Todos os anos centenas de pingüins-de magalhães chegam a costa brasileira, em especial no sul do país. Essas aves migram da costa patagônica em busca de alimento entre os meses de março a setembro e são trazidas ao Brasil por correntes marítimas. No entanto, há muitas controvérsias sobre qual deve ser o destino destas aves que são recolhidas em nosso litoral. Alguns especialistas acreditam que os pingüins devem ser devolvidos de volta ao seu habitat de origem após um processo de reabilitação, em contrapartida outros acham que não.
Os que defendem a não devolução dessas aves atestam que esses animais podem estar infectados com alguma enfermidade resistente à água do mar e que um pingüim contaminado que entre em contato com a colônia, é capaz de dizimar uma população inteira. Além disso, a morte destes pingüins é considerada um desgaste natural e um mecanismo da natureza para controlar sua população, dizem os pesquisadores que são contra a recuperação dessas aves. Esses defendem, ainda, que o ideal é encaminhar os animais para um zoológico ou aquário que tenha condições de cuidar deles, com biólogos e veterinários especializados e com outros indivíduos de sua espécie, já que são animais gregários.
Ano passado, durante o derrame de petróleo no Golfo do México uma bióloga alemã causou polêmica quando afirmou que as tentativas de limpar aves cobertas de petróleo eram em vão. Para o bem desses animais, seria mais rápido e menos doloroso se os indivíduos que fazem o resgate dos animais os matassem.
Essas afirmações deixaram muitos especialistas que possuem anos de experiência em resgate e reabilitação de aves revoltados, visto que muitos centros de reabilitação só existem devido à grande presença de animais debilitados no litoral brasileiro. Esses pesquisadores acreditam que os pingüins devem ser devolvidos à natureza. E que os zoológicos não devem ser somente um local de exposição, mas um centro de recuperação de animais também. Os pesquisadores dizem ainda que os pingüins que chegam a costa não são descartes naturais como alguns afirmam, mas muitos se perdem por causa da escassez de alimento causada pela pesca excessiva do homem, ou por derrames de petróleo no mar, o que não é natural.
A decisão de devolver o animal à natureza é complexa e precisa ser reavaliada em vários momentos. O retorno é válido e uma das melhores alternativas a se fazer, desde que seja feito com o maior cuidado possível. O homem interfere no habitat destes animais, em virtude disso, os profissionais especializados nessa área acreditam que possuem uma obrigação moral de intervir, desde que isso seja feito de maneira adequada, sob supervisão rigorosa de veterinários e biólogos experientes. É preciso ter um programa adequado, com controle de doenças e que não exponha os animais a uma situação de risco. Diante disso, somente profissionais capacitados devem fazer a reabilitação e decidir quando e onde devolver os animais.