A sociedade civilizada reclama a forma brutal como foi executado o líder líbio. Os direitos humanos exigem investigação. Não é possível que, em pleno século XXI um homem seja arrastado pelas ruas e sumariamente "assassinado" sem direito a plena defesa. Mesmo quando este homem executou e assassinou milhares sem nenhuma chance de defesa.
Kadafi construiu sua trajetória politica e humana em cima do ódio, do revanchismo. Criou inimizades dentro e fora das fronteiras do seu país. Massacrou pensamentos, ideias e ideais. Enlutou nações e famílias com seus atos e atitudes tresloucadas, insanas e torpes. E tudo isto para que? Poder ele tinha. Dinheiro tinha. Tinha um povo que o endeusava. O mundo o recebia como estadista. Era bajulado. O que mais poderia querer?
Contentasse em ser líder de uma nação rica e hoje estaria inscrito nos anais da história como o grande revolucionário da paz, mas não. Kadafi sonhava mais. Queria ser forte, além de valente. Queria ser dominador além de possessivo.
A Líbia conheceu o progresso na era de Kadafi. A Líbia modernizou-se, embelezou-se, conheceu o apogeu e o respeito do mundo externo às suas. A Líbia mergulhou no limbo da maldade humana na era Kadafi. Sonhando em ser dominador, mais temido que respeitado, começou a apoiar grupos terroristas. O solo sagrado da grande nação se vê de repente como lar de facínoras abraçados por um déspota alucinado que se veste orgiacamente de panos se vendo belo, admirado, amado e temido.
Ser temido antes de respeitado. Talvez esteja aí o grande erro de Kadafi enquanto líder e estadista aplaudido.
Kadafi armou um exército de guerrilheiros espalhando-os pelo mundo. O que fazer desta mílicia agora? A morte do grande chefe provocará o desarmamento sumário destas milícias ou o novo governo líbio requisitará esta força paramilitar para se integrar ao seu Exército? A Líbia viveu longo período sob o jugo de uma ditadura orquestrada por um tirano.
O grande trunfo para que a Líbia não se despedace é a educação do seu povo, a identidade de sua gente. Kadafi morreu. Ponto final. Se foi brutamente assassinado, se foi executado, a responsabilidade de julgamento será da história. Muitos líderes, falsos líderes que impõem sua autoridade pela força têm o fim buscado. A união e sociedade destes homens com homens adeptos ao derramamento de sangue provoca iras e raivas. Cria inimizades egocêntricas e dinamiza o desejo de vingança.
Os grupos defensores dos direitos humanos estão fazendo o seu papel. Gritar, reclamar, exigir investigação sob os aplausos daqueles que defendiam bucolicamente o julgamento imparcial, por um tribunal parcial, de Kadafi. Os exemplos atuais da história moderna mostra que isto é fantasia. Hussein foi julgado e condenado por um tribunal imparcial? Sua morte foi injusta? O mundo ficou melhor após a era Hussein?
Outro exemplo é Bin Laden, se é que ele foi morto realmente como a história quer contar. Assassinado ou executado por forças norte-americanas ele foi sumariamente julgado? Teve direito a ampla defesa? Balela de quem não tem palavras para serem ditas e nem voz para ser ouvidos. Kadafi buscou seu fim desta forma, pois, desta forma ele criou fim para muitas famílias, que, mesmo enlutada ainda, foram às ruas festejar a morte do grande tirano.
Poupem munições, defensores utópicos dos direitos humanos. Poupem munições e deixem Kadafi descansar em paz, se pode ter paz um espirito que provocou tantas guerras.
Morreu Kadafi, que viva plena uma nova Líbia, livre do jugo derrotista da ditadura e mergulhada nos braços de uma democracia, quiçá, progressista e humanitária.