Quando o governador Sérgio Cabral resolveu contratar o ex-primeiro-ministro Tony Blair como consultor do Rio-2016, ele não imaginava a encrenca que iria arrumar com o escritor Paulo Coelho, o &39;Bruxo&39; que já vendeu mais de 100 milhões de livros no planeta todo.
Tudo começou no final de janeiro, quando Cabral anunciou que um grupo de empresários bancaria a vinda de Blair pra dar uns conselhos sobre como organizar uma Olimpíada por aqui. Afinal, o cara teve participação determinante na vitória de Londres-2012 e entende do assunto. Só que isso despertou a ira do Paulo Coelho, que acha o britânico um criminoso de guerra, e fez questão de dizer isso em seu Twitter, pra quem quisesse ver.
- Estamos pagando Tony Blair para assessor da Rio 2016? Um irresponsável que declarou uma guerra ilegal? O que é isso, governador? Não em meu nome, não em meu país - atacou o autor de &39;O Diário de um Mago&39;, lembrando que o ex-premiê responde até hoje por autorizar a invasão ao Iraque em 2003.
O problema todo é que o Paulo Coelho não é qualquer um. Você pode até não ter lido nenhum livro dele - ou se leu não gostou - mas o fato é que o cara é respeitado no mundo todo e seus livros já foram traduzidos em tudo quanto é idioma. Além disso, ele foi um dos garotos-propagandas da campanha pro Rio sediar os Jogos de 2016.
Ou seja, é só ele abrir a boca pra repercutir imediatamente.Nosso querido governador, se vendo no meio do fogo cruzado, tratou de botar panos quentes na história:
– Ele (Paulo Coelho) é um orgulho para o Brasil no mundo inteiro e nos ajudou muito na campanha da Rio 2016, com o Pelé e os atletas todos. Acontece que está havendo uma discussão muito forte quanto à participação da Inglaterra na Guerra do Iraque e isso faz parte dos temas polêmicos internacionais. Mas o Blair não vai ser consultor para guerra nenhuma, vai ser consultor para a paz – garantiu Cabral.
Ah tá... deixa ver se eu entendi. É uma coisa tipo Dane-se se o cara capitaneou uma guerra, não foi com a gente mesmo. Essa emenda do Cabral saiu pior que o soneto.
E cá entre nós, será mesmo necessário gastar uma grana preta com o Blair? Sim, por que de graça é que ele não vai trabalhar! Por que não ter um consultor brasileiro mesmo? Será que não tem ninguém? Nadinha? Na pior da pior das hipóteses, evitaria todo esse constrangimento diplomático...