No Brasil, com exceção de alguns rios do Centro Oeste e do Norte, os demais tivemos o dissabor de desmatar todas as margens dos rios, ocasionando a partir daí o assoreamento dos mesmos e a contínua contaminação das águas, tornando-os impróprios ao consumo humano.
Dizem querer matar a cede das pessoas no Sertão, que vivem mesmo em flagelo desde que começou a ocupação por lá, com a transposição do Rio São Francisco. São grandes obras as serem feitas em canais, dutos, hidrelétricas para alcançarem este intento já sonhado por Dom Pedro II que disto só conseguiu fazer o açude de Orós. A promessa do governo federal é a de que iria cuidar melhor do São Francisco, com o retorno das matas ciliares, desassoreamento de trechos do rio, retirada dos esgotos das várias cidades, dentre muitas atividades a serem executadas na tentativa de aumentarem o volume d’agua em seu curso a fim de mitigarem o desvio de água que irão fazer. Porém é o de sempre, promessas infindas e não realizadas e antes de efetuarem estas medidas preventivas já iniciaram as escavações para os canais da transposição.
Em Minas Gerais, no nível das políticas ambientais do governo do estado a coisa não vai muito diferente. Foi prometida a revitalização do Rio das Velhas e só o fizeram em sua cabeceira bem acima da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com direito até a banho no rio. Agora autorizaram o uso das águas do Rio Maranhão, em Congonhas, para alimentar o novo mineroduto dali até o porto no estado do Rio de Janeiro, em paralelo com a ferrovia da antiga Central do Brasil e atual MRS. Ambos os rios, das Velhas e Maranhão são afluentes do São Francisco, todos combalidos pelo excesso e “mau” uso de suas margens, cursos e a própria água.
Isto tudo se tornou um fato tão corriqueiro, tão usual e aceito como normal por todos nós a ponto de não nos importarmos nada, não impormos condições prévias e mesmo cobrarmos valores reais destes perdulários da água, inclui-se aí os falaciosos governos, bem como uma política e normas comuns, sem privilégios para o uso desta dádiva divina da natureza que são os nossos rios.
As políticas dos governos municipais não são muito diferentes dos demais governos, eles seguem a mesma cartilha de “mau” uso dos cursos d’agua. É a captação de água mal elaborada e sempre exploratória, retirada dos esgotos humanos ineficiente, estação de tratamento de esgotou que custou uma fortuna aos cofres públicos que nunca entra em funcionamento, campanhas ambíguas alertando sobre o uso da água e por aí vai.
Localizadamente, este “mau” uso e exacerbado da água ocorre também em Itabira – MG e é o extrato de tudo o que se faz no país em um único lugar.
A principal fonte de água potável, a Pureza, está sendo vítima da especulação imobiliária; foi lançado o programa “Mãe D’agua” em 2006 para recomporem as matas ciliares dos afluentes do Ribeirão Pureza e muito pouco ainda foi executado. Haja inépcia!
Com o excesso de uso e rebaixamento do lençol freático de Itabira por conta da grande mineradora e obviamente com o não pagamento ou preços aviltados para o uso da água por ela, dizem que a solução para abastecer a cidade é com a captação no Rio Tanque, fazendo com isto a transposição da bacia deste curso d’agua para a do Rio Piracicaba, coisa que já vem sendo feita pela mineradora há décadas.
Coitado do nosso Rio Tanque, que a trezentos anos vem sofrendo com a exploração e abastecendo várias fazendas e as cidades de Itambé do mato Dentro e Santa Maria de Itabira e nunca teve um bom trato além da retirada do esgoto urbano de Itambé.
Com suas matas ciliares totalmente inexistentes e Itabira retirando água de um de seus afluentes, o Córrego do Gato, além de pretender passar a retirar a água dele e novamente ocasionando mais uma transposição de bacias.
O Rio Tanque para mim que o conheceu volumoso, pode ser atualmente qualificado como um ribeirão e dependendo do volume de água que pretendem retirar dele para abastecer Itabira, o mesmo será rebaixado mais ainda, será para córrego!
Temos uma LOC (licença operacional corretiva) a ser discutida e cobrada da grande mineradora, já que a primeira de 1997 ainda não foi integralmente cumprida. Era hora de a mineradora aportar dinheiro nos cofres públicos municipal para a desapropriação da bacia do “Pureza” e a conseqüente transformação daquela APA (área de proteção ambiental) de particular para pública, criação de um ou vários viveiros de mudas nativas, incentivando os produtores rurais a se iniciarem nesta atividade para o fim de recompor as matas ciliares dos muitos cursos e nascentes d’aguas de Itabira e região.
Que isto seja uma política efetiva de nossos governantes e não meramente balelas para engambelar trouxas incautos que a cada dia pagam mais e mais por um copo d’agua.