O fim do filme foi revelador. Após ter sido admitida como feiticieira e como pessoa que precisa ser incluída, ela resolve fazer um feitiço,embora tivesse sido advertida para ser discreta. Naquela velha cena clichê, em que o amado carrega a amada no colo e adentram o que vai ser o lar, ela diz que o jardim precisa de arrumação e faz brotar árvores floridas que, além de enfeitarem o mesmo, agraciaram a vizinhança.
Embora a cena pareça comum para um filme com tal título, a mensagem é fantástica. Plante uma árvore e presenteie quem a vê. As cidades estão carentes de beleza. Vândalos destroem as praças, marcam as paredes, destoam o urbano que se pretendia ser bom para todos. A fome imobiliária não permite que se deixe um espaço no jardim: um puxadinho aqui, uma edícula ali, e de repente, não há lugar para plantar uma roseira. Há crianças que nunca viram uma galinha e que se encantam quando vê um pássaro fora da gaiola. É urgente que nos tornemos feiticeiros, dos bons. Tornar a nossa vida melhor melhora a vida de todos ao nosso redor.
Há outras mensagens implícitas na trama. Por exemplo, que devemos aceitar o outro como o outro é. Devemos compreender que o talento do outro completa o nosso.Juízzos de valor podem ser muito preconceituosos.
Diante de todas as mensagens, entretanto, a que finda a estória e que, talvez, nos passe despercebida, reside no fato de que cultivar uma árvore, plantar uma flor, enfeitar a mãe terra é uma atividade que impacta o coletivo. Foi um convite para pensarmos em nossas atitudes diante do modo de viver em comunidade.