A Venezuela, país da América do Sul com quase 28 milhões de habitantes, tem passado por momentos muito difíceis. Como se não bastassem a crise econômica e o racionamento de energia elétrica, o presidente Hugo Chávez segue tomando medidas que atentam contra a liberdade de expressão e contra os direitos humanos. Apesar das críticas de vários governos, como os do Chile e dos Estados Unidos, Chávez mantém uma política de ameaça à democracia latino-americana.
A última atitude do chefe de governo venezuelano levou ao fechamento de seis canais internacionais de televisão. Entre eles está a RCTV, emissora de grande popularidade por lá. Chávez afirma que os canais só voltarão a funcionar se transmitirem seus discursos oficiais. Em um país realmente democrático, fatos como esse não são normais. Nações comprometidas com a liberdade de expressão e de imprensa têm lugar para todos os meios de comunicação e por meio deles, a população sabe o que acontece na economia, na política, no esporte e na arte. O cidadão tem o direito de escolher que jornal lerá todas as manhãs e que noticiário quer ver à noite, depois do trabalho.
Regimes políticos construídos à base da imposição de idéias e da truculência de forças policiais são frágeis e podem ruir a qualquer momento. Mais cedo ou mais tarde, a população insegura diante de atos impopulares e até absolutistas, pode se revoltar e apostar em movimentos violentos. Afinal, manifestações pacíficas são esperadas em ambientes onde impera a liberdade.
O que reserva o futuro da Venezuela? Será a população capaz de enfrentar, pacífica e ordenadamente, um governo autoritário? É possível, mas o povo venezuelano precisará do apoio internacional, sobretudo dos outros países da América do Sul, como Chile e Brasil, onde a democracia se estabeleceu de maneira mais sólida.