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Você está em Meio Ambiente
 
Alexandre Andrade

[ Alexandre Andrade ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Estudante de Comunicação Social na UnB. É roteirista de uma empresa Jr de audio visual da faculdade.

 

Inevitável

Em uma sala de madeira estava um senhor de idade assistindo uma novela enquanto o seu pequeno neto lia um antigo livro de biologia. Ao abrir a página do capítulo sobre animais, o menino mostrou o livro ao seu avô e perguntou:

- Vovô, você já viu um desses?

    Na página aberta estava a imagem de um tigre e pequenos textos com detalhes sobre as dimensões e hábitos do felino. O avô, com uma expressão desanimada, r espondeu:

- Claro que já vi um desses, já vi vários. Na minha época, todos os meninos admiravam o tigre por sua força e destreza. No zoológico da cidade a jaula dos tigres era a atração principal e, na televisão, sempre passava algum programa interessante sobre eles. É... confesso que poucas coisas para mim eram mais emocionantes do que imaginar um Tigre imponente e astuto caçando pela savana. Seu corpo listrado o deixava invisível e nenhum animal era capaz de escapar de seus dentes afiados.

    O menino se empolga com os detalhes que seu avô lhe relata e pergunta:

- Caraca, vô! Nossa, não acredito! Deve ser muito massa ver um tigre de verdade. O senhor pode me levar no zoológico esse sábado pra eu ver um grandão desses de perto?

- Infelizmente não... detesto ter que te falar isso mas... não existem mais tigres hoje em dia, garoto. Os seres humanos caçaram todos os tigres e destruíram seu habitat, no fim, restaram só os tigres que eram mantidos em zoológicos mas até esses morreram com o tempo. Ainda me lembro perfeitamente quando o homem do jornal anunciou a manchete: “Morre hoje o último tigre do mundo” não só ele mas toda a humanidade se envergonhou daquela notícia.

    Alguns minutos de silêncio se passam e a criança continua a folhear o livro, para em uma outra página, mostra ao seu avô e pergunta: 

- E esse bicho aqui chamado “Baleia”, vô? Você já viu um desses?

O avô do menino se entristece, encara os olhos do neto por alguns instantes, respira fundo e responde:

- Se eu já vi uma baleia? Filho, as baleias eram animais imensos que pesavam muitas toneladas. Corriam risco de extinção quando eu ainda era da sua idade. Nunca tive o privilégio de contemplar uma baleia nadando perto de mim mas já vi muito sobre ela em documentários e revistas. Era um animal gigante e estupidamente pesado, mas acredite se quiser, esse mamífero nadava mais graciosamente do que um peixinho dourado. Foi muito triste quando, no ano 2027, eu soube que todas as espécies de baleias haviam sido extintas.

- Extintas? Como assim vô? Para que matar animais tão extraordinários?

- Eu também me perguntava isso sabe... aí um dia eu descobri que existem vários motivos. Matávamos as baleias para fazer perfumes, cremes, óleos e outros diversos tipos de cosméticos. Cada pedacinho da baleia podia virar algum produto industrial, aproveitavam até os ossos para artesanato e outras coisas. Chato é pensar que ainda temos perfumes, ainda temos óleos e ainda temos artesanato... só não temos mais baleias.

    Sem dizer mais nada, o menino continuou a fuçar o livro de seu avô e, minutos depois, mostrou outra página para ele e disse:

- Vô, e essa tal de “Ararinha-azul” ainda existe?

- Não. Essas já foram dizimadas há muito tempo... não tive o privilégio de vê-las livres a voar pela natureza. Elas eram vendidas clandestinamente em pequenas gaiolas e a maioria morria nas viagens e na troca de ambientes. As últimas que restavam eram as do zoológico de São Paulo, um belo dia cientistas estrangeiros vieram aqui no Brasil e, em uma inútil tentativa de clonar as ararinhas, mataram as aves.

    O neto decepcionado fecha o livro, limpa algumas lágrimas que lhe escorrem na cara e vai saindo da sala. O vô do menino fica comovido e pergunta:

- O que houve garoto? Por que você está chorando? Foi alguma coisa que eu disse?

- Nada, vô. Só achei que esse livro fosse de Biologia e não de história.





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