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Luiz Phelipe

[ Luiz Phelipe ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Um colunista com uma percepção singular sobre os embates da atualidade

 

A Internet e a fábrica de apedeutas

Eu espero sinceramente que um dia as pessoas compreendam que existem, sobretudo, como funcionam, “ferramentas” chamadas de veículos de comunicação. E comunicação se escora numa relação que enseja CORRESPONDÊNCIA. Destarte venho lembrar-lhes que se tornou uma cultura lamentável a exposição de palavras e imagens grosseiras e absolutamente tendenciosas a fim de (ao menos é como interpreto) gerar conscientização. Eu gostaria de saber em que sistema  catedrático, essas pessoas aprenderam que a construção de um ser consciente se faz de maneira unilateral? Consciência une intrinsecamente conceitos como o de ética, conhecimento e ideias. Confunde-se conscientizar com convencer, impor uma falsa consciência enquanto o indivíduo precisava se conscientizar. O papel daquele que se julga nessa relação de “imposição” é o de ensinar, apenas.

Definitivamente é uma grosseria publicarem foto de vaca pendurada em matadouro clandestino e dizer que ou devemos nos tornar vegetarianos ou estamos contribuindo com isso, o mesmo se aplica a foto de feto jogado no lixo pra dizer que é contra o aborto e que quem luta pela descriminação do ato, é assassino. Porque não discutimos (no primeiro caso), a existência de matadouros não credenciados que torturam os animais, lembrando que os demais não fazem isso, tendo em vista a manutenção da qualidade da carne, já que é a violência que incomoda? Ou então (para o aborto) porque não procuramos foto de criança abandonada em orfanato, passando fome e sendo maltratada (e o Brasil é recordista nesses números) consequência da gestação em mulheres que não tinham nenhuma capacidade de colocar alguém no mundo? É questão de criminalização (justiça) ou saúde pública? A gênese, nesse caso, não seria campanha para o uso de métodos anticonceptivos? Não estou (e nem quero) discutindo o aborto ou o vegetarianismo, só quero elucidar a gravidade de se vulgarizar a comunicação na internet, vendendo um propósito disfarçado e medíocre.

Um dia me disseram, “mas o popular, o leigo, só entende assim”. Porque os “índices” de ignorância são massivos, para nos comunicar com esse público, nos igualaremos aos seu inaceitável nível de instrução por intermédio de uma dialética que propõe uma homogeneidade em decadência? Estamos contribuindo para que esse indivíduo nunca cresça e pior, para nós regredirmos. Não é porque ele não entende que eu usarei de uma linguagem pobre e mesquinha! A conscientização se constrói com troca de informações, não de lágrimas, não sensação de susto ou de nojo. É fácil reivindicar por melhorias na educação como um todo, na classe docente e até mesmo na estrutura física das escolas, mas educação não se restringe a uma sala de aula. O nível de instrução de quem está ao seu redor pode ser influenciado pela sua renúncia tácita ao poder de transmitir informações, quando poderia fazê-lo. Hora de dar um basta a essas fotografias que aparentemente mostram muito, mas além de não dizerem nada, omitem um aglomerado de “verdades” a serem discutidas. Transformação social não é isso.





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