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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

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Falta muito para a limpeza

De acordo com informações oficiais, mais de quinhentos funcionários federais foram demitidos, por corrupção, no ano passado, o que, segundo alguns, representa expressiva “limpeza” na máquina governamental, que nem sempre funciona de acordo com as expectativas e necessidades da coletividade. Ainda é pouco, considerando que estes são apenas os que se deixam apanhar, porque os “diplomados em maracutaias” e portadores de “costas quentes” se safam facilmente. O ideal seria que não houvesse razões para tantas demissões, a bem do serviço público, mas aí seria esperar demais de  uma cultura forjada, ao longo dos anos, de olho em facilidades e vantagens em proveito próprio; isso, desde que o governo colonizador aqui sustentou seus apaniguados à frente de legiões de aventureiros e renegados em sua sociedade de origem, também buscadores do mais fácil.

Pergunte-se, aos milhares buscadores nos umbrais de concursos públicos, pelos motivos que os levam à disputa por uma vaga e outra resposta não é obtida: o concurso atrai pelas vantagens inerentes ao cargo, pelo bom salário (bom, antes; depois é questionado mediante greves) e por maior estabilidade. E quando dizem vantagens inerentes ao cargo, não são poucos os que pensam “naquelas”, inconfessáveis e que constituem o maior estímulo à sede com que comparecem aos concursos. À primeira oportunidade, no trato com a coisa pública, o espertalhão travestido de funcionário põe em ação sua mão de gato.

Tudo bem; foram demitidos mais de quinhentos de servidores, mas seria melhor ainda que fossem cassados, também, todos os políticos corruptos, e recuperados todos os valores surrupiados dos cofres públicos ou amealhados à custa do cargo ou função exercida. Políticos, sob a capa partidária e blindados por leis oportunas e protecionistas, praticam toda sorte de improbidades e, se apanhados, desenrola-se à sua volta um teatrinho para a satisfação do público. Ao fim, tudo continua como dantes!

Assiste-se, novamente, ao drama de milhares de pessoas, vítimas de danos causados por chuvas torrenciais ou continuadas, em Minas, Rio e Espírito Santo. Fatos se repetem nos mesmos estados, mesmos locais e, muitas vezes, a envolver as mesmas pessoas. Tragédias humanas continuam a acontecer, periodicamente, por ocasião do período chuvoso, porque providências não são tomadas no impedimento de ações em prejuízo da segurança coletiva, ou porque recursos para obras com o mesmo objetivo são desviados para outros fins ou por apropriação indébita. Depois de alguma exposição negativa na mídia e encenação processual relativa ao crime cometido, o político, com a mesma “cara de pau” de quando é apanhado com a boca na botija, está de volta ao cargo e a disputar eleições.

Faz um ano que várias cidades fluminenses, praticamente, foram destruídas por chuvas intensas, matando centenas de pessoas e arrasando a economia local. Novamente, desventura do mesmo gênero bate à porta daquelas populações e as encontra, praticamente, na mesma situação em que ficaram no ano passado. Recursos chegaram às cidades atingidas, não só para assistência às vítimas, como para a recuperação dos equipamentos públicos, mas não foram empregados ou foram mal administrados. Cabe aqui registro de que nem donativos destinados às populações carentes estão a salvo da corrupção. Material que deveria ser distribuído, gratuitamente, acaba nas mãos de inescrupulosos já acostumados a viver da desgraça alheia.

Só quem já viveu o drama do desalojamento por esses motivos pode aquilatar o grau do sofrimento dessas pessoas. E se engana quem pensa que o pior está no momento do evento em si, porque aí parte da comunidade se solidariza e a vítima recebe amparo; o poder público cumpre sua parte nas emergências. Naqueles momentos em que a natureza parece voltada contra os mais fracos, a coletividade foca sua atenção sobre as vítimas e as coisas se resolvem, de uma maneira ou de outra. Depois, a coisa é outra! Passada a tempestade natural e dispersas as atenções para o plano individual, a situação se normalizando para a maior parte da comunidade, o cidadão flagelado se vê no olho do maior dos furacões: o mesmo coração humano a exercer a tirania do desprezo. De vítima passa à condição de estorvo. Em busca dos seus direitos portas lhe são fechadas; pessoas em posição de dar assistência, tomar providências, prover soluções, se omitem; quando prometem, não cumprem. Audiências fazem crer em seriedade, mas de encenações não passam como satisfação à mídia, ficando o dito pelo não dito para a vítima. Não vale a lei, mas qualquer outro estratagema, mesmo o “desaparecimento” de documentos, ditado pela vontade do mais forte, para que o cidadão atingido se recolha à sua insignificância, na avaliação dos arrogantes.

Diante de toda a lama, que não é só a das enchentes, demissão de meio milhar de servidores é muito pouco, comparada ao número que se precisa cassar para passar este país a limpo!De acordo com informações oficiais, mais de quinhentos funcionários federais foram demitidos, por corrupção, no ano passado, o que, segundo alguns, representa expressiva “limpeza” na máquina governamental, que nem sempre funciona de acordo com as expectativas e necessidades da coletividade. Ainda é pouco, considerando que estes são apenas os que se deixam apanhar, porque os “diplomados em maracutaias” e portadores de “costas quentes” se safam facilmente. O ideal seria que não houvesse razões para tantas demissões, a bem do serviço público, mas aí seria esperar demais de  uma cultura forjada, ao longo dos anos, de olho em facilidades e vantagens em proveito próprio; isso, desde que o governo colonizador aqui sustentou seus apaniguados à frente de legiões de aventureiros e renegados em sua sociedade de origem, também buscadores do mais fácil.

Pergunte-se, aos milhares buscadores nos umbrais de concursos públicos, pelos motivos que os levam à disputa por uma vaga e outra resposta não é obtida: o concurso atrai pelas vantagens inerentes ao cargo, pelo bom salário (bom, antes; depois é questionado mediante greves) e por maior estabilidade. E quando dizem vantagens inerentes ao cargo, não são poucos os que pensam “naquelas”, inconfessáveis e que constituem o maior estímulo à sede com que comparecem aos concursos. À primeira oportunidade, no trato com a coisa pública, o espertalhão travestido de funcionário põe em ação sua mão de gato.

Tudo bem; foram demitidos mais de quinhentos de servidores, mas seria melhor ainda que fossem cassados, também, todos os políticos corruptos, e recuperados todos os valores surrupiados dos cofres públicos ou amealhados à custa do cargo ou função exercida. Políticos, sob a capa partidária e blindados por leis oportunas e protecionistas, praticam toda sorte de improbidades e, se apanhados, desenrola-se à sua volta um teatrinho para a satisfação do público. Ao fim, tudo continua como dantes!

Assiste-se, novamente, ao drama de milhares de pessoas, vítimas de danos causados por chuvas torrenciais ou continuadas, em Minas, Rio e Espírito Santo. Fatos se repetem nos mesmos estados, mesmos locais e, muitas vezes, a envolver as mesmas pessoas. Tragédias humanas continuam a acontecer, periodicamente, por ocasião do período chuvoso, porque providências não são tomadas no impedimento de ações em prejuízo da segurança coletiva, ou porque recursos para obras com o mesmo objetivo são desviados para outros fins ou por apropriação indébita. Depois de alguma exposição negativa na mídia e encenação processual relativa ao crime cometido, o político, com a mesma “cara de pau” de quando é apanhado com a boca na botija, está de volta ao cargo e a disputar eleições.

Faz um ano que várias cidades fluminenses, praticamente, foram destruídas por chuvas intensas, matando centenas de pessoas e arrasando a economia local. Novamente, desventura do mesmo gênero bate à porta daquelas populações e as encontra, praticamente, na mesma situação em que ficaram no ano passado. Recursos chegaram às cidades atingidas, não só para assistência às vítimas, como para a recuperação dos equipamentos públicos, mas não foram empregados ou foram mal administrados. Cabe aqui registro de que nem donativos destinados às populações carentes estão a salvo da corrupção. Material que deveria ser distribuído, gratuitamente, acaba nas mãos de inescrupulosos já acostumados a viver da desgraça alheia.

Só quem já viveu o drama do desalojamento por esses motivos pode aquilatar o grau do sofrimento dessas pessoas. E se engana quem pensa que o pior está no momento do evento em si, porque aí parte da comunidade se solidariza e a vítima recebe amparo; o poder público cumpre sua parte nas emergências. Naqueles momentos em que a natureza parece voltada contra os mais fracos, a coletividade foca sua atenção sobre as vítimas e as coisas se resolvem, de uma maneira ou de outra. Depois, a coisa é outra! Passada a tempestade natural e dispersas as atenções para o plano individual, a situação se normalizando para a maior parte da comunidade, o cidadão flagelado se vê no olho do maior dos furacões: o mesmo coração humano a exercer a tirania do desprezo. De vítima passa à condição de estorvo. Em busca dos seus direitos portas lhe são fechadas; pessoas em posição de dar assistência, tomar providências, prover soluções, se omitem; quando prometem, não cumprem. Audiências fazem crer em seriedade, mas de encenações não passam como satisfação à mídia, ficando o dito pelo não dito para a vítima. Não vale a lei, mas qualquer outro estratagema, mesmo o “desaparecimento” de documentos, ditado pela vontade do mais forte, para que o cidadão atingido se recolha à sua insignificância, na avaliação dos arrogantes.

Diante de toda a lama, que não é só a das enchentes, demissão de meio milhar de servidores é muito pouco, comparada ao número que se precisa cassar para passar este país a limpo!

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