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Alexandre Andrade

[ Alexandre Andrade ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estudante de Comunicação Social na UnB. É roteirista de uma empresa Jr de audio visual da faculdade.

 

Não se aproxime. Animais Urbanos.

   No meio da cidade havia um bosque. No meio do bosque passava uma lagoa. No meio da lagoa morava Tork, o crocodilo mais temido do país. Tork era um crocodilo grande e astuto, o dono daquela lagoa, e, ninguém colocava a sua supremacia em cheque. “22”: Esse era o número de seres humanos que Tork já havia devorado em seus 15 anos de vida.

    O perigoso réptil não fazia distinção entre homens e mulheres nem entre velhos e crianças. A lagoa era o seu habitat e qualquer animal que entrasse ali era, para ele, apenas uma refeição. “Lá se vai mais uma vítima do Crocodilo assassino”: diziam as manchetes dos jornais. E foi assim que, gradualmente, o pobre animal se tornou odiado pela cidade inteira. O que os jornais e as más línguas não diziam é que aquele bosque era uma área de preservação ambiental e com acesso restrito, ao re dor da lagoa havia dúzias de placas claras e objetivas com o seguinte aviso: “NÃO SE APROXIME. ANIMAIS SELVAGENS”

   Os alertas e as mortes anteriores nunca conscientizaram o povo.  Mortes e mais mortes aconteciam e a culpa caia sempre sob Tork. “Um legítimo matador de sangue frio.” Dizia o professor, “A morte em forma de animal!” dizia o apresentador de TV, “Uma criatura vil e diabólica” dizia o padre. Em meio a tantos comentários preconceituosos e fúteis, nasceu a lenda de que aquele singular réptil era o maior vilão da cidade. Porem, aos olhos da razão, o crocodilo era a vítima da história. Sim, vítima, afinal o crocodilo matava por fome e vivia em seu habitat natural. A verdade é que Tork nunca deu motivo para ser julgado como cruel.

   Muito tempo depois, o bosque de Tork  foi abandonado e suas grades, arrancadas. As árvores foram desmatadas para a construção do mais novo shopping. A lagoa que, antes era protegida se tornou o maior lixo público do Brasil. Muito por ignorância e mais ainda por vingança todos poluíam o lar do “Crocodilo assassino” e faziam isso com a tranqüilidade de quem pensa: “Ah esse réptil idiota, já matou tanta gente, estou fazendo bem de tacar meu lixo onde ele mora. É um jeito da cidade se vingar e mostrar pra ele quem é que manda.”.

   Sem proteção, sem piedade e sem casa, Tork fugiu daquelas águas esperando encontrar outro ambiente mais saudável. Quando saiu de seu pacato ambiente, o crocodilo não viu outro lugar para morar, não viu outros de sua espécie e, infelizmente, não recebeu nenhum aviso do tipo: “NÃO SE APROXIME. ANIMAIS URBANOS.” A única e última coisa que o pobre réptil viu foi um policial que, apavorado, atirou na sua cabeça. Foi uma morte rápida, a bala perfurou a escama e o crânio do crocodilo facilmente e o matou em um instante.

   Ninguém nunca mais falou do crocodilo assassino na cidade. Nenhum cidadão agora tem coragem de se aproximar daquela lagoa fétida e repugnante. E a única coisa que resta do imponente Tork está atrás de uma vitrine em uma loja chique: “PROMOÇÃO: Bolsa de legítimo couro de crocodilo por apenas 3X de R$2.300”.

   No meio da cidade havia um bosque. No meio do bosque passava uma lagoa. No meio da lagoa morava um crocodilo. Não há mais bosque nem lagoa e nem crocodilos. Há apenas uma cidade de sangue frio, de pessoas fúteis, egoístas e desprezíveis.





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