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Alessandro Mendonça

[ Alessandro Mendonça ]   Veja o Perfil Completo deste Colunista
Formado em Teologia pela Faculdade Teológica Batista Nacional (DF) em 1997 e ordenado Pastor batista em 1998.

 

A Paixão de Cristo

Você já presenciou um acidente automobilístico? Ou já viu na internet aqueles sites que mostram vítimas de acidentes e execuções ou mesmo aqueles jornalecos que estampam na primeira página toda sorte de bagaços humanos?
Em todos esses casos o que realmente chama a atenção é o estado dos corpos, a desfiguração, o sangue abundante. 

Fico imaginando como qualquer um de nós faria o relato da execução de uma pena capital. Como descreveríamos um enforcamento, uma morte por injeção letal ou eletrocussão. Se você já assistiu algo do tipo certamente já ouviu esse tipo de pergunta: “Como é que a pessoa fica?”, “É verdade que o corpo encolhe quando fica calcinado?”, “Os olhos do eletrocutado saltam mesmo pra fora das órbitas?”.
Nosso mórbido interesse é desse nível. Dificilmente nos preocuparíamos em olhar a reação dos outros. Isso me faz perguntar: Como descreveríamos a crucificação de Jesus se estivéssemos ali naquela sexta-feira de abril em Jerusalém?

Me impressiona a forma como os evangelistas descrevem esse episódio central da história do Cristianismo. Como são econômicos, suscintos. A barbárie a que foi submetido Jesus poderia ser descrita em detalhes, como Mel Gibson faz em seu filme A Paixão de Cristo, mas não; eles limitam-se a dizer: “crucificaram-no entre dois ladrões” ou “levaram-no para ser açoitado”.
Estranhamente os evangelistas se dedicam a “cobrir” aspectos periféricos: a discussão sobre o que escrever na tabuinha fixada acima da cabeça de Cristo; a reação das pessoas que passavam por ali, a discussão dos dois ladrões, a disputa pelo manto do executado. Por quê isso?

Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os Evangelhos muitos anos depois da morte de Cristo. Eles não estavam lá transmitindo via satélite para todo o mundo. Anos de reflexão sobre o ocorrido naquela tarde na Palestina e a inspiração divina os levaram a fazer um relato da morte de Cristo que pouco fala da execução em si. O foco dos Evangelistas parece ser em como as pessoas reagiam.

O interessante sobre a cruz é que, dois mil anos depois, as mesmas reações podem ser observadas:

- Havia (e há) os que zombam. Os que ridicularizam o salvador moribundo e aparentemente incapaz de fazer qualquer coisa;

- Havia (e há) os que dão de ombros. Que são os que dizem: “Eu não tenho nada a ver com o que fizeram com Jesus. Não fui eu quem o matei.”
- Havia (e ainda há) as Carpideiras de Jesus. Que são os que choram. Muita gente chorou vendo Jesus sofrendo no filme Paixão de Cristo. E são os mesmos que choraram ao ver Titanic ou Marley E Eu. Quando a gente chora por pena, não há diferença entre Jesus, Leonardo Di Caprio ou um cão labrador. Compaixão é um sentimento nobre, mas que não se aplica a Jesus. E isso pelo simples fato que na cruz Jesus não é vítima. Não é coitado. A atitude certa diante da cruz não é chorar por Cristo. É chorar por mim mesmo e por meus pecados (Lc 23:28).

- Havia (e ainda há) os espectadores de milagres. A turma que segue desde que haja uma unção nova, uma onda nova, um milagre novo, uma cura e uma libertação nova. Mas a cruz foi o único lugar onde Jesus negou-se a realizar um milagre. E olha que teve gente importante oferecendo fé imediata em troca de uma demonstração pública de poder do Filho de Deus.

- Havia (e há) os que brincam. Que é o pessoal que disputa pra ver quem fica com as vestes e o manto. Quem fica com o espólio de Jesus. É interessante notar que ali no Calvário acontecia de tudo mesmo: os soldados romanos encontraram disposição para jogar dados e tirar a sorte para ver quem levava a túnica de Cristo. E hoje tem gente perto de Jesus, perto da cruz, e preocupada para ver quem fica com O Manto. Esses são os que perderam o referencial, os que se distraem com coisas que parecem “santas” mas que só são o que são: capas apenas.

- Há os Caçadores de Heresias. Que são representados pelos “principais dos judeus” (Jo 19:21) que disputavam com Pilatos para que ele corrigisse a inscrição contida na tabuinha afixada na cruz. Esses são os estressadinhos com os mínimos errinhos dos estatutozinhos e das convençõezinhas das igrejas. É a turma que quer saber se o pão da ceia pode ter fermento, se é vinho ou suco de uva, se é mensal ou semanal, se criança pode ou não pode, se visitante pode ou não pode, se não-batizado pode ou não pode, se tem que estar “em dias” com o dízimo, se pode fazer sexo no dia ou não pode, se é só o Pastor que ministra, se Jesus está no Pão ou se Jesus é o Pão (e o que acontece com Jesus-no-pão depois da digestão?). E isso tudo só no que diz respeito à Ceia do Senhor (ou seria “Santa Ceia”??).

Esse outro olhar, essa outra forma de ver a crucificação. Esse olhar que tira o foco do crucificado e foca nos que estão “à volta”. Esse olhar, não é apenas o olhar dos Evangelistas. Esse é o olhar de Deus. Deus olha para o quê nós fazemos em relação ao o quê Ele está fazendo. Olha para nossa reação. Porque no fim das contas, é ela (a reação) que vai determinar nossa “relação” com Cristo.

E assim é que a melhor de todas as reações que se manifestaram ali no Calvário foi a de um condenado. Quem melhor visualizou o drama que se desenrolava na cruz não foram os apóstolos, ou Maria, ou os fariseus. Foi o ladrão arrependido. Ele enxergou a própria culpa e o merecimento de sua punição; a inocência, a justiça e a realeza de Cristo e, principalmente, a oferta de salvação. E viu oferta onde oferta alguma havia sido feita. Viu o que ninguém viu. E o que pediu não foi nem para entrar no Reino de Cristo. Pediu para ser lembrado. Para fazer parte da memória de Jesus. E, horas depois, entrou onde eu e você ainda não entramos, viu primeiro o que nós só vamos ver depois. Chegou na frente de Maria e dos apóstolos. O ladrão também teve um “outro olhar” ao contemplar seu colega de execução ali do lado.

Há muita gente perto da cruz. Perto de Jesus. E fazendo todo tipo de coisa como já vimos. Mas o melhor lugar para se estar é no lugar do condenado arrependido: na cruz vizinha.





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