-- Animais & Cia
-- Atualidades
-- Cidades
-- Ciências e Tecnologia
-- Coluna Social
-- Crônicas e Poesias
-- Educacao
-- Empresarial
-- Entretenimento
-- Esportes
-- História e Literatura
-- Humor
-- Informática
-- Internacional
-- Jovens
-- Justiça & Direito
-- Meio Ambiente
-- Pais e Filhos
-- Política
-- Religião Cristã
-- Religião Outras
-- Sexo
-- Terceira Idade
-- Turismo
-- Vida e Saúde
-- X Diversos
.

 
 

Você está em História e Literatura
 
Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

A influência árabe no vocabulário português

O léxico de uma língua é um sistema in fieri e como tal vive em permanente expansão. No caso  específico do léxico da língua portuguesa, como ocorre com outros idiomas do mundo, ele recebe influências de outras culturas - conforme tratamos em artigos anteriores - ora tangido por influência francesa, espanhola, africana, indígena etc. Hoje falamos do legado árabe ao vocabulário da língua portuguesa.

A influência árabe foi marcante em todo o sul da Península Ibérica.  E, mesmo não havendo imposição religiosa e nem lingüística, os árabes, ao conquistarem a Península Ibérica, deixaram marcas profundas no léxico português. Conta-se em centenas os vocábulos árabes, comuns, regionais ou antigos, que o português, antes ainda de merecer este nome, fez seus, adaptando, na medida do possível, os sons da língua semita ao sistema fonológico próprio.  Contudo, por muito importante que seja, esta contribuição limita-se, na verdade, quase exclusivamente, a substantivos, sendo virtualmente inexistentes expressões respeitantes às qualidades morais e outras noções abstratas. Assim, naquilo que toca à significação dos arabismos do português, apontam-se as seguintes  categorias semânticas:

1) designações de cargos e dignidades: alcaide, alferes, almoxarife;

2) termos castrenses: arraial, arrebate, alcácer, alcáçova, atalaia;

3) de administração: aldeia, arrabalde, alfoz; alfândega, alvará, almoeda;

4) de plantas cultivadas e silvestres: arroz, algodão, alcachofra, cenoira, laranja, açúcar, alfarroba, alecrim, açucena, alfazema;

5) de profissões e indústrias: alfaiate, alveitar, almocreve, alvanel, algoz, azenha, atafona, adobe;

6) de unidades de medida: almude, arrátel, alqueire, arroba;

7) de animais: atum, alcatraz, alforreca, alacrau, javali,

8) de particularidades topográficas: albufeira, alverca, algar, lezíria, recife;

9) de artigos de luxo e instrumentos de música: almofada, alcatifa, marfim, alfinete, adufe, rabeca, anafil, alaúde;

10) de produtos agrícolas e industriais: azeite, álcool, alcatrão;

11) da vida pastoril: zagal, alfeire, rês, tabefe, almece;

12) de arquitectura: aljube, chafariz, açoteia, alvenaria;

13) das ciências exatas: algarismo, álgebra, cifra, auge, etc.

Lembro, ainda, o adjetivo <>, o pronome indefinido <>, a interjeição <>, a preposição <>.

Compreende-se, então, que o léxico de uma língua de civilização, como a língua portuguesa, é extremamente complexo na sua composição, pois resulta de um trabalho multissecular de elaboração e de seleção, cujos princípios se situam bastante para além da época em que o português se manifesta como instrumento literário, nos primeiros documentos escritos. E, como sucede com o léxico das demais línguas de cultura, nunca será possível reconstituir todas as fases do vocabulário português e destrinçar a contribuição das muitas gerações que nele colaboraram até se constituir o magno edifício que hoje enche de orgulho o mundo da lusofonia.





Você gostou deste artigo? Então compartilhe com seus amigos:

 
Facebook
Twitter: Google+

-------------------------------------------------------------------------------------------------------
s
s
------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O botão de comentário acima irá acionar o colunista para te postar uma resposta sobre o comentário. Ou, se preferir, comente usando seu perfil do Facebook:




:: Apreciação literária: Paz Guerreira de Talal Husseini. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: Ariano e sua eterna luta contra moinhos que não são de ventos. ( História e Literatura - José Flôr )

:: História das mentalidades: O Esperanto. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: Coração da Mata ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: O redescobrimento do Heliocentrismo e da esfericidade da Terra. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: Considerações literárias: diários, semanários e mensários...qual é a melhor escolha? ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: Quinze de novembro de 1889 – O golpe da República e a interrupção do processo civilizatório. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: A arte de viver só ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: A desesperança em Wander Piroli ( História e Literatura - Lecy Pereira )

:: O mito da palavra Saudade ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: A Cultura do hedonismo e o Vale+ Cultura ( História e Literatura - Mauro Moura )

:: Profissionais da História ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: A riqueza dos hipônimos e dos hiperônimos ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: A Fábrica de Robôs ( História e Literatura - Lecy Pereira )

:: Da Família Imperial aos funcionários públicos: a destruição das imagens na História. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: A simbologia da Páscoa ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: As línguas indígenas amazônicas: salvá-las ou deixá-las morrer? ( História e Literatura - Luisa Lessa )

:: Mitologia e História: E os heróis míticos. ( História e Literatura - Roberto Bastos )

:: Pequeno Inventário das Línguas Africanas ( História e Literatura - Antonio Carlos )

:: As palavras comandam a vida ( História e Literatura - Luisa Lessa )