Quando nos deparamos com as ciladas que o mundo moderno nos prepara, com o intuito principalmente de induzir a nossa opinião, percebemos o quanto somos vulneráveis, mesmo que inconscientes disto, e como podemos ser facilmente manipulados.
Não é de hoje que a mídia de todo o tipo tenta influenciar o comportamento dos indivíduos visando estimular o consumo de um determinado produto ou serviço, e para isto se utiliza de mensagens explícitas ou então subliminares em anúncios de todo tipo.
Acabamos por nos habituar a indução de certo padrão de comportamento, na forma como nos vestimos, na nossa alimentação, nas músicas que ouvimos e principalmente na forma como agimos diante das mais diversas situações.
Na realidade nos acostumamos a justificar nossa conduta, de acordo com o comportamento de um determinado número de pessoas, sejam elas alguém do nosso cotidiano ou então figuras presentes na mídia.
Nosso foco acaba se alterando e perdemos a percepção das peculiaridades que são de nosso exclusivo interesse, e que denotam nossa autenticidade. Deixamos em segundo plano a questão da real necessidade de algo em detrimento do modismo que nos foi apresentado por aqueles que tem interesse em aumentar o consumo.
Chegamos ao cúmulo de disputar com a vizinhança quem tem o melhor carro, a melhor casa, o melhor jardim, e assim deixamos de priorizar a utilidade das coisas pelo valor financeiro que elas representam.
Esquecemos de valorizar o simples, o belo e o gratuito, trocamos a praia, os rios e a natureza a nossa volta por internet, shopping center, tv a cabo. Trocamos o prazer da elaboração e partilha dos pratos culinários, onde o tempo decorrido no preparo poderia nos valer de uma boa conversa e momentos de convívio com pessoas queridas, pelo sanduíche de microondas.
Nos habituamos a viver em um ritmo alucinante, onde acabamos por deixar de dedicar-nos aos relacionamentos, na esperança de que nos sobre mais tempo para desperdiçarmos fazendo coisas desnecessárias.
Por inúmeras vezes passamos a priorizar nossos relacionamentos de acordo com os benefícios que estes podem nos trazer no âmbito financeiro, e acabamos por deixar em segundo plano a preocupação com nossa evolução moral e ética perante as pessoas que nos cercam.
É chegada a hora de modificar esta estrutura. Precisamos de pessoas autênticas que não se deixem levar por tendências direta ou indiretamente sugeridas. Precisamos dar mais importância para aquilo que nos é entregue gratuitamente, e sem a exigência de algo em troca, do que a tesouros que nos tomem recursos financeiros e nos transformem em pessoas piores do que éramos antes.