasileira.

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