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Nylton Batista

[ Nylton Batista ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Redator de jornal há cerca de vinte anos. Também escreve contos, alguns dos quais publicados em antologias.

 

Cinzas do carnaval

Não é fácil aceitar o carnaval de agora, quando se conheceu o carnaval arte, cultura, entretenimento e momento de crítica, produzido, realizado e brincado, antes que o transformassem em indústria espetaculosa, para turista ver, ou megaevento para entupir as ruas de gente. Muito mais que saudosismo, que alguns podem apontar nesta crítica, é a constatação da perda sofrida pelo povo ao longo dos anos, quando se iniciou a "estatização" da festa que era verdadeiramente popular, ou seja, feita pelo povo, com o povo e para o povo. No tempo em que escola de samba era coisa do Rio e prefeituras se limitavam a conceder alvarás para os bailes, organizar e liberar logradouros públicos para o uso do povo, a festa reunia foliões dos oito aos oitenta anos, a cantar músicas específicas para a ocasião, inspiradas em coisas, personagens e fatos, em evidência e ou acontecidos no ano anterior.

Durante o dia, imperavam nas ruas os grupos mascarados a debochar de tudo e de todos: a noite era dos cordões, blocos organizados e respectivos carro alegóricos, antes de a folia se recolher aos clubes depois das vinte e duas horas. Fatos políticos e personalidades neles envolvidos eram os mais focados, não somente nas letras das músicas, mas nas fantasias e  carros alegóricos postos nas ruas pelas sociedades carnavalescas. A crítica era livre e ferrenha, não perdoando quem quer que fosse O folião, pobre ou rico, era criativo e sabia explorar essa potencialidade para se divertir e divertir seu círculo social, no carnaval em tempo integral, durante os três dias.  

Não havia competição a aguçar a agressividade entre as sociedades carnavalescas, que se apresentavam como, quando e onde queriam, sem ter qualquer regra à qual obedecer. Por isso também não é fácil conviver com conflitos que se produzem diante dos resultados, que substituíram o início da saudade do carnaval que passara. Tumulto, violência e vandalismo, produzidos no curso da apuração do desfile das escolas de samba, em São Paulo, são consequências evidentes do intrometimento indevido das prefeituras, que passaram a destinar gordas verbas para a produção do show via escolas de samba - cópias malfeitas das originais cariocas espalhadas por boa parte do país - e a premiar, nem que seja, simbolicamente, pelo desempenho das primeiras colocadas.

As prefeituras injetaram, no carnaval, o vírus da disputa que, antes, era somente pela preferência popular. No caso de São Paulo, em particular, a população nem chegou a conhecer o verdadeiro carnaval, porque antes de o evento se "oficializar", o carnaval não existia fora dos grandes clubes. Naquele tempo, São Paulo "não podia parar" e por isso o carnaval era ignorado, ficando a manifestação momesca restrita á Vila Esperança, na Zona Leste, onde, diga-se de passagem, promovia-se um carnaval de rua de qualidade, próximo aos de cidades do interior. No resto da cidade prevaleciam resquícios do entrudo (carnaval antigo, violento, que consistia em se lançar uns aos outros, farinha, tinta, água suja), que alguém quis reintroduzir em Ouro Preto.

Em grande escala, São Paulo só teve como carnaval o desfile que ora se faz, não há muito tempo. O carnaval, manietado pelo poder público, perdeu qualidade em todos os sentidos, para ganhar quantidade. Cada prefeitura qualifica seu carnaval pelo volume de pessoas que atrai e atravanca suas ruas. Não é fácil aceitar que do carnaval só restem cinzas! 





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