-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em Meio Ambiente
 
Mario Villas Boas

[ Mario Villas Boas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Engenheiro Químico e Advogado. Trabalha no centro de pesquisas da Petrobrás

 

O Aquecimento Global em Números

Muito alarde se tem feito acerca do aquecimento global, contudo, o debate tem gerado mais calor do que luz. Este artigo tem por objetivo levantar alguns números relevantes acerca do aquecimento global e esclarecer algumas dúvidas sobre eles.

O primeiro ponto a ser esclarecido é sobre a concentração atual de CO2 na atmosfera. Fala-se que a concentração atingiu 400 ppm e que nunca foi tão alta. A dança dos números começa justamente aqui.

A concentração de CO2 NÃO é de 400 ppm (partes por milhão), mas de 400 ppmv (partes por milhão em base volumétrica). Pouca gente sabe a diferença entre essas duas unidades e muita confusão tem sido feita por pessoas que não conhecem a diferença.

1 ppm (parte por milhão) é razão mássica. Equivale por exemplo a 1 grama do soluto por uma tonelada de solução. 1 ppmv (parte por milhão em base volumétrica) é razão de volumes. Equivale a 1 mL de soluto por m3 de solução. Se soluto e solução têm a mesma densidade, os conceitos se confundem. Mas esse não é o caso do CO2 e o ar. A densidade do CO2 é cerca de 50% maior do que a densidade do ar. Assim, a concentração de CO2 na atmosfera é:

400 ppmv (mL/m3) = (400) (1,5) = 600 ppm (g/ton) 

Infelizmente, a dança dos números ainda não acabou. Há ainda outra confusão que precisa ser desfeita que é concentração/quantidade de carbono x concentração/quantidade de CO2. Tecnicamente falando, quando se fala em "concentração de carbono" refere-se a todas as espécies químicas que contêm este elemento. O ar atmosférico, além do CO2 pode conter outros gases contendo carbono, como CO (monóxido de carbono) ou CH4 (metano). Contudo, mesmo em ambientes fortemente poluídos a concentração dessas ou outras espécies químicas contendo carbono no ar só muito excepcionalmente contribuem de forma significativa para a quantidade total de carbono na atmosfera. Por isto, neste artigo, deste ponto em diante, qualquer referência à quantidade ou concentração de "carbono" na atmosfera, refere-se somente ao carbono na forma de CO2.

O carbono na atmosfera ocupa o mesmo volume do CO2. Mas não tem a mesma massa. Apenas 27% da massa do CO2 é carbono. O resto é oxigênio.

Desta forma:

400 ppmv de CO2 no ar = 400 ppmv de carbono no ar = 600 ppm de CO2 no ar = 162 ppm de carbono no ar.

Essa  exposição é um tanto maçante, contudo é da mais fundamental importância que esses conceitos sejam bem compreendidos para os que querem entender o que realmente se passa no planeta. Muita confusão tem sido feita com esses conceitos e, suspeito, nem todas elas foram de boa fé.

Podemos finalmente seguir adiante. Segundo os órgãos ambientais, a humanidade joga na atmosfera 6 bilhões de toneladas (Gton) de CARBONO por ano na atmosfera, ou seja, algo como 22 Gton de CO2. O protocolo de Kioto propõe uma redução de 5,2%, ou seja, que a humanidade se limite a lançar 5,69 Gton de carbono por ano, "economizando" assim 310 Mton de carbono por ano. A pergunta que ninguém faz é: Que efeito se espera obter se essa medida vier efetivamente a ser tomada? O resto deste artigo se dedica a responder a esta pergunta.

A primeira questão a se indagar é: Qual é a quantidade total de carbono (na forma de CO2) existente na atmosfera? Para chegar a este valor é necessário levantar-se alguns números: A superfície do planeta é cerca de 510 milhões de km2. O volume da atmosfera é este valor multiplicado pela altura da atmosfera. Eis um problema: Não há como estipular com exatidão esta altura. Segundo algumas fontes, quase todo o CO2 se concentra na camada mais baixa da atmosfera, denominada troposfera. A altura da troposfera também é motivo de divergência, mas o valor de 15 km foi estipulado como uma forma de se ter uma estimativa. A pressão varia ao longo desses 15 km, sendo de 1 atm ao nível do mar e bem baixa no topo desses 15 km. Em média, para uma estimativa grosseira, admitiremos o valor de 0,5 atm. A temperatura também varia, sendo cerca de 20 °C  junto ao solo e cerca de -50 °C entre 11 e 15 km. Admitiremos uma temperatura média de 0°C ou 273 K. Tem-se então os seguintes números: 

Volume da troposfera: 510 milhões de km2 15 km =  7,65 bilhões de km3 = 7,65 1021 L

O número de moles de espécies gasosas na atmosfera é dada pela equação dos gases ideais: 

n = P V / R T = (0,5 atm) (7,65 1021 L) / (0,082) (273 K) = 1,7 1020 moles

A razão volumétrica, em gases, é igual à razão molar. Assim, a quantidade de CO2 na atmosfera é dada por:

n (CO2) = n(total) fração de CO2 = 1,7 1020 (400/1.000.000) = 6,8 1016 moles de CO2 

A massa total de CARBONO na atmosfera e dada pelo produto deste valor pelo peso atômico do carbono (12 g/mol) assim, a massa total de carbono é:

  6,8 1016 moles de CO2 12 g/mol = 8,2 1017 g = 820 Gton 

Qual é o impacto de se retirar 310 Mton de carbono por ano da atmosfera – protocolo de Kioto – sobre esses 820 Gton? Se retirarmos essa quantidade anualmente da atmosfera, em 100 anos teremos retirado 31 Gton de carbono da atmosfera, reduzindo a quantidade total de 820 para 789 Gton. Isto representa uma retirada de 3,8% do total de carbono na atmosfera.

Pode-se medir a concentração de CO2 numa amostra de gás com grande precisão. Mas para medir a concentração média na atmosfera, é necessária uma "amostra representativa" de toda a atmosfera, o que é difícil de se conseguir. Por este motivo, as concentrações médias, dado que esse valor tem u ma variação significativa de um ponto a outro, estão contaminadas com erros. Dificilmente se conseguirá uma "amostra representativa" da atmosfera na qual se possa medir esse valor médio com precisão maior do que 5%, Isso significa que se adotarmos rigidamente o controle de emissões sugerido pelo protocolo de Kioto, nos próximos 100 anos não conseguiremos saber ao certo se ele produziu o efeito desejado ou não. 

Mas há outro fator ainda mais preocupante. Pouca gente sabe, mas o vapor d&39;água contribui para o efeito estufa de forma mais eficiente do que o CO2. 1% de água na atmosfera produz o mesmo efeito estufa que 1,5% de CO2. É difícil mensurar a quantidade total de vapor d&39;água na atmosfera, pois ela varia muito mais do que a de CO2. Segundo a wikipedia, estima-se uma concentração média de 0,4% em volume, que equivale a 4.000 ppmv. Contudo, como o efeito da água na atmosfera contribui para o efeito estufa numa proporção 50% maior do que o CO2, o efeito estufa associado a esta quantidade de água equivale ao efeito provocado por uma concentração de 6.000 ppmv de CO2.

Disto se tira que retirar TODO o CO2 da atmosfera – o que mataria todos os vegetais por inviabilizar a fotossíntese e, em seguida, todos os animais por não terem o que comer – provocaria uma redução da ordem de 6% no efeito estufa. Retirar os 31 Gton de carbono que o protocolo de Kioto retiraria em 100 anos provocaria uma redução de 0,24% no efeito estufa total.            

A Terra vive problemas ambientais da maior gravidade. Milhões de pessoas estão perdendo acesso a água potável por uso irresponsável de produtos químicos, insumos agrícolas ou disposição inadequada de lixo urbano. Enquanto isso se fazem conferências internacionais para propor medidas que, na melhor das hipóteses pode provocar uma redução de 0,24% no efeito estufa nos próximos 100 anos. É improvável que uma mudança tão pequena seja sequer sentida. Provavelmente existe algum interesse oculto por trás de todo esse movimento em prol da redução das emissões de carbono já que, como vimos, o efeito dessa redução, se vier a acontecer, provavelmente passará despercebido das próximas gerações. Mas o custo dela não.

1 Mton = 1 Megatonelada = 1.000.000 toneladas

1 Gton = 1 Gigatonelada = 1.000.000.000 toneladas





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Passeio nas nuvens ( Meio Ambiente - Mauro Moura )

:: Dia Universal da Água – 22/03 ( Meio Ambiente - Cristiana Passinato )

:: Escola Fisk inova ao converter material didático físico para ambiente virtual ( Meio Ambiente - Isis Nogueira )

:: Educação e Sustentabilidade ( Meio Ambiente - Antonio Carlos )

:: Ajude na preservação do meio ambiente ( Meio Ambiente - Sônia Jordão )

:: O Desequilíbrio Ambiental ( Meio Ambiente - Fabiana Barros )

:: O Período Quente Medieval ( Meio Ambiente - Mario Villas Boas )

:: Tietê, que te quero limpo ( Meio Ambiente - Pedro Cardoso )

:: Dá-me um copo d’agua, eu tenho sede ( Meio Ambiente - Mauro Moura )

:: Mudanças climáticas, breves comentários ( Meio Ambiente - Jorge Hessen )

:: Água: a matéria-prima para o consumismo capitalista ( Meio Ambiente - Igor Matos )

:: Acidente Ambiental em São José de Mipibu ( Meio Ambiente - Wallace Moura )

:: Haja saco! ( Meio Ambiente - Mauro Moura )

:: Desejo e Fome ( Meio Ambiente - Débora Paiva )

:: Derrame de petróleo Tristão da Cunha ( Meio Ambiente - Renan Alves )

:: Solidariedade ao Planeta Terra ( Meio Ambiente - Farid Houssein )

:: A vida de antigamente e o lixo ( Meio Ambiente - Sílvia Sena )

:: A casa de todos nós ( Meio Ambiente - Ana Paula Lisboa )

:: Herança Maldita - Usinas Nucleares ( Meio Ambiente - Mario Villas Boas )

:: Extinção em massa ( Meio Ambiente - Lecy Pereira )
 
 

 


   



Site administrado pela

Biblioteca ||  Classificados
Sala de Bate Papo