Há alguns meses, a cidade histórica de Mariana. alcunhada como "primaz de Minas" viu-se em uma circunstância peculiar: a empresa mineradora Vale iniciou uma intervenção que detonaria um bairro inteiro da cidade e tornaria o tírulo de "cidade histórica" em risco. O turismo se perderia, as doenças respiratórias e de pele aumentariam na cidade e a bela vila do Carmo veria sua arte encoberta pelo pó. Hoje, mais uma cidade se vê nessa perspectiva: Congonhas do Campo.
A linda e bucólica cidade dos profetas de Aleijadinho se vê diante de um dilema: A Cia. Siderúrgica Nacional quer desmontar uma serra inteira para aumentar seu lucro no mercado. A empresa argumenta que vai ampliar o volume de pessoas empregadas, que vai construir um hospital e que até vai lavar todos os pneus que saírem da mina em diração à cidade, mas será que isso é o suficiente para proteger uma arte que não é só nossa, mas do mundo?
O maior embate se trava quando se descobre que a CSN pagou todas as desperas eleitorais do último pleito e que isso pode se repetir em 2012. Na iminente crise de corrupção no Brasil, tememos pelo pior. Ninguém pode tirar de nosso pensamento que a propina empresarial seja um instrumento para a aprovação do desmonte da serra que inspirou Aleijadinho na escultura do cenário que tornou Congonhas uma cidade com turismo nacional e internacional, incluindo o ecológico alocado na serra em questão.
Quando a crise se fez na cidade de Mariana, a população foi para as ruas juntamente com os estudantes da universidade e os próprios vereadores. Alguém se lembrou do relato de um sonho de um escravo, no período colonial, em que ele via do alto da Igreja de São Pedro a cidade totalmente ensanguentada. O pó vermelho seria o sangue da previsão do velho escravo. Será que alguém um dia percebeu a previsão catastrófica para Congonhas e todas as outras cidades de Minas que se situam no conhecido Quadriláterro Ferrífero? Será que teremos a partir de então uma nova corrida pelo minério mineiro? O que vale mais: a arte eterna que é de todos ou apenas a riqueza maldita de alguns?
Por fim, Prata ( 2009) nos lembra que não existe na Bíblia o ditado " A Fé Move Montanhas". Segundo ele, a proposição era " A FED move montanhas". FED era a sigla de uma empresa britânica que explodiu no período colonial parte da Serra do Espinhaço e que de fato modificou a paisagem de Ouro Preto e região. FED representava o nome de Federal Enterprise Dynamite", que pode hoje se a Vale, a CSN ou qualquer outra que deseje aumentar seus lucros mesmo que isso custe aniquilar todo o trabalho da memória cultural de um lugar. Façamos campanhas para evitarmos essa outra tragédia mineira.