gosto de ler
aaa
Nosso Portal | Quem Somos | O Sistema | Biblioteca | Cadastro | Contato | Login
Animais & Cia
Atualidades
Ciências e Tecnologia
Cidades
Coluna Social
Crônicas e Poesias
Educacao
Empresarial
Entretenimento
Esportes
História e Literatura
Humor
Informática
Internacional
Jovens
Justiça & Direito
Meio Ambiente
Pais e Filhos
Política
Religião Cristã
Religião Outras
Sexo
Terceira Idade
Turismo
Vida e Saúde
X Diversos
 

 

 

 
 
Você está em Crônicas e Poesias

Edilberto Santos

[ Edilberto Santos ]
Professor, poeta, contador de histórias.

ver curriculo completo

fonte

Uma noite de São João

Ele tomou do pão e deu graças. Fizera assim seu pai com a satis-fação e concordância de sua avó, quando esta morou em sua casa. De-pois, ela foi para o interior, viver de aposentada, onde enfim morreu. Só! – como morremos todos, mesmo quando em doida companhia. Seu pai não: morrera em dia de São João, quando as fogueiras ardiam, e as bra-sas tisnavam a cheiro de milho verde. A casa repleta, e a mesa posta. Naquele dia – da morte de seu pai –, eles não deram graças, quando cu-riosamente lhes parecera mais saboroso o milho. Antes, quando não mor-to, seu pai distribuía o pão, pelo que cada um de nós, seus filhos, tam-bém devíamos graças. Curioso fora esquecermos de dar graças a mesa, justamente quando da morte do pai, embora tenhamos comido quase como em homenagem a ele. E comemos. E que saboroso fora o milho, mesmo esquecido o “damos graças”.

Agora não. Ele tomou o pão e deu graças, como sempre fizera, desde a morte de seu pai, quando o milho fora excepcionalmente saboro-so, mesmo esquecidos de dar graças. Agradecido, repartira o pão entre seus filhos que – estes sim! – não davam graças, embora aguardassem sigilosamente a oração paterna. A mesa pouco farta, logo definiram a refeição. E ele em pressa, esquecido já da prece feita, vai ao banheiro, em cujo espelho concerta a gravata. Ali vislumbra certas rugas, que ou-trora vira em seu pai, e seu cabelo escasso. Em uma manhã nublada o vento uiva violento entre as cortinas.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------


:: Quero ( Crônicas e Poesias - Gilson Pontes )

:: As lágrimas falam ( Crônicas e Poesias - Osvaldo Heinze )

:: Socorro, Eu tenho Dívidas! ( Crônicas e Poesias - Jurandir Araguaia )

:: Mar verdejante ( Crônicas e Poesias - Gilson Pontes )

:: Corpo de mulher em pele, atração e cheiro ( Crônicas e Poesias - Roberto Villani )

:: Dentro da Caçamba ( Crônicas e Poesias - Anderson Siqueira )

:: O poder da democracia! ( Crônicas e Poesias - Marcio Neves )

:: O Cronista Minuto ( Crônicas e Poesias - Jurandir Araguaia )

:: O afeto virou amor ( Crônicas e Poesias - Elizabeth Costa )

:: Queria... ( Crônicas e Poesias - Marcio Neves )

:: No canto da sala: Uma outra hermenêutica do ser sendo ou me deixem quieto no meu canto ( Crônicas e Poesias - Nívia Vasconcellos )

:: Ampulheta ( Crônicas e Poesias - Abilio Machado )

:: O Amor ( Crônicas e Poesias - Camélia La Branca )

:: Queira - O desconhecido ( Crônicas e Poesias - Gizelle Saraiva )

:: Uma saliva misturada... ( Crônicas e Poesias - Abilio Machado )

:: Silêncio profundo... ( Crônicas e Poesias - Abilio Machado )

:: Liberdade ( Crônicas e Poesias - Gilson Pontes )

:: Ti ti ti ( Crônicas e Poesias - Sílvia Sena )

:: O tamanho do Mundo ( Crônicas e Poesias - Alexandre Andrade )

:: A Lenda do Baile de Noivado ( Crônicas e Poesias - Roberto Villani )