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Mario Villas Boas

[ Mario Villas Boas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Engenheiro Químico e Advogado. Trabalha no centro de pesquisas da Petrobrás

 

Óleo no Mar

            O vazamento de petróleo do poço no campo de Frade, de responsabilidade da empresa Chevron pode ser um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. O vazamento apresenta uma conformação sui generis, uma vez que sua fonte não é o poço mas o fundo do mar. Imagens obtidas por veículos de operação remota (ROV, como são conhecidos na indústria do petróleo) mostram o óleo saindo do chão e subindo para a superfície do mar. Cabe uma explicação para quem não é afeito às peculiaridades da indústria do petróleo.

            Para haver uma acumulação comercial de petróleo, é preciso que três rochas diferentes estejam numa conformação favorável, além do tempo necessário para o petróleo se formar e acumular. São elas:

1)      a rocha geratriz

2)      a rocha reservatório

3)      a rocha capeadora.

            Muita gente se surpreende ao saber que o petróleo não é formado nos locais onde são encontrados. Mas, segundo os geólogos, é assim que a coisa acontece.

            O petróleo forma-se na rocha geratriz, que é normalmente um folhelho (rocha composta de argila compactada). Folhelhos normalmente são muito pouco permeáveis, de modo que normalmente é impossível ou anti-econômico retirar o petróleo diretamente dele, onde o petróleo é formado. Por isso é mais conveniente retirá-lo de uma rocha reservatório, que é uma rocha permeável que recebe o petróleo formado dentro da rocha geratriz. A migração do petróleo da rocha geratriz para a rocha reservatório é um processo que leva milhares ou milhões de anos.  Mas a natureza é paciente. Decorrido esse tempo, a rocha reservatório recebe volumes incomensuráveis de óleo e, com sorte, conhecimento geológico e uma correta interpretação do mapeamento sísmico, os geólogos encontram essas acumulações e as empresas de petróleo fazem a festa.

            Mas o petróleo degrada-se rapidamente se em contato com o ar. Para que a rocha-     -reservatório possa conter adequadamente esse óleo ela deve estar abaixo de uma rocha impermeável que a impeça de prosseguir sua migração até a superfície. Esta é a rocha capeadora.

            A estranha conformação do vazamento, que vem do fundo do mar e não do poço, sugere que o que aconteceu foi uma fratura na rocha capeadora. Para conhecer os detalhes será necessário ler os bolhetins de operação da sonda referentes aos dias imediatamente anteriores à detecção, mas os indícios são de que os operadores do poço por algum motivo comunicaram uma pressão muito alta ao poço. Esta pressão foi tão alta que além de fraturar a rocha-reservatório (uma operação rotineira na indústria do petróleo) parece ter fraturado também a rocha capeadora. Com isso, a rocha capeadora perdeu sua capacidade de manter o petróleo no reservatório. Ele agora passa pela fratura.

            Se foi isso que aconteceu, só consigo ver uma solução. Cimentar o poço não vai adiantar. Aliás, já foi tentado e já foi verificado que não resolve. A solução que eu vejo é perfurar um poço horizontal a uma profundidade pouco abaixo da rocha capeadora pouco abaixo da fratura, seguindo o traçado da mesma em toda sua extensão. Terminado o poço, deve ser feita uma compressão ("squeeze") de cimento para forçar o cimento a penetrar na fratura da rocha capeadora. E torcer que ele endureça antes de ser expulso de lá por mais óleo que tente percolar pela fratura enquanto o cimento ainda pode escoar.

            Essa operação é demorada e cara. Mas se o problema for realmente uma fratura na rocha capeadora, não vejo outra solução.





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