Mulher, faz as contas,
de quantas crianças matou
pra andar nessa lancha cara
e quantos marmitex tem
enterrados
nesse vestido da Zara.
Olhe bem as costelas...
Olhe bem as tetas murchas...
Você não pode comprar
uma Bic, uma calça jeans
um Fusca?
Tem que ser Ferrari,
Fendi,Channel,
Gucci, Cartier
Lancôme, Cacharel?
Vá embora pra África, menina,
cuidar da raça quase extinta,
antes que fique seca
esperando recusa certa
dos capados lá de cima.
Ou vai ser enterrada
nesse vestido Daslu
enquanto aquela mãe
come poeira
e entrega o filho
aos urubus?
Não espere dia e hora
eternos:
Vá pro inferno
agora.
(dediquei ao Jairo Periafricania em setembro/2009)
Nota: poema de 20/01/08, revisto e modificado em setembro 2009. Versão original encontra-se no Blog Café da Letras