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Albino Sobrinho

[ Albino Sobrinho ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Instrutor de Meteorologia Geral e Operacional, de inglês técnico e de Tráfego Aéreo Internacional (TAI). Diretor pedagógico da EESD na Base Aérea e do Insight English Center.

 

Campo Santo: Entre a Vida e a Morte!

Quem disse que construir muro em volta de cemitério é um trabalho desnecessário?! Mesmo que o féretro não possa mais sair e que o vivo não queira morar lá, é preciso muro alto com sistema de segurança para garantir a sua integridade! Há os cães papa-defuntos perambulantes; os vagabundos que depredam túmulos dispendiosos; os viciados que o utilizam para pegar droga mais sossegadamente e os sem-vergonha que aproveitam a falta de vigilância noturna para transformá-lo em motel estrelado. Na cidade que tanto amo, há quatro Campos Santos hierarquicamente distribuídos em setores distintos, de acordo com o nível social do finado ou da família: um campinho para os que nada têm; um campo para os que pouco têm; o tradicional para todo mundo  e um campo grande para os que quase tudo têm. Nos três primeiros têm muro baixo, mas no último há uma fortificação!

De alguma forma, esses Campos Santos, segundo as posses de seus ocupantes, podem ser comparados à política na forma contraditória do discurso. Quem está de dentro não quer sair e quem está de fora fica doido para entrar! Basta ver a efervescência da euforia de cada campanha eleitoral para isso ser evidenciado na mídia e no teor dessa prosa. Cada um que tenha mais argumentos convincentes para ludibriar os mais incautos eleitores. Muitos se intitulam de defensores do direito do povo; outros de médico do pobre; alguns de professor cidadão; poucos de trabalhador social; a maioria de paladino da moralização, etc. e tal. Esse é o assunto para a grande prova da enganação. A maioria tira DEZ na teoria! Mas na prática pós-eleição a média não passa da marca do Zorro! ZERO para o povão!  

Voltemos  aos campinhos... Lá estão eles em áreas modestas, arredias do centro da cidade, um monte de covinhas em desalinho, alguma já desprovida do sinal da cristandade, no meio de ervas daninha! O terreno santo já ficou lotado há um bom tempo, mas é lá mesmo o único lugar certo para o sem-terra se desalojar para ceder à vaga para outro que não tem condição de encontrar lugar melhor para ficar. Nele pode-se ver uma ou outra catacumba dispersa no seu interior. É daquele que tinha um pouco de posse para edificar sua morada final e, com isso, escapar da denúncia vazia para habitar o ossuário coletivo.

No tradicional, a coisa ficou tão complexa ao ponto de chegar à superlotação. Apesar de ser pioneiro e bem localizado; ele, de tão antigo no ofício, já está praticamente aposentado, pois não tem mais lugar para novas hospedagens. Quem entrou, entrou! Quem não entrou, não entra mais! Sua estrutura sofreu implacavelmente com a ação da intempérie, ficando como toda obra pública mal cuidada ao longo dos anos. Pelo menos não ficou entregue às traças e sim aos seus devidos donos: Os mortos! Quando chove torrencialmente, há a tormenta do alagadiço provocado pela correnteza pluvial, dentro e fora dele, causando grande preocupação aos vivos. Quanto descaso com aquele que abriga boa parte da população mais antiga da cidade! Muro caiado, estrutura precária e mal arrumado internamente pelo excesso de contingente, é o tributo que lhe resta por representar um patrimônio histórico que acolheu tantos ilustres e populares da terra.

No campo burguês?!... Nesse aí a coisa é diferente. Ele é particular! Lugar para granfino nenhum reclamar. Se é que isso vai adiantar alguma coisa para quem lá vai morar! Bem diferente dos demais, ele tem quadras organizadas, ruas planejadas e lotes bem alinhados. O ambiente em si tem muitas flores, gramados, arvoredos, lanchonete e tudo mais para receber a clientela, seja ela já inerte ou transeunte. Mas tem que pagar certinho senão é despejado de lá rapidinho!  Nele há todo um ritual para o “housewarming” de cada morada: toldo para proteção solar, muita gente elegante de óculos escuros... No lugar de muitas covas mal cuidadas e de algumas já tomadas por  ervas daninhas dos seus congêneres, existem lá as lápides de mármore com a descrição e epitáfio do hóspede que lá for descansar.

Pois é, amigo!  Mas quando o momento de desencarnar chegar a gente há de ter que se largar da roupa puída que o tempo desgastou em qualquer lugar!  Não haverá mais vida presente neste plano para julgar o luxo ou o lixo das futilidades humanas praticadas aqui. Isso será decidido por alguém! De qualquer forma, ficará em um Campo Santo um marco, ou não, para recordação de parentes e amigos que possivelmente dedicarão uma oração no Dia de Finados! Apenas lembranças, isso sim, pois de certo só restará naquele jazigo sonhos adormecidos, frustrações acalentadas com o putrefato de carne e de ossos nus que se tornarão pó no tempo devido! Afinal, se fosse um merecedor quando um dia desses chegasse, gostaria mesmo era de que restasse apenas da minha caminhada aqui por onde passei as virtudes materializadas nas boas ações que pratiquei para amenizar o sofrimento alheio. Seria um desejo indômito, entretanto, que o vício nocivo à salvação da alma, alimentado pela vaidade banal e pela fraqueza humana, principalmente se uma maldade inconsciente foi cometida no trato com meu semelhante, que isso ficasse sepultado com os dejetos orgânicos e consumido pela decomposição, a fim de que essa coisa não servisse de mau exemplo para aquele que buscasse uma vida dedicada ao amor fraterno e à vontade de Deus!





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