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Mario Villas Boas

[ Mario Villas Boas ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Engenheiro Químico e Advogado. Trabalha no centro de pesquisas da Petrobrás

 

O Período Quente Medieval

            Há anos que se vem tentando demonstrar que os níveis de gás carbônico no ar mostram uma tendência de crescimento. Vários autores tentam relacionar também os níveis de gás carbônico na atmosfera com a temperatura média no planeta. Vários autores publicaram trabalhos acerca do paleoclima estabelecendo esta relação sendo um dos mais comentados o de autoria de Petit et al.

            Normalmente, nestes trabalhos, gráficos são apresentados mostrando a temperatura média no planeta e a concentração média de gás carbônico na atmosfera em vários momentos da vida do planeta , numa escala de tempo de algumas centenas de milhares ou mesmo milhões de anos. Nesta escala de tempo, nota-se que sempre que a temperatura média do planeta é alta a concentração de gás carbônico na atmosfera também é. Quando um e baixo o outro também é. Os arautos do apocalipse, diante desta observação concluem que o aumento da concentração de gás carbônico no ar provoca o aumento na temperatura média do planeta. Mas... e se for o contrário? Pouca gente considera a possibilidade de que o aumento de temperatura seja a causa e o aumento na concentração de gás carbônico a conseqüência. No entanto, há alguns autores que consideram que a relação entre aumento de temperatura e aumento de gás carbônico é exatamente essa: É o aumento de temperatura que causa o aumento na concentração de gás carbônico. Não o contrário.

            Quando se mostra os gráficos de temperatura média do planeta e concentração média de gás carbônico na atmosfera numa escala de tempo de poucos milhares de anos, fica evidente que os picos de temperatura e de concentração de gás carbônico não ocorrem exatamente na mesma ocasião. Há uma defasagem de cerca de 800 anos entre o pico de um e o pico de outro, defasagem essa que não se consegue ver claramente quando se mostra o gráfico numa escala de tempo de 500.000 anos ou mais, como normalmente os ambientalistas fazem. Esses 800 anos de defasagem correspondem a cerca de 0,2% da escala de 500.000 anos, ficando difícil de identificá-la. Mas se esse mesmo gráfico for apresentado numa escala de cerca de 10.000 anos, onde a defasagem corresponde a cerca de 8% da escala, ela se torna claramente visível. Quando se consegue ver claramente essa defasagem de 800 anos, nota-se que o aumento ou diminuição da temperatura acontece ANTES do respectivo aumento ou diminuição na concentração na concentração de gás carbônico. Assim, fica difícil defender que o aumento na concentração de gás carbônico foi o responsável pelo aumento na temperatura que aconteceu 800 anos antes.

            Não é difícil entender porque um aumento na temperatura poderia provocar um aumento na concentração de gás carbônico no ar. Dissolvido nos oceanos há uma quantidade de gás carbônico 50 vezes maior do que a quantidade que está dispersa na atmosfera. O gás carbônico dos oceanos está em equilíbrio com o gás carbônico da atmosfera. Há passagem de um para o outro. O gás carbônico que está hoje na atmosfera pode estar amanhã no oceano e vice-versa. Esse equilíbrio é fortemente afetado pela temperatura. Em se tratando da solubilidade de um gás num líquido, o aumento da temperatura provoca uma diminuição na solubilidade.

            Diante disso fica fácil estabelecer a relação entre a temperatura e a concentração do gás carbônico: O aumento da temperatura na superfície do planeta provoca um aumento na temperatura das águas dos oceanos. Ao menos na camada mais superficial desta. Ao aumentar sua temperatura, a água dos oceanos perde parte de sua capacidade de reter o gás carbônico que estava em solução e o libera para a atmosfera que, assim, aumenta a quantidade que contém deste gás.

            O leitor pode estar-se perguntando o porque da referência ao período quente medieval no meio desta aula de físico-química. Como foi mencionado, há uma defasagem de cerca de 800 anos entre o aumento na temperatura – que ocorre antes – e o aumento na concentração de gás carbônico – que ocorre depois. Estamos vivendo um aumento na concentração de gás carbônico na atmosfera que os ambientalistas atribuem à atividade humana e ficam histéricos quanto à possibilidade de que provoque uma grande catástrofe global. Ocorre que o período quente medieval, mencionado no início deste artigo, ocorreu há cerca de 800 anos. O reflexo daquele aumento na temperatura global ocorrido naquela ocasião – um aumento na concentração de gás carbônico na atmosfera – deveria acontecer cerca de 800 anos depois, ou seja, entre os séculos XVIII e XXII.

            Catastrofistas de plantão adoram propalar que o homem está destruindo o planeta. A mudança do clima global parece ser a bola da vez. Antes de levar a sério a idéia de que a atividade humana possa estar de alguma forma influindo decisivamente no clima em escala global lembre-se que:

1.                  70% da superfície do planeta é oceano. A atividade humana não modifica significativamente esta parte do planeta.

2.                  dos 30% restantes, temos no mínimo cerca de 30% ocupados por geleiras permanentes (árticas ou antárticas), desertos naturais ou montanhas muito altas. A atividade humana também não causa impacto significativo nessas áreas.

3.                  Da parte restante há ainda áreas não impactadas ou por que foram transformadas em reservas naturais, ou por que não é econômico modificá-las ou por outros motivos.

            Diante do exposto acima, a parte da superfície do planeta que está fortemente impactada pela atividade humana é no máximo cerca de 10% da superfície total do mesmo. Será que uma modificação, ainda que radical, causada pelo homem numa fração deste tamanho da superfície do planeta tem condições de provocar um impacto tão profundo em todo o resto do planeta, onde a atividade humana não alcança?





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