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Você está em Terceira Idade
 
Isabel Vargas

[ Isabel Vargas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Professora, advogada, aposentada do serviço público. Atualmente escreve crônicas para jornal local bem como sobre máterias relacionadas à profissão.

 

Escondidos

 Pesquisas com idosos revelam que a grande maioria deles sente-se mais jovem do que a idade que realmente tem. Isso corrobora a ideia de que o espírito não envelhece na mesma velocidade do corpo. Com as descobertas da medicina, os avanços tecnológicos, as campanhas realizadas na mídia e as modificações realizadas na sociedade, o corpo retarda o envelhecimento e a aparência. O modo de viver, os interesses, as possibilidades também são outras. O acesso aos bens materiais cresceu. Isto proporciona sensação de prazer, alegria de viver. Pessoas felizes, geralmente vivem mais e melhor, pois não liberam hormônios danosos ao organismo. Ou o fazem em menor escala do que as pessoas infelizes ou depressivas.

Considere-se que as pessoas  cedo eram rotuladas de velha, porque se vivia menos. Hoje a média de vida é em torno de 74 anos. Mas há muita gente vivendo mais, e com mais qualidade de vida.

Uma coisa importante para isso ser obtido é  as pessoas  se cuidarem e como a velhice que temos é aquela que preparamos, a tendência é aumentar mais essa perspectiva de vida.

Poderia discorrer muito sobre a velhice e os novos paradigmas.

Seria falar de tudo que temos constatado no dia a dia, nas nossas relações, daquilo que a imprensa noticia. Por isso achei melhor tratar daquilo que não se mostra com freqüência e sobre o que o marketing age com intensidade para maquiar por serem  coisas dolorosas  que  não gostamos de ver ou mostrar.

Falo da velhice escondida, daquela que é sofrida não pela aparência em si, nem por problemas orgânicos, ou perdas naturais que mesmo retardadas, um dia chegam. E chegam para todos. Independente da boa vida que possam ter levado, da inteligência, de tudo que possam ter realizado de bom para si mesmo, para a família ou para a sociedade.

Falo da velhice das casas geriátricas, do abandono físico ou emocional, da falta de convivência diária com os familiares. Daqueles que tiveram filhos, os ensinaram a caminhar, comer, tomar banho, aprender as primeiras letras, e ainda limparam muitas fraldas – que não eram descartáveis e que ao chegar à velhice não receberam a contrapartida  devida.

Há coisas que podemos dizer que são mitos, outras não. Um deles é que todos os “velhinhos” são bons. Os canalhas também envelhecem. Outras são verdades. E a verdade é que todos gostamos de carinho, de atenção, da companhia daqueles que amamos. Se gostamos quando estamos saudáveis, em plena atividade,  quando a saúde está debilitada, e a perspectiva de futuro não existe, a falta é mais acentuada.  

           O que as pessoas desejam é despedir-se da vida com a sensação de dever cumprido, bem querer dos que o rodeiam, sensação de pertencimento.

 Hoje o destino de grande maioria das pessoas enfermas cuja possibilidade financeira sua ou de familiares é razoável, é a clínica, casa geriátrica, asilo, o equivalente a depósito, arquivo morto, encalhe, dependendo da denominação utilizada em cada seguimento para coisas sem utilização, defeituosas, ou ultrapassadas.

Matam-se os velhos por dentro, antes de sua  partida.

Visitei alguns locais com um grupo de estudos e a triste sensação foi essa, captada no olhar vazio de alguns, no aperto de mão desesperado de outros, em alguns sorrisos nervosos e envergonhados, na ânsia por uma conversa de outros para fugir do condicionamento de comer, ver televisão e dormir. Naqueles que ainda tinham noção de realidade, obviamente. Os demais viviam alheios se é que podemos chamar de vida aquele trágico percurso.





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