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Luisa Lessa

[ Luisa Lessa ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Uma estudiosa da vida, amante da ciência e dos bons textos.

 

O grito de Cabral ao avistar o Brasil

     Contam os historiadores que Pedro Álvares Cabral, ao avistar o Brasil, no ano de 1500, assim se expressou: “terra à vista”! E esse [a] tinha um som bem aberto e o [s] de vista certamente não era chiado. Logo é possível presumir que o grito não foi “terra ã vishta", dito assim com o "a" abafado e o "s" chiado conforme pronunciam hoje os portugueses no sotaque europeu da língua camoniana.

     No século XVI, período em que ocorreu o achamento do Brasil, os nossos patrícios lusos não engoliam vogais nem chiavam nas consoantes. Essa moda surgiu depois do século XVII, na Península Ibérica. Logo haverá o leitor de concluir que Cabral teria berrado um "a" bem pronunciado e dito "vista" com o "s" sibilante igual ao dos acreanos de hoje. O hábito de engolir vogais, da maneira como os portugueses fazem, na atualidade, veio se consolidando aos poucos, enquanto que do outro lado do mundo, no Brasil, os sons dos fonemas foram preservados e com isso passam a ser vistos pelos falantes portugueses como arcaísmos empoeirados.

     Folheando a gramática de Fernão de Oliveira, escrita em 1536, há um trecho onde o nosso primeiro gramático descreve o falar português assim: “nós portugueses falamos como homens assentados”. Compreende-se que os portugueses falavam com calmaria, lentidão. Isso nos idos de 1500, porque hoje essa descrição reflete a fala do Brasil. Há até quem diga que nós brasileiros falamos cantando. Pois bem, esse falar cantado, arrastado, repousado, é característico daquele mesmo falar impregnado no grito de Cabral “terra à vista!”.

     Embora haja quem assegure ser o Brasil um país inovador na linguagem, essas especulações ficam por conta das denominações para o “novo” que aqui existia diferente da Europa. E o recurso usado para denominar o Novo Mundo foi utilizar o conhecimento que os índios tinham do lugar, da vida, dos animais, plantas etc. E, nesse particular, surge um número significativo de  palavras que, segundo Gladstone Chaves de Melo (1976), está por volta de 10.000. E eu tenho a impressão que o respeitável filólogo não mediu, nessa avaliação, a riqueza da toponímia brasileira, particularmente da fauna e da flora. São incontáveis as famílias, as espécies de plantas, vegetais, animais etc. A título de ilustração, algumas palavras iniciadas pela letra [b] tão nossas conhecidas: babaçu, bacaba, bacu, bacupari, bacurau, bacuri, bacuripari, bacurubu, bacutingui, baeapina, baepecu, baiacu, baitaca, batuíra, beiju, beribeba, biaribi, biboca, bicuíba, bicuibuçu, biguá, bijupirá, biribá, biriba, bimba, birosca, bocaiúva, bocima, boicinimpeba, boicininga, boiobi, boioçu, boioçupecanga, boipeba, boipiranga, boiquatiara, boitatá, boitauá, boitiapuá, boiúna, borari, borra, (bororê), boré, braúna, bubuia, buçu, buijeja, buranhém, buri, buriqui, buriti, buritirana, butiá etc.

     No contexto do conservantismo linguístico, desde o grito de Cabral até o século XXI, o brasileiro acrescentou à língua mãe inovações próprias do continente americano para traduzir as coisas do lugar. Assim, o português do Brasil aqui ganhou uma coloração rítmica roubada dos índios e algumas subversões herdadas dos negros. A esses dois ingredientes juntou-se o tempero dos muitos sotaques de milhões de imigrantes. Resultado do português brasileiro: feição arcaica moderna. A beleza dessa língua ainda precisa ser estudada, descrita, contada. E, embora tenhamos estudos importantes nesse campo do saber, no Acre há o trabalho, que julgo fenomenal, da construção do Atlas Etnolinguístico do Acre. Fenomenal, digo, por resultar do esforço individual na descrição do falar coletivo, enquanto em outras localidades contam-se dezenas de pesquisadores integrantes em tarefa similar.

     Ao concluir essa reflexão é prudente não perder de vista que o português brasileiro levou meio milênio se desenvolvendo longe de Portugal até ficar nitidamente diferente na imensidão das terras de Santa Cruz. A recolha desses falares é tarefa fundamental para a compreensão, o delineamento da cultura brasileira e, consequentemente, da língua portuguesa do Brasil. E, assim, parafraseando o grito de Cabral, “terra à vista”, é possível ao leitor imaginar o fantástico que é dizer “Atlas Etnolinguístico do Acre à vista”. É uma tarefa que tem seu primeiro volume previsto para junho do corrente ano. Trabalha-se em ritmo acelerado.

 

DICAS DE GRAMÁTICA

Como usar Como usar o Onde e Aonde, professora?

- Onde indica “em que lugar, no qual lugar”. Exemplos:

Onde está você?

Ela não sabia onde ficar.

Onde há muita chuva há enchente.

A mãe não descobriu onde seu filho estava.

Onde funciona também como pronome relativo. Caso em que também designa “em que lugar, no qual lugar”.

- Aonde se emprega com verbos que indicam movimento, deslocamento e equivale a: A que lugar, para que lugar.

Os verbos que indicam movimento exibem a preposição “a”. Logo, na frase, a preposição “a” se une ao “onde” e transforma em: “aonde”.

Portanto, “aonde” é a junção de “a + onde”.

Exemplos:

Não sei aonde (a que lugar) ele vai quando sai daqui.

Aonde (a que lugar) será que essa arrogância o levará.





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