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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

Celular, o nó da questão

Já se foi o tempo do indivíduo isolado, sem comunicação, a menos que assim o deseje, pois meios não faltam para que todos estejam interligados, até mesmo os mais pobres. E é tudo rápido, ou instantâneo, não importa a distância a separar dois pontos de contato; não mais a notícia atrasada na proporção direta do tempo das viagens que duravam meses e anos.

Exemplo curioso dessa defasagem encontra-se (ou, pelo menos, encontrava-se) registrado no arquivo municipal de Ouro Preto. No período colonial, chegou a Vila Rica a notícia do nascimento de príncipe na casa real portuguesa. Conforme usos e costumes da época, o governador, representante dos interesses da coroa, decretou três noites de luminárias na cidade, em sinal de regozijo por nova vida no berço real português. As luminárias consistiam de lanternas que, obrigatoriamente, deviam ser colocadas nas fachadas das casas, complementando ornamentação apropriada mais visível à luz do dia. Talvez, desse costume, tenham advindo as atuais lanternas fixas na parte alta das janelas, acesas em ocasiões especiais com o simples premir de botão. Conforme a natureza da data comemorada ou do evento, além das luzes nas sacadas, ofereciam-se espetáculos pirotécnicos a partir de base situada na subida do Morro São Sebastião. Esse lugar era conhecido como "Volta da Girândola", em alusão àquele tipo de foguete, muito apreciado então. O povo, sob a pressão do poder português, saudou com festas o nascimento do pimpolho real.

Mais à frente, quase um ano depois, outro documento registra o convite para a Missa de Réquiem pela morte do mesmo príncipe. Conferidas as datas dos festejos em Vila Rica e da morte do infante, percebe-se que esta já havia acontecido, quando as comemorações aqui se realizaram. Hoje, no mundo civilizado, isso é praticamente impossível acontecer! Qualquer pessoa com celular à mão pode dar furo de reportagem para o outro lado do mundo, no momento em que o fato acontece! E alguém sem celular é como alienígena, difícil de encontrar.

Mas - paradoxo dos paradoxos! - quando dele deveriam se valer para evitar transtornos a terceiros, pessoas se omitem, não usam o poderoso e mais presente instrumento; tão presente, que já o colocam como a quarta das principais partes em que se divide o corpo humano: cabeça, tronco, membros e... celular! A anedota do galanteador que, para atingir quem lhe chama a atenção, se dirige ao lulu da dondoca e lhe pede o telefone, está ultrapassada, pois cachorro de madame também já tem celular. Até há poucos anos, ouvindo alguém a falar sozinho na rua, deduzia-se de imediato ser doido ou bêbado. Atualmente, esse julgamento levaria para hospício metade das pessoas encontradas na rua.

Liga-se pelo celular por qualquer motivo, em qualquer lugar e a qualquer momento. Transformou-se o aparelhinho em ícone de status, meio de autoafirmação, e sua utilização em público é sinal da presença do indivíduo na rede de comunicação que, em tempos idos sem interferência tecnológica, se chamava "rádio peão". Os toques de chamada do celular merecem considerações à parte, tão grande é a variedade, desde trechos de música clássica, repetitivos, até grunhidos gravados pelo próprio dono do apetrecho de comunicação. Fazem tormento quando dão o ar da graça, sob a forma musical de péssimo gosto, em ambiente de muita gente e relativo silêncio. Até que a dona desconfia que o som vem da sua bolsa, dentro de outra, e bate em retirada ou, pior, atende ali mesmo, o realejo desarranja todo o ambiente, tira de foco o objetivo da reunião e acaba com os nervos de que quem está no seu comando.

Tudo isso acontece à roda onde se vive, por conta do celular, esse oportuno e às vezes inconveniente, importante e às vezes dispensável, útil e muitas vezes tornado inútil por quem o possui. Transtornos e prejuízos podem ser evitados se compromissos assumidos são cumpridos, mas imprevistos acontecem e todo o combinado pode não se produzir. Contudo, minimizações dos efeitos se conseguem, contatando-se com a outra parte para preveni-la sobre o imprevisto. É aí que o celular se torna inútil, trambolho nas mãos do prestador de serviço, por exemplo, que agenda visita ao cliente, não cumpre e nem avisa que não pode comparecer; nas mãos de negociante eventual, que combina hora, local e deixa a outra parte interessada, com cara de pateta, sem qualquer explicação, ainda que exista o celular entre elas. Pessoas, fiéis ao compromisso profissional, desmarcam ou adiam o lazer com a família ou com amigos, empurram para frente a resolução de assuntos de seu interesse, para atender os de seus clientes e estes não se vexam em não comparecer e não avisar, embora tenham celular.

Para incomodar e tumultuar, o celular aí está, mas para comunicar de fato, seu proprietário num tá nem aí!





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