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Yta de Castro

[ Yta de Castro ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estudante de Comunicação Social - Jornalismo na Faculdade Integrada do Ceará em Fortaleza

 

Ceará Movido pelos Ventos

A energia eólica é a energia que provém do vento. O termo eólico vem do latim aeolicus, pertencente ou relativo a Éolo - Deus dos ventos na mitologia grega e, portanto, pertencente ou relativo ao vento. Esta fonte de energia tem sido aproveitada desde a antiguidade para mover os barcos impulsionados por velas ou para fazer funcionar a engrenagem de moinhos, ao mover as suas pás.

Em nosso quotidiano utiliza-se a energia eólica para mover aerogeradores - grandes turbinas colocadas em lugares de muito vento. Essas turbinas têm a forma de um catavento que se movimenta através de um gerador e produz energia elétrica. A energia eólica é renovável, limpa, distribuída globalmente e utilizada para substituir fontes de combustíveis fósseis.

Qual é o futuro do Ceará em relação à produção de energia eólica? É uma pergunta dos movimentos sociais em favor de um consumo de energia que não denigra o nosso meio ambiente e a nossa comunidade. Assim, em entrevista com Gustavo Rodrigues Silva, que possui Mestrado em Energia Eólica pelo Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Diretor da Braselco (grupo composto por três empresas que atuam na área de prestação de serviços de projeto, engenharia, assessoria e consultoria técnica no desenvolvimento e implementação de projetos de energias renováveis, sobretudo no que se refere à fonte eólica) concedida pessoalmente, é esclarecido vários pontos sobre a energia proveniente dos ventos, de como é explorada no Ceará, deNegrito como é feito o aproveitamento do vento, sobre os problemas ambientais causados pela energia eólica e a vantagens que se pode gerar para a comunidade.

Confira a entrevista

Yta - Como a energia eólica está sendo explorada no ceará?

Gustavo Rodrigues – A energia eólica se iniciou no Ceará porque este estado sempre foi pioneiro nessa área. Os primeiros estudos do vento patrocinados pelo Governo Do Estado e com algumas parcerias já datam da década de 90. O primeiro atlas eólico também foi feito no estado do Ceará. As primeiras centrais eólicas de grande porte, embora a primeira central eólica tenha surgido em Minas Gerais, as primeiras turbinas em Pernambuco e no ano de 1993 em Minas Gerais foi instalada as primeiras centrais eólicas de 1 Mega, mas a primeiras centrais comerciais são aqui do Ceará, como Taíba e Prainha, instaladas uma em 1998 e outra 1999. Havia o projeto para MUCURIPE, que ficou um tanto vazio. Os parques que hoje estão sendo desenvolvidos e implantados já são decorrentes do PROINFA (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), e os parques que estão em construção são também parques do PROINFA, e se concentra em toda a costa do Ceará, desde ARACATI (primeiros parques), passando por Canoa Quebrada até Camocim, que foi o último instalado, são todos projetos do PROINFA. E aí agente encontra um outro vazio, porque esses parques foram contratados em 2004 e estão entrando em operação agora, se espera que dentro desses leilões de energia sejam contratados mais alguns parques eólicos aqui no eixo do estado, com a diferença de que alguns parques possam se concentrar mais afastados da costa, parques pela serra da Ibiapaba. Tem um projeto da Braselco, que é o Icaraizinho, de 50 megas.

Yta: Cinquenta (50) megas é um número grande?

Gustavo Rodrigues – É um número grande, é um parque grande, é uma obra grande, com um grande investimento.

Yta: Todo o vento que circula é aproveitado?

Gustavo Rodrigues – A energia eólica é uma energia a qual não se pode ser primária, não se pode depender unicamente dela. O vento é oscilante, é imprevisível e não se pode prever em longo prazo o comportamento do vento e aí vamos ter momentos de alta e momentos de baixa.

Um projeto eólico tem mais ou menos a mesma idéia que um projeto de uma hidroelétrica, ou seja, toda aquela vazão que está passando pela hídrica vai ser utilizada para produzir energia, mas não tem como acumular o vento como nas hídricas armazenam a água, então todo o vento disponível naquele momento será transformado em energia elétrica. Quanto aos recursos eólicos aqui do Ceará, já se sabe a um bom tempo que o estado tem um grande potencial eólico, principalmente no litoral e em locais de grande altitude, que em comparações com as médias mundiais se destaca, potencial encontrado não só no Ceará, mas no Rio Grande do Norte, Piauí e entrando no Maranhão.

Yta: Quais os fatores que interferem na produção de energia através do vento?

Gustavo Rodrigues – Se existe uma máquina e se tiver vento, ela vai gerar energia. A única coisa que pode interferir sãos os fatores que interferem no vento, questão técnica-física. Um parque eólico com a densidade de máquinas muito alta, mesmo tendo vento, as máquinas vão interferir umas nas outras, mas isso é um problema de projeto, de um projeto mal feito. Se colocar um parque muito próximo a um relevo muito alto também irá perturbar o fluxo do vento.

O vento é a massa de ar em movimento e se dá pela diferença de pressão e temperatura - quando chove, se dá uma temperatura mais amena, principalmente na nossa região em que os ventos são formados pelos ventos alísios e as brisas marítimas – e quando chove, desaparecem as brisas, então o vento pára, mas isso faz parte da dinâmica do vento.

Yta: Qual o tamanho de uma turbina eólica e a geração de energia que cada uma pode fazer?

Gustavo Rodrigues – O tamanho é muito variável, existe máquinas pequenas de 10 kw e grandes de 30kw, com motores de 05m e 06m, e máquinas como as de hoje de 06 megawatts, mas já se fala em máquinas maiores. O desenvolvimento dessas máquinas acompanha a maturidade da engenharia. Problemas estruturais que antigamente eram vistos, hoje, com a computação, é algo que vai sendo resolvido e as máquinas começam a se tornar cada vez maiores. Trazendo isso pra história, os primeiros projetos de máquinas no início do século XX, eram de máquinas grandes, de 02 megawatts – o problema era que a engenharia mecânica, da estrutura do material estava dando os primeiros passos, e essas máquinas tinham vida útil muito reduzida. Eram máquinas que passavam um ano operando e depois quebravam.

Na década de 50, os EUA começou a utilizar a filosofia da máquina dinamarquesa, de pequeno porte, mas robusta e aí houve uma reengenharia das máquinas que começavam a ser pensadas em máquinas pequenas e isso durou até a primeira e a segunda crise do petróleo, depois a energia eólica começou a ser vista como algo comercial, mas as máquinas eram ainda pequenas, mas já havia aquele apelo comercial e aí sim, que na década de 80 o mercado eólico começou a se tornar sólido. Principiou na Dinamarca, depois EUA, Espanha e foi se desenvolvendo. Hoje a capacidade média de uma máquina é de 1&8725;2 megawatts a 02 megawatts. E vai surgir máquinas maiores, de 04, 05 e 06 megawatts.

Yta: Quanta energia uma fazenda de vento pode gerar?

Gustavo Rodrigues – Vai depender de muitos fatores: o vento, sua intensidade, direção, distribuição da direção, como sua direção muda ao longo do ano. Quando se faz um layout, tem que saber como vento se comporta ao longo do ano tanto em intensidade quanto em direção. É favorável que se tenha pouca interferência esteiras entre as máquinas. Isso tudo intervém na produção, a máquina também. São valores muito espaçados.

Yta: A energia eólica traz algum problema ambiental?

Gustavo Rodrigues – Toda a ação que o homem pratica no meio ambiente causa impacto. Há formas de energia que causam maior impacto e outras que causam menor impacto. Diante disso é que vem a idéia do desenvolvimento sustentável, ou seja, mexer menos no meio ambiente para gerar o menor impacto possível para garantir que as gerações futuras usem desses mesmos recursos. Toda forma de ação causa algum tipo de problema para o ambiente e a energia eólica não foge disso.

A energia eólica causa os impactos que são chamados comuns, como a interferência nos pássaros, morcegos, o impacto visual – durante a etapa de implantação da planta tem impacto no terreno, tem que fazer o dejorramento de terra, precisa-se fazer a remoção de terra para fazer as afundações. O fato é que quando a gente compara esse impacto com o impacto de outras fontes, a energia eólica apresenta um impacto muito mais baixo. E aqui no Brasil há uma coisa interessante, que eu acho que é um presente que Deus deu pra a gente, especialmente aqui no Nordeste – temos uma condição única de complementaridade do recurso eólico com o hídrico, ou seja, o período em que o rio São Francisco apresenta a sua maior evasão é o período em que a gente tem menos vento e o contrário é verdadeiro.

Yta: Quais são os benefícios que isso traz em termos de operação da própria planta elétrica, quanto os benefícios sócio-ambientais?

Gustavo Rodrigues – Primeiramente, pensando em um sistema estruturado entre a hídrica e a eólica, vê-se uma complementaridade que é muito interessante, consegue-se manter o fornecimento firme de energia sem ter que estar investindo tanto nessas outras fontes como as nucleares e as que utilizam combustíveis fósseis, que tem um impacto muito grande no meio ambiente, não só falando em emissões, mas também com relação à saúde para aquela população que mora no entorno desses sítios. Trazendo para o lado ambiental, essa complementaridade, acaba sendo uma ferramenta social importante para o Estado, porque quando a gente descentraliza essas fontes pra aproveitar fontes locais, já é um trabalho social, começa a aproveitar melhor a mão-de-obra, gera mais imposto nessas regiões que precisam mais, pois se está aproveitando um recurso local e isso tem uma vantagem que é muito interessante.

A outra é, trazendo para o Nordeste, é que nesses períodos mais secos e a seca aqui no Nordeste é uma coisa que ocorre a muitos anos, quando o rio tem uma menor vazão, fazendo uma complementaridade de energia eólica, pode-se aproveitar essa água para outros fins, fins mais nobres, como a irrigação, pra levar água a quem precisa, porque a água que seria utilizada para produzir eletricidade vai servir para outros fins. Isso é algo muito bom em termos estratégicos para o Brasil.

Outra coisa importante, trazendo para o lado de não haver emissão de gases no meio ambiente por parte da energia eólica, é que o Brasil hoje é o quinto maior emissor de CO² no mundo. Apenas 3% desse gás estão relacionados à geração de eletricidade, mas o fato é que nós somos o quinto, quanto se aumenta à nossa geração de eletricidade a partir de fontes emissoras vamos subir no ranque e isso é uma coisa que não é interessante.

Yta: O que esse tipo de energia, contribui para o desenvolvimento do Ceará?

Gustavo Rodrigues – A energia eólica é uma tecnologia recente, e ela começou com os primeiro projetos foram feitos com a aeronáutica, era um helicóptero, só que a aeronáutica estabilizou ali e nós desenvolvemos. Uma máquina eólica tem tecnologia de ponta, em termos de eletro-eletrônica, mecânica, aerodinâmica e etc. E o estado do Ceará, tem e sempre terá destaque neste tipo de energia. Fora isso, também se espera que o estado do Ceará, como Rio Grande do Norte e Piauí (Piauí nem tanto) tenham maior capacidade de projetos de energia eólica instalados. Energia elétrica é um bem caro e por ser um bem caro, também gera uma quantidade de imposto também alta e isso tudo são vantagens para o Estado.

O que a gente espera é que venha a se criar, com a abertura do mercado, centros de formação, ou seja, pessoas que possam dominar a tecnologia, que venham indústrias, porque é muito interessante, como são equipamentos muito grandes, o custo do transporte, deslocamento é um custo a mais e se precisamos de um pólo, é algo que gera emprego e receita pro Estado.

Indústria de serviços e fornecimentos para implantações desses parques, da engenharia civil, na parte elétrica e etc. Então a gente vê que o estado tem grandes benéficos com isso e hoje com a implantação dos parques do Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), tivemos um investimento de quatro bilhões de reais, é dinheiro implantado e investido no estado.

O estado deixa de ter uma condição importadora e passa ser exportadora. E com a implantação desses parques toda uma estrutura começa a ser construída, estradas que serão adaptadas e melhoradas, subestações elétricas serão feitas, linhas de transmissão, ou seja, a população ganha em termos de estrutura. Todo empreendimento por obrigação paga uma taxa de compensação ambiental, acertada pelo órgão ambiental junto com investidor, geralmente essa taxa é utilizada para serviços e obras sócio-ambientais. Então os benefícios são muitos, basta executar.

paisagem





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