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Maria Laurentino

[ Maria Laurentino ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Há quase cinco cursando a Escola Livre de Literatura, na Casa da Palavra, onde venho intensificando a minha escrita.

 

O Burrinho Pedrês, conto do livro Sagarana, obra de João Guimarães Rosa

Ensaio sobre o conto "O BURRINHO PEDRÊS" do livro "Sagarana" obra de João Guimarães Rosa

"O Burrinho Pedrês" é uma história não profana; uma história Cósmica; que se desenrola numa dimensão superior. Nela o autor conta a história de um homem, ou seja, de um ser humano através da estória de "Sete-de-Ouros".

"Sete-de-Ouros" é o nome do burrinho que representa um ser humano na história menor (segunda história subentendida nos símbolos) e este representa um homem na história maior. A estória do burrinho, apesar de todas as suas qualidades, age apenas como um símbolo para mostrar o desenrolar da vida de um homem na sua evolução Cósmica. Nessa evolução, em dado momento, ele tem uma vida aqui na Terra.

São, portanto, três histórias.

Em "Sagarana", Guimarães Rosa usou as palavras: "estória", para designar os símbolos das parábolas e "história" para designar os significados das parábolas.Queria isto dizer, que aquelas que eram chamadas de estórias eram fictícias, enquanto aquelas que eram chamadas de histórias eram reais.

O ser humano aqui da Terra, na atual etapa da sua evolução Cósmica, é um burro teimoso ("Burro teimoso" é um capítulo do meu livro (inédito) ). O burro teimoso ainda está abaixo do "Burrinho Pedrês", portanto, o "Burrinho Pedrês" adquiriu capacidade de evolução que os outros seres humanos ainda não atingiram. Por esse motivo o autor mencionou, na descrição que fez de Sete-de-Ouros, “um par de óculos naturais, insinuados pelos dois cavos em cima das órbitas". "Parecia ainda mais velho. Velho e sábio". Na história menor o ser humano, representado por "Sete-de-Ouros", era um sábio comparado com os outros seres humanos, porque ele tinha essa capacidade natural que os outros não tinham.

O nome "Sete-de-Ouros" também tem a sua simbologia: nos quatro naipes de baralho o sete tem simbologia nefasta. O naipe de ouros, porém, não é das mais ruins (outras cartas têm simbologias piores), dependendo das demais cartas que acompanham o sete-de-ouros na tirada.

O naipe de ouros é um naipe que remete à evolução, progresso em todos os âmbitos, e isso abranda a carga nefasta da carta sete.

Na estória do "burrinho Sete-de-Ouros", as cartas que atuaram com o sete-de-ouros na simbologia da carta, foram justamente os acontecimentos causados pela ação nefasta da carta sete, que, apesar de serem acontecimentos causados pela ação do sete, agiram como cartas positivas em relação ao sete-de-ouros e culminou no final da estória com o "Sete-de-Ouros", sendo o herói que se salvou e levou com ele quem estava agarrado sobre o seu dorso e quem estava agarrado no seu rabo, significando isto que o "Burrinho Pedrês" deixou de ser um burro, porque conseguiu ver além, e nessa sua arrancada, conseguiu promover a evolução de quem estava inteiramente com ele e introduziu na evolução quem também estava seguindo os seus passos.

O título do conto "Burrinho Pedrês" também tem a sua simbologia.

"Pedrês" é relativo à pedra, e a construção feita com pedras é mais forte do que a construção feita só com areia: Vejamos essa simbologia usada no Novo Testamento das Escrituras Sagradas. "Os discípulos de Jesus lhe perguntaram: - Quem vós sois?" Então Jesus, se dirigindo a Simão, perguntou-lhe:

 - E você, Simão, o que achas de mim, o que eu sou?
 - Senhor, tu és o filho de Deus feito homem, tu és o Cristo.
Jesus, vendo que Simão tinha um elemento que o reconhecera e que não era um elemento comum e sim um elemento divino, disse:
 - Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. De hoje em diante te chamarás Pedro".

Como vemos, o nome "Pedrês" tem a mesma simbologia relativa a Pedro, usada por Jesus. Porém a simbologia de "pedra" não está ligada propriamente a Simão e nem a Jesus, mas sim ao Cristo. Ainda nas Escrituras Sagradas diz que o Cristo é a "pedra angular" da construção da igreja de Deus.

Então, não era Simão e nem Jesus a pedra angular, mas sim o Cristo, que estava em Jesus e que estava em Simão.

Na história de Guimarães Rosa, ele estava no ser-humano, representado por "Sete de Ouros".

"Burrinho" tem a sua simbologia: o burro é híbrido, não pode gerar, por esse motivo, a palavra "burrinho" tem significado híbrido cosmicamente e incapaz de ver além. Portanto, "Burrinho Pedrês" significa um ser humano que conseguiu burlar esse hibridismo inerente ao ser humano.

Outro símbolo da estória do burrinho: "Em cima dele morrera um tropeiro baleado pelas costas". Para que o ser humano passe de burrinho para "Burrinho Pedrês", ou seja, Pedra, tem antes que matar o seu ego, para que possa nascer um novo ser, para que possa realmente ser homem. O tropeiro que morrera em cima do "burrinho" simboliza essa etapa.

"Baleado pelas costas": de certo modo o ego é logrado pelo Eu, pego inesperadamente. 

"A cobra Jararacussu, com diagonais amarelas, que veio agarrada ao focinho do burrinho": a serpente representa o intelecto, "Lúcifer", o porta luz". Para se desenvolver o "Burrinho Pedrês", tem antes que desenvolver plenamente o intelecto. É o pleno desenvolvimento do intelecto que dará ao homem a condição de realizar uma nova Faculdade que não é a inteligência. A inteligência opera apenas dez por cento da capacidade do cérebro humano e a nova Faculdade opera os outros noventa por cento restantes.

Nos três primeiros parágrafos da história de "Sete-de-Ouros", o autor enumerou os vários nomes e donos que "Sete-de-Ouros" teve antes de se chamar "Sete-de-Ouros".

Esses vários nomes e situações representam várias reencarnações que esse ser humano teve, no transcorrer da sua jornada Cósmica, antes dele se tornar um "Burrinho Pedrês".

Essas vivências anteriores dele têm fator importante na sua evolução Cósmica. Elas lhe renderam créditos, que somados, lhe proporcionaram a condição de se tornar um "Burrinho Pedrês".

(Não convém discutir se Guimarães Rosa acreditava em outras reencarnações, verdade é que segundo a "Lei de Lavosier, não existe criação, o que existe é a transformação. "Na Natureza nada se cria, nada se aniquila, tudo se transforma." Todas as religiões acreditam numa espécie de reencarnação ou mesmo uma outra vida, independente de reencarnação).

Mas existem muitos outros símbolos nessa estória do burrinho.

O ser humano representado pelo “Burrinho Pedrês”, representa todos os seres humanos que estão no mesmo nível de evolução Cósmica que este ser humano.


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No primeiro conto de Sagarana ( O Burrinho Pedrês), o autor usa  símbolos bem visíveis e fáceis de decifrar, não acontecendo o mesmo nos outros contos de Sagarana

Os outros contos também são simbólicos, porém, cada um deles apresentam diferenciações nos símbolos; os símbolos, ou parábolas são apresentados de modos diferentes de qualquer outro simbolismo de Sagarana.

“O Burrinho Pedrês”, primeiro conto de Sagarana, faz uma apresentação do ser humano em questão. Os outros contos do livro mostram uma situação na qual estão engendrados todos os seres humanos.

Em todos os contos de Sagarana, que servem de símbolos são histórias fictícias, porém nos outros contos, os representados, mostram situações reais , estas são situações mostradas por gênios da Humanidade, não só em Sagarana, mas nas Escrituras Sagradas, na mitologia em geral, e em livros de autores geniais como João Guimarães Rosa.





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