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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

A internet como fenômeno de globalização e de solidão

A Internet é um fenômeno que revoluciona a vida no mundo, transforma hábitos e costumes, todavia paira, sobre nós, uma indagação: ela aproxima ou afasta as pessoas umas das outras? Como são os lares de hoje e como eles eram no passado, sem a Internet? São questões inquietantes que conduzem à reflexão sobre o bom que é esse veiculo fantástico de comunicação, que aproxima pessoas de mundos distantes, ao tempo em que distancia outras que vivem tão próximas, por vezes sob o mesmo teto.

Se de um lado há os defensores de que a Internet chegou para unir os povos, expor idéias, trocar informações diversas, unir raças, credos e culturas, por outro lado há aqueles que a vêem com outros olhos, alegando que à medida que as pessoas "se conectam" à virtualidade, deixam de existir na realidade. Em verdade, as pessoas, nessa era da globalização, da Internet, levam muito mais horas "plugadas" do que no convívio social propriamente dito. Terminam por se tornarem solitárias, carentes de afeto.

Dessa forma, ao tempo em que "a rede" liga as pessoas dos mais diferentes países, acaba afastando aquelas de países próximos e até do mesmo país, mesma cidade, mesma família, mesma casa. Costuma-se ouvir que as pessoas mais tímidas se soltam mais virtualmente, criam personagens que não expressam suas realidades, inventam nomes, histórias de vida, profissões, coisas que existem num mundo de fantasia. Em face dessa realidade, indaga-se até que ponto isso é bom e saudável?

À medida que os personagens são criados e explorados nas conversas virtuais, aquela pessoa que se entrega a esse personagem, se fecha cada vez mais para a realidade. Uma coisa pode compensar a outra, mas então onde ficará o seu "eu" verdadeiro? Certamente mais solitário. As relações interpessoais se resumem a textos, ao teclado, a tela à sua frente, e só isso, nada mais. Ao tempo em que se liga ao mundo as pessoas de isolam do mundo. É um paradoxo.

E nesse mar de “virtualidades”, os seres humanos estão debruçados, horas a fio, dormem pouco, outros comem diante da tela, dali não se afastam por infinitas horas. A Internet é como um ópio a seduzi-los. São hipnotizados pela “rede” e nela fazem morada, conversam, namoram, trabalham, tudo isso num ambiente de “virtualidade”. Tudo isso é a chamada “moderna tecnologia” que veio para ficar e não deveria ter surgido para "separar" os povos. Essa questão é muito relativa, pois a Internet que une pessoas é a mesma que separa, segrega, mascara, esconde.

Como faço parte de uma geração que adora conexões humanas, sentir calor, odor, olhar nos olhos, somos, por isso mesmo, seres humanos conectados por veias, por onde o sangue passa, fazendo pulsar nossos corações. A integração social se faz necessária sempre, seja ela em qualquer época. Falo de relação "cara-a-cara", muito mais humana do que a relação virtual, que é fria, dissimulada e irreal. Não prego o retrocesso da tecnologia, pelo contrário, acredito que ela possa algum dia unir os povos, em busca de um mesmo ideal: a paz e a harmonia. Mas a tecnologia deverá ser, apenas, um utensílio para a conquista desse ideal, e não o instrumento principal.





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