A chegada do trem no Brasil, por volta de 1854, trazido por Irineu Evangelista de Souza (Barão e Visconde de Mauá - 28/12/1813, Arroio Grande (RS) 21/10/1889, Petrópolis (RJ)) em uma atitude empreendedora, trouxe modernidade-civilização a um país, que estava em processo de construção, que precisava escoar sua produção, mas que foi mais longe ainda, circulou idéias, transportou famílias, inspirações, pensamentos e intercâmbio. Trouxe o progresso[1].

O trem a vapor foi uma das grandes invenções do Séc. XIX, e que continua funcionando. Criado em 1804 por Richard Trevithick (Cornualha, 13 de Abril de 1771 - 22 de Abril de 1833), um Engenheiro inglês, a sua criação puxou cinco vagões, ao qual carregou dez toneladas de carga e setenta passageiros à 8 km/h, usou carris de ferro-fundido, para realizar. Esta locomotiva, por ser demasiado pesada para a linha-férrea e avariar constantemente, não teve grande sucesso[2].
Em 1812, outro inglês John Blenkinsop (1783– 22 de janeiro de 1831), construiu uma locomotiva com dois cilindros verticais que movimentavam dois eixos, unidos a uma roda dentada que faziam acionar uma cremalheira, também utilizava carris de ferro-fundido, que substituíram os trilhos em madeira usados naquela época.
Porém dois anos depois é que se consolidou a locomotiva aperfeiçoada por George Stephenson (Northumberland, 9 de Junho de 1781 —, Derbyshire, 12 de Agosto de 1848), sua inovação se destinou ao transporte de materiais da mina, conseguiu puxar uma carga de trinta toneladas à velocidade de 6 Km/h. O trem a vapor foi substituído pelo tem elétrico.
No Brasil o trem foi deixado de lado na década de 1950, em virtude da construção de rodovias e da indústria automobilística, ficando a mercê do descaso e da decadência[3].

O surgimento deste meio de transporte criou, desde o Séc.XIX, uma cultura de progresso, embora tenha causado alguns impactos ambientais. A construção e expansão das ferrovias foram dificultadas pelos acidentes geográficos, ainda assim, trouxeram prosperidade e foi auspiciosa em sua jornada.
Embora tenha causado o impacto ambiental, este pode ser considerado mínimo, pois se for observado, o trem seguiu partes das Linhas de Ley, que formavam as trilhas naturais, como se fossem artérias e veias do planeta que cruzam vales e planícies[4].
A viagem de trem tem sido melhor que a viagem realizada por ônibus, por sua velocidade. Porém em matéria de conforto, deixa a desejar, porém compensa pela rapidez e por não pegar engarrafamentos. Lógico que tem muito que melhorar[5].
Embora o trem de longas viagens, foi reduzido a poucos trilhos e linhas neste Brasil, ele nos remete ao prazer da viagem, como nos mostrava o filosofo Schelle em sua obra a “Arte de Passear”.
Aproveitar a viagem é não ter pressa, é vivenciar o caminho, como dizia Lao Tse: “ Mais importante que o destino a se chegar, é a viagem a ser realizada”[6].
E os homens de antanho souberam aproveitar as viagens e os serviços prestados pelos trens, que hoje carrega massivamente insumos.
Referencias Bibliográficas:
1 - Revista de História da Bibioteca Nacional N° 53 - pág. 19 e WEFFORT, Francisco - HISTÓRIA DO BRASIL (org.) Manchete - Rio de Janeiro - R.J. - págs. 459 e 460.
2 - Enciclopédia Novo Século - Vol. 8 - Págs. 1878 e 1379 e www.wikipedia.org (acessado em 1° de janeiro de 2012).
3 - Revista de História da Bibioteca Nacional N° 53 - págs. 15, 19 e 22.
4 - AUBIER, Catherine - A Geomancia - Martins Fontes - Rio de Janeiro - RJ. 1986 - págs. 5 e 6 e REVISTA PLANETA n° 38 - págs. 29 a 31.
5 - Revista de História da Bibioteca Nacional N° 53 - pág. 22.
6 - Tsé, Lao - Tao Te Qing - Martin Claret - Rio de Janeiro - R.J.