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Paulo Hijo

[ Paulo Hijo ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma boa literatura pode resultar muito benefícios; e a leitura, que é um processo de divertimento, proporciona tanto o repouso, a suspensão da fadiga, assim como a catarse e a educação.

 

O Homem do Saco

Ele andava maltrapilho a catar latas pelas ruas. É, naquela época, havia muitas latas nas latas de lixo - não havia sacos de lixo. As donas de casa só podiam consumir oléo, banha, margarina, manteiga, cera para assoalho e tantos outros produtos em embalagem de metal.

Então, ele era visto com seu paletó surrado e com seu saco nas costas. Tirava o seu sustendo com a venda das latas. Não era visto mendigando e nem pertubando as pessoas. Nunca fez mal a uma criança, no entanto  as crianças tinham medo do pobre coitado. Ele apenas não batia bem da cabeça. Anomalia que não fazia dele um ser ruim, Pelo contrário, era pacífico ao extremo. Não era dado às conversas, mas adorava fazer caretas para ver as  pessoas rirem.

Quando as crianças dali faziam algo de errado e se comportavam mal, os pais as ameaçavam dizendo que, se não os obedecessem, o homem do saco as levariam embora. As crianças, por medo do tal homem, sem ter outro jeito, obedeciam seus pais. Assim, os pais viam no pobre catador de latas uma maneira de se fazerem obedecidos e respeitados. Tudo em detrimento do coitado do fazedor de caretas. É, a coisa ficou de uma tal maneira, que certas crianças não podiam ver aquele homem, que corriam para dentro de suas casas.

Hoje, não sei se é visto por aquelas bandas. Se for, que seja de uma outra maneira, principalmente pelas crianças. Tomara que nenhuma delas sinta aquilo que as crianças de antigamente sentiam por ele: medo. Coitado, nunca fez uma maldade, no entanto, fizeram dele um ser mau. Há aí duas maldades: a dos pais que amedrontavam os filhos com a figura do homem do saco e das crianças que acreditavam em seus pais.





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