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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

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O Encontro de Amós

“Prepara-te Israel para encontrares com o Senhor” (Amós 4:3)

Este não é mais um texto sobre o “Encontro do G12” (o controverso retiro de três dias que compõe a estrutura do Movimento de Igrejas em Células na Visão dos Doze). 

Esse texto é sobre qualquer verdadeiro encontro com Deus (seja no Encontro do G12 ou em outro tipo de retiro; seja em uma igreja, num quarto ou no deserto) porque todo encontro com Deus carrega as marcas descritas no livro do profeta Amós.

“Palavras que Amós... recebeu em visões, a respeito de Israel, dois anos antes do terremoto” (Am 1.1)

Antes que venha o terremoto - E o livro profético de Amós inicia-se com uma datação cataclísmica: a visão foi recebida e anunciada dois anos antes de um grande terremoto. Quando o texto foi registrado, o terremoto já era um fato. Sua menção carrega uma dramática advertência. É como se o escritor estivesse dizendo: Fomos avisados.

O Encontro é inevitável - A primeira característica deste encontro é sua inexorabilidade. Ele vai acontecer, sem direito a escusas ou dispensas. Quando o profeta anuncia “Prepara-te, Israel”, ele oferece àquele povo não um convite (que pudesse ou não ser aceito), mas um aviso: Vocês vão se encontrar com Deus, portanto preparem-se.

Viver é encontrar – do nascer do dia até seu ocaso o ser humano passa por uma série de encontros: com os colegas de trabalho, com o chefe, com a família, com os irmãos de fé, etc. O que é necessário para que haja qualquer encontro? Basicamente duas pessoas (ao menos), um convite e uma razão.

O propósito geral dos encontros é o de aprofundar as relações (a menos que você esteja indo para uma audiência de divórcio ou para um duelo). E mesmo nesses casos, o encontro acaba por “aprofundar” aquilo que existe: o casal fica definitiva e judicialmente separado e os inimigos duelistas “aprofundam” suas divergências ao limite da morte (de onde não há mais possibilidade de qualquer reconciliação).

Outro aspecto presente em qualquer encontro é que as pessoas se “preparam” para ele. E esse “preparo” depende da consciência que temos de quem é aquele com quem vamos nos encontrar e de quem somos para ele. Uma é a roupa para encontrar-se com uma autoridade pública, outra para encontrar-se com uma namorada. O preparo não se limita ao vestir, mas aos maneirismos, as atitudes e ao comportamento em geral: o que vou dizer, como vou me portar?

O livro do profeta Amós pode ser visto sob essa perspectiva de “encontro”. Tudo o que é dito ali a partir do capítulo dois tem a ver com o Deus que convida, a razão do convite e a programação do Encontro.

Quem é o Deus que convida para um encontro? Para que nos preparemos adequadamente para um encontro é necessário saber QUEM nos convida. Se você recebesse um convite para uma reunião com um certo “Luís”, sua disposição e preparação dependeriam do que esse nome significa para você. É o Luís do açougue? O primo Luís, o traficante Luís? Mas, se o mesmo convite estivesse em nome de Luís Inácio Lula da Silva, você não teria dúvida de tratar-se do ex-presidente do país. Saber com QUEM vou me encontrar determina minha preparação para o encontro.

“Aquele que forma os montes, cria o vento e revela os seus pensamentos ao homem, aquele que transforma a alvorada em trevas e pisa as montanhas da terra; SENHOR, Deus dos Exércitos, é o seu nome” (Amós 4:13)

Quando Deus convida, antes ele se apresenta. Ele quer que Israel (ou você) saiba quem é o Deus que chama para o encontro.

O Deus que forma os “montes” é o mesmo que cria o “vento”. Essas figuras de linguagem (monte e vento) oferecem a um só tempo uma idéia de contraste e complementaridade. Montes dão a idéia de estabilidade, de segurança, de permanência. Montes não se movem, não desaparecem. O vento, ao contrário, passa a imagem do movimento, do dinamismo, da fluidez. O Deus completo dos hebreus é um Deus estável e firme como uma montanha e dinâmico como o vento.

Ressalte-se que o profeta não compara Deus ao vento e ao monte, mas diz que o Senhor os formou e criou. Isso passa uma imagem fortíssima ao povo com quem Deus quer se encontrar. Deus é o criador das situações estáveis e firmes, mas também governa o inusitado. Podemos nos sentir seguros no cume de uma montanha. Lá de cima teremos à vista nossos inimigos e deles estaremos protegidos. O alto de um monte parece o lugar mais seguro, mas é também onde mais forte sopra o vento. O mesmo vento que Deus controla; vento que pode precipitar-nos da segurança para uma queda fatal.

O texto também ressalta que esse mesmo Deus que se apresenta e diz Prepara-te para encontrares comigo é o Deus que “pisa as montanhas da terra”. É aquele para quem o Everest é um caco de telha deitado no chão.

É um erro comum confiarmos na estabilidade do momento que vivemos. O sol brilha soberano num céu sem nuvens. Mas o profeta alerta que Deus “transforma a alvorada em trevas”. Ele faz um eclipse repentino se abater sobre nós para nos lembrar que nossa confiança não deriva do sol, dos montes ou dos ventos, mas daquele que criou todas essas coisas.

Lembre-se das promessas de surras que nossos pais nos faziam. Quase sempre elas se faziam acompanhar de uma advertência: Você se esqueceu que eu sou seu pai? Você está pensando que é dono do seu nariz?

Deus também relembra Israel algo que eles pareciam ter ignorado: Fui eu que destruí os amorreus... Eu mesmo tirei vocês do Egito e os conduzi por quarenta anos no deserto (Amós 2:9,10)

A consciência de quem me convida para um encontro desperta a minha consciência de quem sou diante dele. Não posso ir a um encontro com Deus como quem vai a um ringue disputar uma luta entre iguais ou como um negociante que se senta à mesa com outro para discutirem de igual para igual. Sobretudo não posso colocar no meu currículo conquistas, feitos e realizações que não foram de minha autoria, mas que por ingratidão, esquecimento (ou ambos) dessa forma foram creditados.

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