Explodiram com a vida do Bin Laden e, confesso, não fiquei nem um centímetro mais feliz por isso. Sei que muita gente pode se chocar com essa afirmação, mas é a mais pura verdade. A notícia me chegou fria, como um namoro que termina, nas primeiras horas da manhã ao abrir a primeira página da Internet. Certo é que se tratava de um terrorista-genocida-fanático, o que, nem de longe, justifica por si só o seu extermínio sem um julgamento, no mínimo, com direito de defesa.
Os ¨homens desse tipo¨ não merecem defesa, nem julgamento, nem serem ouvidos em um tribunal, decretaram os americanos e as metralhadoras bateram o martelo. Não duvido que tenha sido ele o autor dos atentados terríveis de 11 de Setembro, dia que o mundo somente esquecerá quando decretado o fim dos tempos. Não guardava nenhuma simpatia por ele. Provavelmente me recusaria a apertar-lhe a mão e não gostaria de dividir uma mesa de refeição ao seu lado, mas nem por isso coloco de lado minha consciência e acredito ser justo tê-lo liquidado daquela forma se outra maneira havia de puni-lo.
Os relatos que chegam são sombrios e resta uma certeza: o terrorista foi executado sumariamente sem chance de defesa. Uma coisa é alvejar um inimigo no campo de batalha. Digamos que seria a morte digna, pelo menos diante da ótica atual do código moral desta humanidade. Foi indigno lançar aviões contra as torres gêmeas e não foi menos digno executar o autor na calada da noite, desarmado e pronto à rendição, conforme parece ter ocorrido.
O que fazemos diante dos nossos inimigos nos torna melhores ou piores do que ele. Prefiro seguir a linha cristã e perdoar aos inimigos, o que não significa que devo me tornar amigo deles ou esquecer dos seus crimes, mas que devo ter para com eles uma conduta muito mais digna e correta do que a que tiveram para comigo.
Bin Laden merecia a morte? Quem sou eu para dizer. Não seria melhor deixá-lo viver para que convivesse com seus crimes, para que ouvisse em um tribunal o relato doloroso de cada mãe, de cada filho, de cada esposa que perdeu os seus entes queridos? Existem punições piores que a morte. Essa é, por vezes, um alívio para o malfeitor. No entanto, sei que minha forma de pensar é um ato isolado.
Os americanos não o queriam vivo. Sabiam que poderia haver uma avalanche de atentados, de seqüestros, de crimes exigindo a sua libertação. Nem mesmo exibiram o seu cadáver para não alimentar ainda mais a sanha demolidora dos seus seguidores. Há que se ter muita habilidade em lidar com os insanos e a não exibição das fotos do cadáver é um ponto que não posso deixar de destacar como acerto nesta catástrofe de erros.
Se os americanos fossem dignos o seqüestrariam naquela noite e o deixariam viver os últimos dias em uma prisão secreta. Não revelariam o fato a ninguém e somente divulgariam que ele morrera após passar os últimos dias de sua vida assistindo a depoimentos dos parentes das vítimas que aniquilara com seu gesto. Se Obama fosse digno não teria transformado Bin Laden no seu cabo eleitoral. Cheguei ao ponto: Bin Laden salvou da derrota eleitoral o combalido Bush ao detonar o WTC. Salva agora Obama com seu extermínio que Hollywood ainda há de mostrar.
Bin Laden não merecia morrer antes de ouvir, de ver e de sentir a dor de cada parente das suas vítimas. Entretanto, mantê-lo vivo e oculto não renderia votos. A morte lhe foi leve. Que Obama tenha pela frente o que merece depois de eleito e que os americanos durmam com um barulho desses...