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Mario Villas Boas

[ Mario Villas Boas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Engenheiro Químico e Advogado. Trabalha no centro de pesquisas da Petrobrás

 

Tragédia na Serra

            Mais uma vez chegamos na estação das chuvas e elas, ao chegarem, trouxeram consigo um rastro de destruição. Mais uma vez autoridades, vítimas e parentes de vítimas agem como se isso fosse uma grande novidade. Como se no ano passado as chuvas não tivessem causado vítimas nesta mesma época do ano. E também no ano anterior, e no outro antes dele, e no outro e no outro. E, com toda a certeza, vai acontecer de novo no ano que vem. Aliás, este articulista já havia advertido para isso.

                Alguns dirão que este ano a chuva foi mais forte do que o habitual. Afinal, em algumas cidade, choveu em um dia mais do que o esperado para todo o mês. Há algo de verdade nisso, mas esse não é o motivo de tantas mortes. Em primeiro lugar, os jornais noticiam que há 30 anos houve uma tragédia parecida. Um evento que se repete a cada 30 anos, não é exatamente um evento raro quando se leva em conta o tempo que se espera que uma cidade exista. A cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, foi fundada em 1555, ou seja, tem cerca de 450 anos de idade. Se neste período houve uma chuva com esta intensidade a cada 30 anos, isto significa que esta cidade já viu, em sua existência, 15 temporais com esta intensidade. Isto deveria ser suficiente para que ela tivesse aprendido a conviver com chuvas desta intensidade. Ou, pelo menos, ter um sistema de emergência preparado para atender as inevitáveis consequências destes cataclismas periódicos.

                Não é preciso ser um entenheiro, geotécnico ou ter qualquer formação ligado à área de construção civil para, caminhando pelo Estado do Rio de Janeiro, identificar uma enorme quantidade de construções feitas absolutamente sem qualquer técnica, desafiando as mais elementares normas de segurança. Favelas proliferam por toda a parte e mesmo construções mais sofisticadas, feitas com técnicas mais avançadas e materiais de melhor qualidade são feitas sem a observância de algumas normas de segurança. Membros da elite econômica deste país estão tão acostumados a se colocarem acima das leis humanas que acham que também podem se colocar acima das leis da física. Ano após ano, eventos meteorológicos dão repetidamente a mesma mensagem, mas parece que a massa da população neste país é incapaz de aprender essas lições simples.

                Quase todo o território brasileiro situa-se em região tropical sujeito a chuvas torrenciais. É loucura pensar que podemos conviver com construções incapazes de resistir a uma chuva com esta intensidade. É possível construir de modo seguro em encostas íngrimes, mas é extremamente caro. Com tanta gente precisando de moradia, porque gastar mais com costruções assim? Porque não ocupar racionalmente os terrenos mais fáceis?

Rios enchem quando chove forte. E temos chuvas fortes todos os anos. Então não se pode construir muito próximo do leito dos rios, pois inevitavelmente ele transbordará quando vier uma chuva forte, fato que se repete todos os anos. Como é possível que essa lição tão simples não tenha sido aprendida após tantos anos de repetidas tragédias?

Pela primeira vez vejo os meios de comunicação chamando atenção para o fato de que fatos assim já aconteceram em passado não muito distante. Parece que alguém se parece disposto a aprender com essas tragédias. Esperemos que não seja preciso mais muitos cadáveres para que as autoridades aprendam a não permitir tantas e tão disseminadas construções irregulares.





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