A magistral árvore do cerrado se ostenta no quinta da casa confortável em Ouro Preto, cidade conhecida pelas suas peculiaridades culturais e históricas. Há anos que quem a plantou espera pelos frutos saborosos mas parece que ela é estéril, não quer ser mãe. O técnico agrícola veio e pediu que ele desse mais calcário para ela, que colocasse as próprias folhas que dela caem em torno do tronco e então ela floriu tanto que parecia um milagre.
Uma noite qualquer, a bela produtora de araticuns sofrera com a ventania e a maioria das frutas caíriram quando ainda eram fetos vegetais. E apenas uma vingou até ganhar um dourado especial na casca, parecendo uma pepita de ouro no meio daquele verde todo. A frutinha, foi saboreada como num ritual e suas sementes guardadsa para novo plantio, quem sabe nos cerrados tão sofridos pela ação humana.
Após degustá-la, o jardineiro descobriu outra pepita mas sem chance de ser alcançada. Vai virar banquete para os passarinhos ou para os morcegos que adoram comer frutas. Enquanto ele tentava mostrar aos outros a preciosa descoberta, seus olhos brilhavam de satisfação e suas palavras eram firmes. O vigor com que falava demonstrava o prazer de ver que na natureza não existe nada estéril, que carinho é tudo que ela precisa para agradecer com flores, frutos e ninhos.
Fiquei pensando na reação do homem ao descobrir a segunda fruta. Enquanto há pessoas que desejam muito para si, outras se satisfazem com pouco. Argumenta-se que hoje deve-se ter mais . Todavia, há também pessoas que contentam em ser e isso é o mais importante quando nos sentimos filhos da mãe natureza.