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Mario Villas Boas

[ Mario Villas Boas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Engenheiro Químico e Advogado. Trabalha no centro de pesquisas da Petrobrás

 

Religião e Ciência

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            A disputa entre religião e ciência acompanha a história da humanidade há séculos. Essa disputa chegou a gerar mortes, sendo uma das mais famosas a do famoso astrônomo italiano Giordano Bruno, condenado à morte na fogueira por propagar idéias consideradas subversivas acerca da estrutura do universo. Segundo Bruno, este seria infinito, povoado por incontáveis estrelas, cada uma delas parecida com o nosso sol e contendo planetas, alguns dos quais teriam vida como a Terra. Tal idéia pareceu tão perigosa aos religiosos que a simples discussão sobre o tema motivou a condenação de seu autor à morte. Anos depois, outro cosmologista famoso – Nicolau Copérnico – renegou publicamente suas idéias sobre o universo temendo ter o mesmo destino de Bruno.

            Em épocas mais recentes, religiosos – ao menos nas democracias ocidentais – não têm autoridade para condenar ninguém à morte. Contudo, condenações públicas de religiosos a idéias científicas continuam a acontecer, embora sem gerar vítimas fatais. Em fins do século XX e início do XXI, o que tem colocado cientistas e religiosos em trincheiras opostas é a realização de clonagens, experiências com tratamentos genéticos e, em menor grau, reprodução assistida, notadamente com pacientes humanos. Este artigo visa lançar uma luz sobre o que provoca essa hostilidade entre pessoas que, cada um com sua abordagem, visam um melhor entendimento do mundo e da humanidade.

            Alguns dizem que o que causa a divisão é a preocupação dos religiosos com o homem e suas origens, que falta aos cientistas. Esta visão está distante da realidade. Geólogos, paleontologistas e antropólogos têm como campo de estudo as origens do mundo e do ser humano e, por vezes, também se chocam com religiosos. Há ainda quem diga que o que separa cientistas de religiosos é a preocupação com a eternidade da alma e a existência pós morte, existente nos religiosos e ausente nos cientistas. Nem mesmo isso separa cientistas de religiosos. Recentemente, médicos reconheceram que pessoas que tiveram paradas cardíacas prolongadas mas conseguiram, depois disso, ser reanimadas e recuperar a consciência passaram por experiências que só podem ser entendidas como a manutenção da consciência sem que o cérebro estivesse operando. Tais observações geraram estudos científicos acerca da natureza da alma e sua existência desvinculada do corpo físico, que estão sendo feitas em diversos hospitais, notadamente em locais onde se espera que paradas cardíacas aconteçam com mais freqüência e que haja possibilidade de que a vítima possa ser reanimada.

            Fica, então cada vez mais nebulosa a diferenciação entre cientistas e religiosos. Onde estaria essa diferença? Analisando com atenção os comportamentos de cientistas e religiosos, percebe-se que a diferença está no método. O cientista trabalha com o método da experimentação e da verificação. O religioso trabalha com o método da fé.

            O pensamento científico prega que nenhuma verdade está acima da verificação. Tudo o que o cientista aceita como verdade pode ser posto à prova a qualquer momento e, se não passar na prova, deixará de ser aceito como verdadeiro mesmo que tenha sido considerado assim por muitos anos e por muita gente. O verdadeiro cientista jamais se nega a verificar se algo que ele aceitou como verdade, mesmo que por muito tempo, é realmente verdadeiro ou não e também jamais se nega a reconhecer que o que ele até ontem considerava verdadeiro não pode mais ser assim considerado diante de uma prova em contrário que lhe é apresentada.

            O pensamento religioso é conduzido de forma completamente diversa. O religioso baseia-se que certas verdades devem ser aceitas independentemente de comprovação. O bom religioso é aquele que não apenas se nega a colocar tais verdades à prova mas também se dispõe a derrubar qualquer prova em contrário, independentemente do rigor com que tenha sido produzida. Para o religioso, um certo conjunto de verdades fundamentais – conjunto esse que varia de religião para religião – não pode jamais ser contestada. Para um religioso, são "perigosas" quaisquer idéias que, de qualquer forma, coloquem em dúvida tais "verdades" que devem ser aceitas acima de qualquer evidência.

            Entendido tais conceitos, podemos verificar hoje que há religiosos travestidos de cientistas. Quando vemos pessoas que, em nome da ciência propõem seriamente que pessoas que defendem certas idéias recebam algum tipo de punição – mesmo que branda, como de ser expulsa da comunidade científica – essa pessoa não está praticando ciência. Ela está praticando uma religião. Por mais evidências que se tenha de que algum fato seja verdadeiro, um cientista jamais pode querer impedir que outra pessoa – cientista ou não – tente provar o contrário. Ele pode não aceitar a prova. Pode contestá-la. Pode tentar produzir outra em sentido contrário. Mas jamais poderá tentar impedir que qualquer pessoa tente produzir uma prova contrária a algo que ele acredita ser verdadeiro. Ou de divulgar e debater suas conclusões neste sentido. Não se for um verdadeiro cientista. Se fizer isso, estará sendo um religioso, não um cientista.

            Isso pode parecer uma obviedade, mas pessoas que se dizem cientistas estão fazendo isso nesse início do século XXI e chamando isso de ciência. Partidários do aquecimento global causado por atividade humana chegaram a propor punições para quem contestasse publicamente a existência do aquecimento global ou a responsabilidade das atividades humanas sobre ele. Tais pessoas se auto-proclamam cientistas, mas estão usando o método religioso para defender as verdades em que acreditam. Da mesma forma têm sido tratadas as pessoas que têm tentado contestar o extermínio de judeus pelos nazistas no período da II guerra mundial e outros fatos históricos relacionados com aquela guerra. Contestar as conclusões destas pessoas é válido. Mas puni-las por suas idéias é criar uma religião em torno das "verdades" tidas por intocáveis.

            Com tal diferença de método, não há como cientistas e religiosos ficarem de lados opostos. Mas não se engane, leitor: os religiosos não estão somente dentro dos templos. Laboratórios, universidades e centros de pesquisas estão cheios de religiosos usando jalecos brancos e manipulando tubos de ensaio e instrumentos de alta tecnologia.





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