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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

O ser humano é a metade de si mesmo, a outra metade é a sua expressão

   A linguagem é uma atividade de interação social, ou seja, é uma manifestação de competência comunicativa, definida como capacidade de manter a interação social mediante a produção e o entendimento de textos que funcionam comunicativamente.  Essa linguagem possibilita ao ser humano representar a realidade física e social e, desde o momento em que é aprendida, conserva um vínculo muito estreito com o pensamento. Possibilita não só a representação e regulação do pensamento e da ação, próprios e alheios, mas também comunicar idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas e, desse modo, influenciar o outro e estabelecer relações interpessoais, anteriormente, inexistentes.

     A língua, na concepção da sociolingüística, é intrinsecamente heterogênea, múltipla, variável, mutante, instável e está sempre em desconstrução e reconstrução. Ao contrário de um produto pronto e acabado, a língua é um processo, um fazer-se permanente e nunca concluído. É uma atividade social, um trabalho, produzido por todos os seus falantes, cada vez que eles se interagem por meio da fala ou da escrita. Existem tantas variedades lingüísticas quantos grupos sociais que compõem uma comunidade de fala. Essa variação pode acontecer de formas diferentes, até mesmo dentro de um único grupo social.

     Porém, ela não é aleatória, fortuita ou caótica, pelo contrário, apresenta-se organizada e condicionada por diferentes fatores. Essa heterogeneidade ordenada tem a ver com a característica própria da língua: o fato de ela ser altamente estruturada e, sobretudo, um sistema que possibilita a expressão de um mesmo conteúdo informacional por meio de regras diversas, todas, igualmente, lógicas e com coerência funcional. É um sistema que proporciona aos falantes todos os elementos necessários para a  plena interação sociocultural.

     Nenhuma língua permanece estática. Ela apresenta variedades geográficas, sociais e individuais, já que o falante procura utilizar o sistema idiomático da melhor forma que convém. Com essas diferenciações não há prejuízo na unidade da língua, o que existe é a comunicação.

     Na comunicação existe algo comum para o emissor e o receptor que lhes facilita a compreensão. Esse elemento é a norma lingüística que ambos os interlocutores adquirem da comunidade. A norma é instável, pois está presa à estrutura político-social e pode mudar no curso do tempo se o indivíduo mudar de um grupo social. A fala é a imagem de uma norma e varia de usuário para usuário. Dessa forma, é uma ilusão acreditar que a língua possa um dia parar, pois ela é a imagem e a voz de um povo.

     A história da língua portuguesa mostra muitas variedades lingüísticas dentro do grande território brasileiro. Do norte ao sul se fazem presentes o falar amazônico, o nordestino, o baiano, o mineiro, o fluminense, o sulista entre outros que se subdividem, formando uma vasta diversidade ou aquilo que se pode chamar de ‘uma ampla colcha de retalhos’.

     No dizer do gramático Mario Perini (2001), há duas línguas no Brasil: uma que se escreve (e que recebe o nome de “português”); e outra que se fala (e que é tão desprezada que nem tem nome). E é esta última que é a língua materna dos brasileiros; a outra (“o português”) tem de ser aprendida na escola, e a maior parte da população nunca chega a dominá-la adequadamente.
      Na realidade não existe sistema escrito capaz de reproduzir fielmente a riqueza da língua falada. O que acontece é que existem graus de diferença nesta distância entre as duas formas da língua. As diferenças entre essas formas se acentuam dentro de um continuum tipológico (BIBER, 1988) que vai do nível mais informal ao mais formal, passando por graus intermediários. A informalidade consiste em apenas uma das possibilidades de realização, não só da língua falada, como também da língua escrita.

      A civilização tem dado uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais básica, uma expressão oral, porque ‘o ser humano apenas metade de si mesmo; a outra metade é a sua expressão’.

 

DICAS DE GRAMÁTICA

PROFESSORA, FUI ASSISTIR AO JOGO NO ARENA DA FLORESTA ou FUI ASSISTIR AO JOGO NA ARENA DA FLORESTA?
- Ora, preste atenção: sendo Arena da Floresta um Estádio de Futebol, estádio é palavra masculina. Então, diz-se assim: O Estádio Arena da Floresta. Logo a expressão correta é: Fui assistir ao jogo no Arena da Floresta. Pronto, não erre mais!

À MEDIDA QUE ou NA MEDIDA EM QUE, PROFESSORA?
- Preste atenção ao contexto,à situação de uso, assim:

1)Na medida em que vocês concordam, nós também concordamos (a locução exprime relação de causa).
2) À medida que vocês iam chegando, nós ficávamos mais felizes (a locução exprime desenvolvimento gradual).





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